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Fortaleza
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Ação com mais de 210 voluntários oferece atendimento psicológico na Praça do Ferreira

Em alusão ao Setembro Amarelo, campanha de conscientização contra o suicídio, evento reuniu tendas com diversos serviços de promoção à saúde física e psíquica

SAMUEL PIMENTEL
13:55 | 14/09/2019
Em alusão ao Setembro Amarelo, campanha de conscientização contra o suicídio, evento reuniu tendas com diversos serviços de promoção à saúde física e psíquica
Em alusão ao Setembro Amarelo, campanha de conscientização contra o suicídio, evento reuniu tendas com diversos serviços de promoção à saúde física e psíquica (Foto: Divulgação)

A movimentação de pessoas na Praça do Ferreira numa manhã de sábado é intensa. Milhares de pessoas passam pelo cartão postal do Centro de Fortaleza e olhares desatentos do cotidiano não percebem que no meio da multidão pessoas estejam passando por algum problema na vida. Neste sábado, 14, o evento Muda Junto, iniciativa em prol da prevenção ao suicídio e promoção da vida, realizou ação que reuniu mais de 210 voluntários com um olhar atento para realizar atendimentos com serviços diversos de saúde, com aferição da pressão arterial, atendimentos com psicólogos, até simples abraços.

Essa é uma das ações da campanha Setembro Amarelo, que tem como temática principal a prevenção do suicídio. Segundo dados de 2017 do Sistema de Informação sobre Mortalidade, essa é a causa de morte de 11 mil brasileiros todos os anos e acontece principalmente entre jovens de 15 a 29 anos, de acordo com o Ministério da Saúde.

Em Fortaleza, o Muda Junto foi organizado pelo Instituto Bia Dote e contou com a participação de mais de dez organizações não governamentais. A intenção é levar acolhimento. Stands montados na praça ofereciam ainda massagens, shows musicais e voluntários das equipes de Psicologia de universidades federal, estadual e uma particular de Fortaleza dando orientações.

A coordenadora do evento e presidente do Instituto Bia Dote, Lucinaura Diógenes, diz que percebe uma abertura maior das pessoas a receberem informações preventivas sobre o assunto, que ainda é tratado como tabu na sociedade.

"Começou uma fase de desconstrução de mitos e preconceitos com o suicídio e começamos a virar esse estigma para trabalhar com a prevenção do adoecimento mental. É uma virada de rumo da própria sociedade, pois só se faz prevenção com informação".

Reunidas dentro da plataforma Fortaleza Solidária, que conseguiu reunir uma rede de voluntários para ações desse tipo, o projeto Enfermagem em Ação esteve na praça oferecendo serviços de aferição da pressão arterial e testes de glicemia. A coordenadora, Nacielda Santana, diz que percebe uma carência na população no momento de realizar cuidados com a própria saúde física e que o adoecimento acaba gerando outros problemas, de natureza psicológica. A intenção do projeto, diz, é além de curar o físico, dar atenção à alma.

"Procuramos confortar o paciente, oferecer uma mão amiga. É muito importante o trabalho do voluntariado e é preciso se doar de coração. Teve uma pessoa que disse que saiu de casa muito triste, mas que depois do atendimento já estava mais alegre por ser atendida por pessoas sorridentes trabalhando de forma gratuita", conta.

"Vou embora daqui bem melhor do que quando cheguei", destaca a aposentada Ilza Pontes. Outra idosa que também participou dos serviços foi Lila Lima. Ela conta que verificou a pressão arterial, viu que o resultado de acima do normal, foi medicada e passou por serviço de massagem. Ao O POVO disse que se sentia melhor, "bem mais relaxada". "A campanha é ótima e o atendimento maravilhoso".

Para além da saúde física, a campanha tem como ponto chave oferecer apoio e, principalmente, atenção àqueles que precisam de ajuda psicológica. A psicóloga voluntária, Laís Correa, diz que realizar esses atendimentos fora do consultório proporciona acesso à pessoas que não têm essa oportunidade.

"Estamos dando a oportunidade para essas pessoas falarem um pouco sobre elas e mesmo se informarem onde elas conseguem encontrar uma ajuda contínua, também desmistificando o papel do psicólogo. As pessoas não sabem bem para que servem, nem quando procurar. E acabam buscando ajuda profissional só quando chegam ao sofrimento extremo", afirma.

FIQUE ATENTO:

Fatores de risco para o suicídio

- Transtornos de humor (por exemplo: depressão)

- Transtornos mentais de comportamento pelo uso de substâncias psicoativas (ex: alcoolismo)

- Transtorno de personalidade

- Esquizofrenia

- Transtorno de ansiedade

Sentimentos a serem observados

Depressão, desesperança, desamparo, desespero

Frases de alerta

"Eu preferiria estar morto".

"Eu não aguento mais".

"Eu não sirvo para nada".

"Os outros vão ser mais felizes sem mim".

"Eu sou um perdedor e um peso para os outros".

"Eu não tenho vontade de fazer nada".

"Minha vida não tem mais sentido".

Medidas de prevenção

- Consulta ao especialista psicólogo ou psiquiatra e uso de medicamentos sob prescrição médica.

- Escute atentamente a pessoa e busque ajuda.

- Evite deixar a pessoa sozinha.

- Tenha cuidado com o acesso da pessoa aos meio de cometer suicídio.

- Procure o CAPS / CVV no telefone 188.

SERVIÇO

Terapia na Cidade

Grupo de médicos psicólogos que realizam atendimentos nas galerias no entorno da Praça do Ferreira todos os sábados, de 8h às 12 horas. São ao todo 15 psicólogos participantes e as sessões duram aproximadamente 50 minutos por paciente.