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Fortaleza
NOTÍCIA

Fenômeno que reduz oxigênio na água pode ser responsável por morte de peixes no rio Cocó

A conclusão foi apontada por relatório da análise realizada pela Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace)

23:32 | 18/07/2019
Peixes aparecem mortos em trecho do rio Cocó.
Peixes aparecem mortos em trecho do rio Cocó. (Foto: Fabio Lima/Fabio Lima)

Um fenômeno conhecido como seiche - uma espécie de descolamento do material acumulado no fundo do rio que dissolve na água, reduzindo a proporção de oxigênio necessária à manutenção da vida no meio - pode ter sido responsável pela morte de peixes no rio Cocó. É o que aponta um relatório da análise realizada pela Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace).

A informação foi divulgada pelo órgão na tarde desta quinta-feira, 18. “Através de uma análise interdisciplinar, pode se levantar a hipótese de que a causa mortis foi decorrente de um fenômeno muito comum em lagos e açudes (ambientes lênticos), chamado na literatura limnológica de seiche, causado por forças de diversas origens, como pressão atmosférica, ventos, chuvas repentinas, abalos sísmicos, rajadas de ventos, entre outros”, afirma o relatório assinado pela gerência de Análise e Monitoramento da Semace.

De acordo com o estudo, os peixes morreram entre os dias 6 e 8 de julho, nas proximidades da rua Cônego Januário, no bairro Boa Vista, onde os animais mortos foram avistados. Quatro amostras foram coletadas para análise, sendo duas do local do avistamento e uma do material descolado do fundo do rio. A quarta amostra foi retirada da barragem do rio Cocó, localizada no Conjunto Palmeiras, que não apresentava sinais de poluição.

Amostras do peixe morto também foram levadas para exame no Instituto de Ciências do Mar (Labomar), da Universidade Federal do Ceará (UFC). A intenção era ampliar o esclarecimento da análise laboratorial da água. Entretanto, conforme informou a assessoria de comunicação da Semace, a análise não foi possível devido ao avançado estado de decomposição das amostras colhidas.

A maior concentração de evidências do fenômeno estavam nos peixes no momento da morte. Como houve um grande período entre a morte e a coleta para a análise, não foi possível examinar as amostras do animal para determinar a causa da morte.

Contudo, de acordo com as amostras da água, os peixes teriam morrido por uma "situação crítica" na condição de respirar. “O resultado da análise química da água, contribui para indicar as possíveis causa mortis, tendo como parâmetro principal o OD – Oxigênio Dissolvido, que se apresentava no local de amostragem com cerca de 0,54 mg/L O2 e indica uma situação crítica quanto às condições de anaerobiose”, explica o documento.

O POVO Online procurou a Secretaria do Meio Ambiente (Sema), para questionar sobre a retirada dos peixes mortos do local. O órgão informou que três dias depois da denúncias, os resíduos foram retirados e destinados ao aterro, segundo informações do gestor do Parque Estadual do Cocó, Paulo Lira.

Izadora Paula