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NOTÍCIA

Julgamento de habeas corpus para piloto acusado de participar da morte de Gegê do Mangue e Paca é adiado para a próxima quarta-feira

Desembargador que iria presidir a sessão está de licença médica

15:21 | 04/09/2019
Fabiano Alves de Souza, o Paca e Rogério Jeremias, o Gegê do Mangue, líderes do PCC mortos em Jenipapo Kanindé, em Aquiraz
Fabiano Alves de Souza, o Paca e Rogério Jeremias, o Gegê do Mangue, líderes do PCC mortos em Jenipapo Kanindé, em Aquiraz(Foto: Tatiana Fortes/ O POVO)

Marcado para ocorrer na tarde desta quarta-feira, 4, o julgamento do habeas corpus que pode colocar em liberdade o piloto de avião Felipe Ramos Morais, 32, foi adiado para a próxima quarta-feira, 11. Ele é acusado de ter participado da execução de Rogério Jeremias de Simone (Gegê do Mangue) e Fabiano Alves de Souza (Paca). O pedido apresentado pela defesa seria julgado durante sessão na 2ª Câmara Criminal, do Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE). Contudo, o desembargador Francisco Martônio Pontes de Vasconcelos, que iria presidir o julgamento, está de licença médica e o caso será discutido somente na próxima semana. 

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As vítimas eram chefes da facção Primeiro Comando da Capital (PCC) e foram executadas em 15 de fevereiro do ano passado, em uma clareira próximo a uma tribo indígena, em Aquiraz. De acordo com as investigações, Morais teria sido o responsável por pilotar o helicóptero até o local ermo, fingir uma pane na aeronave, pousá-la e, portanto, criar as condições para a execução.

A morte de Gegê e Paca foi decidida por ala do PCC ligada a Gilberto Aparecido dos Santos, o Fuminho. O grupo teria visto indícios de que os dois chefes estaria desviando dinheiro da organização criminosa. Contudo, os assassinatos teriam sido realizado antes de uma confirmação final pela cúpula da facção – leia-se Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola. Em reação, os algozes foram perseguidos e mortos. Wagner Ferreira da Silva, o Cabelo Duro, foi morto em 22 de fevereiro, enquanto estacionava em hotel na zona leste da cidade de São Paulo. Mais dois aliados dele também foram assassinado à época.

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Já na versão do piloto, ele não teria participado efetivamente do planejamento da ação. Segundo sua defesa, Ramos foi pressionado por Erick Machado Santos (conhecido como Neguinho Rick da Baixada) e por André Luiz da Costa Lopes (Andrezinho da Baixada) para fazer o transporte. Teria sido ainda obrigado a pousar o helicóptero no local onde ocorreram as execuções.

O piloto foi preso em maio de 2018. Ele estava escondido em um balneário de Caldas Novas, no interior de Goiás. Desde o segundo semestre de 2018 está encarcerado na Penitenciária Federal de Campo Grande.

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Delação

Em entrevista ao O POVO Online na última terça-feira, 3, a defesa do piloto disse que o Ministério Público não teria respeitado um acordo de delação premiada com o réu. Os advogados Diogo Melo Pena e Mariza Almeida Ramos Morais (mãe do piloto) afirmam que Ramos coopera com as investigações desde que foi preso.

Ramos teria inclusive repassado informações consideradas cruciais ao caso - como a localização da aeronave, armas e descrito a dinâmica do crime. O acordo de delação premiada teria sido confirmado, segundo o recurso dos advogados apresentado no Tribunal. Mesmo assim, aponta a defesa, ele não teria recebido os benefícios acertados com o Ministério Público Estadual.

Em nota, o MPCE informou "que não efetivou nenhum acordo de colaboração premiada homologada pela Justiça com o piloto Felipe Ramos Morais". "E que a não inclusão dele na 1ª denúncia apresentada pelo MPCE sobre o caso não tem relação com a suposta negociação de delação premiada", finalizou a nota.

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