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Fortaleza
NOTÍCIA

Fortaleza teve sua primeira missa celebrada em Português há 55 anos

Antes apenas em latim, as celebrações da Igreja Católica passaram a ser realizadas em língua nativa de cada local a partir do Concílio Vaticano II

22:19 | 17/07/2019
Antes apenas em latim, as celebrações da Igreja Católica passaram a ser realizadas em língua nativa de cada local a partir do Concílio Vaticano II
Antes apenas em latim, as celebrações da Igreja Católica passaram a ser realizadas em língua nativa de cada local a partir do Concílio Vaticano II (Foto: Reprodução / O POVO.Doc)

A religião mais popular do mundo passou por inúmeras transformações desde a sua criação, a partir de Jesus Cristo. O Catolicismo, que influenciou grande parte das sociedades ocidentais, vivenciou marcos importantes no início da década de 1960, com o Concílio Vaticano II. Das mudanças, as missas passaram a ser realizadas não mais apenas em Latim, mas na língua nativa de cada local. Fortaleza ganhou sua primeira celebração em português em 1964.

Na edição do Jornal O POVO de 17 de julho de 1964, foi publicada matéria com o título: “Celebrada a primeira missa em português”. No dia anterior, isto é, em 16 de julho daquele ano, missa havia sido realizada, “em caráter experimental”, na capela do Cenáculo de Fortaleza, no bairro São Geraldo. “Frei Alberto Mermann, religioso alemão radicado no Brasil, foi quem oficiou o Santo Sacrifício, cujas orações iniciais, até o Ofertório e a Comunhão, foram rezadas em idioma pátrio”, trouxe a reportagem.

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À época, o mundo experienciava as mudanças causadas pelo Concílio Vaticano II, convocado pelo papa João XXIII, em 25 de dezembro de 1961. O momento – que duraria até 8 de dezembro de 1965, já no papado de Paulo VI – proporcionou transformações significativas na religião. Passadas quatro sessões, foram formuladas quatro constituições, três declarações e nove decretos com o objetivo de “atualizar” a Igreja Católica.

Dos decretos, o Orientalium Ecclesiarum - acerca das igrejas orientais católicas - trata sobre “O uso das línguas vernáculas”, isto é, o idioma próprio de um país, nação ou região. “O conselho dos hierarcas compete o direito de regular o uso das línguas nas cerimónias litúrgicas, bem como, depois de comunicar à Sé Apostólica, aprovar as versões dos textos em língua vernácula”, comunicou o Vaticano.

Secretário-executivo do Secretariado Arquidiocesano de Pastoral em Fortaleza, Miguel Brandão afirmou que as transformações daquele período foram vivenciadas rapidamente, “mas de modo natural”. Também disse que não mais dispõem nas lembranças sobre “um marco”, uma primeira missa em português. “Mas quando veio a determinação do Vaticano, todos os padres passaram a celebrar na língua nativa”, explicou.

De acordo com ele, essa foi uma determinação que viria a servir para aproximar os fiéis. “Foi muito importante porque a missa não era entendida, o povo não sabia o latim, e ainda hoje não sabe. Quem celebra a missa não é somente o padre, mas o povo. Mas como é que o povo vai celebrar se não compreende o que está sendo dito?”, questionou.

Miguel Brandão declarou ainda que não apenas as missas eram realizadas em latim, que é a língua oficial do Catolicismo. “Mas o batismo, o confessionário, tudo era em latim. Então foi uma decisão sábia da Igreja, de permitir o uso da língua vernácula”, salientou.

Wanderson Trindade