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Fortaleza
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Boto é encontrado morto na Praia de Iracema nesta sexta-feira

Corpo do animal, porém, teria sido removido pela própria maré, de acordo com ONGs

15:50 | 20/09/2019
Corpo do animal, porém, teria sido removido pela própria maré ou por uma terceira pessoa, de acordo com ONGs
Corpo do animal, porém, teria sido removido pela própria maré ou por uma terceira pessoa, de acordo com ONGs (Foto: Reprodução / Instagram )

Atualizada às 18h22min

Um boto-cinza foi encontrado morto na manhã desta sexta-feira, 20, na Praia de Iracema, em Fortaleza. De acordo com ONGs voltadas para a preservação do meio ambiente, após receberem informação sobre o encalhe e irem para o local, por volta das 9h30min o animal já teria sumido.

Encalhado próximo à estátua de Iracema, o boto pode ter sido levado pela própria maré ou por alguma pessoa, de acordo com o Instituto Verde Luz e com a ONG Aquasis. Com isso, a causa da morte não pôde ser definida pelos biólogos. Conforme a Aquasis, no entanto, caso tenha sido levado pelo mar, é possível que o animal volte a encalhar nas próximas horas.

Nas redes sociais, usuários chegaram a apontar para as obras de construção da Novo Aterro da Praia de Iracema como possível responsável pela morte do boto. Questionada sobre as alegações, a Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seinf) comunicou ao O POVO Online que a “não teve ciência sobre o caso”, uma vez que sua equipe técnica não registrou ocorrência.

Quanto à veracidade das fotos, o responsável pelos registros, fotógrafo Rafael Pedrosa, afirmou que irá ainda nesta tarde a um cartório para atestar que as imagens são desta sexta-feira.

Para Liana Queiroz, bióloga e diretora de participação política do Instituto Verde Luz, a Prefeitura não chegou a apresentar “estudo mais aprofundado” sobre os animais que vivem na orla da Capital. Com isso, o monitoramento dos animais daquela região estaria prejudicado, com a falta de possibilidade de realizar comparativos.

“Os animais são muito sensíveis à urbanização, às mudanças de correntes causadas por causa dos espigões, do aterro da Praia de Iracema, as redes de pesca e derramamento de óleo. As espécies já estão sofrendo muito, então qualquer coisa a mais pode ser fatal para elas”, analisou.

Indagada sobre as críticas em relação ao parecer apresentado, a Seinf comunicou que equipe técnica analisará as questões levantadas.

 

A espécie

 

O boto-cinza é a espécie de mamífero marinho que encalha com maior frequência no Ceará. Nos últimos 24 anos, foram registrados 500 deles encalhados no Estado. A maioria dos casos é decorrente da captura acidental por redes de pescadores que atuam próximos aos locais onde esses animais costumam viver.

A população de boto-cinza que habita a enseada do Mucuripe é uma das mais ameaçadas, com apenas 41 indivíduos, segundo a Associação de Pesquisa e Preservação de Ecossistemas Aquáticos (Aquasis). A espécie é considerada Patrimônio Natural de Fortaleza.