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Novo reitor da UFC não descarta Future-se: "É uma proposta em construção"

Há uma semana, Conselho Universitário da UFC rejeitava programa federal. Cândido Albuquerque defende investimento em inovação e empreendedorismo

10:51 | 20/08/2019
Cândido Albuquerque, professor, durante debate na eleição de reitores da UFC
Cândido Albuquerque, professor, durante debate na eleição de reitores da UFC(Foto: Fabio Lima/Fabio Lima)

Novo reitor da Universidade Federal do Ceará (UFC), Cândido Albuquerque, afirmou que não é possível se posicionar sobre o programa federal Future-se por considerar que o projeto ainda está em fase de construção. No dia 14 de agosto, o então reitor da universidade, Henry Campos, e gestores de outras instituições federais de ensino do Ceará rejeitaram o programa por meio de nota. Cândido foi anunciado como novo chefe da reitoria da UFC na noite de segunda-feira, 19. Em primeira entrevista no cargo, ele pede união à comunidade acadêmica.

“Não podemos ficar contra ou a favor. Só com ele formatado é que poderemos ter posição”, disse à Rádio O POVO CBN na manhã desta terça-feira. Para Cândido, o momento é difícil por causa dos cortes anunciados pelo Governo Federal. Ele diz acreditar que “o País só vai sair da crise através da universidade” e que, por isso, a instituição não pode ficar afastada da sociedade. O reitor defende investimento na inovação e no empreendedorismo, para que alunos saiam dos cursos aptos para o mercado de trabalho.

Na decisão de rejeição do Conselho Universitário (Consuni), o Future-se foi criticado por envolver interesses privados na educação pública. “O que se escancara, aos nossos olhos, é que se encontra em marcha uma estratégia para reduzir a presença do Estado na garantia do direito à educação e, ao mesmo tempo, abrir à financeirização do ensino público, transformando-se a educação em mercadoria que tem o lucro – e não o compartilhamento, a geração e difusão do conhecimento – como objetivo final", diz o texto da nota contrária ao projeto.

REPERCUSSÃO

Cândido Albuquerque foi escolhido como reitor pelo presidente Jair Bolsonaro mesmo não sendo o mais votado entre alunos, servidores e professores. Sobre a repercussão negativa que a sua eleição está tendo, ele pede união entre os setores da universidade. “O País mudou! Deu uma guinada. Tinha um governo de esquerda, foi para um governo liberal. Tem um panorama novo e temos que dialogar com tolerância”, afirmou. O reitor também questiona o método de votação para o cargo, argumentando que é preciso repensá-lo.

Em resposta à eleição, alunos, professores e servidores da UFC marcam ato às 18 horas desta terça-feira, 20. O protesto deve acontecer no entorno da universidade, no cruzamento entre as avenidas da Universidade e 13 de Maio. Eles pedem por democracia e por defesa da autonomia da instituição.