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Fortaleza
NOTÍCIA

Demolição de prédio que desabou parcialmente deve ser autorizada ainda nesta quarta-feira

Os proprietários do imóvel na Maraponga tem até esta quinta-feira, 27, para executar o serviço e remoção do entulho. Em caso de descumprimento, será aplicada multa diária de R$ 5 mil

13:38 | 26/06/2019
A área segue isolada desde o dia que o edifício desabou. Há uma viatura da Polícia no local para evitar que as pessoas quebrem o isolamento.
A área segue isolada desde o dia que o edifício desabou. Há uma viatura da Polícia no local para evitar que as pessoas quebrem o isolamento.(Foto: Leonardo Maia/Especial para O POVO)

Atualizada às 15h23min para acréscimo de informações

A demolição do prédio que desabou parcialmente no início deste mês, na Maraponga, está em análise e deve ser autorizada pelo poder público ainda nesta quarta-feira, 26, de acordo com informações da Secretaria Regional V.

Os proprietários do imóvel foram intimados pela Justiça cearense para executar o serviço de demolição e remoção do entulho da obra até esta quinta-feira. Em caso de descumprimento, a medida, tomada pelo juiz Carlos Augusto Gomes Correia, da 7ª Vara da Fazenda Pública da Comarca de Fortaleza, estabelece uma multa diária de R$ 5 mil.

A expectativa entre os moradores que moram próximo ao local é que as obras já comecem amanhã. Henrique Freitas, 29, teve a casa interditada após o incidente e está morando na casa de um familiar. Ele reclama que não há comunicação com o poder público nem com os proprietários do imóvel.

O auxílio que a família recebeu é insuficiente para o período que estão fora de casa, de acordo com Henrique. O homem conta que recebeu uma cesta básica e R$ 500 como auxílio financeiro, fornecidos pela Defesa Civil. “Enquanto eles continuarem empurrando com a barriga, quem fica sofrendo é a gente”, lamenta.

Para Maria Helena Duarte, 83, a maior preocupação é salvar os pertences com significado emocional de sua casa, que fica no entorno do prédio. A mulher passou boa parte de sua vida no local e conta que se sente mal em morar em outro lugar. Ela conta que a esperança é que, ainda que a casa tenha estrutura danificada, o Corpo de Bombeiros consiga tirar pelo menos alguns de seus objetos pessoais antes de iniciar a demolição.

No dia do desabamento, Helena estava em outra cidade e acompanhou a queda apenas pela televisão. “Na hora eu fiquei sem reação, não consegui sentir nada. Depois foi horrível, passei um bom tempo sem comer e não tirava aquilo da cabeça”, lembra.

Justiça

 

Em nota, o Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) reforça que, segundo a decisão da 7ª Vara da Fazenda Pública de Fortaleza, o prazo para a demolição do prédio termina nesta quinta-feira, 27, cinco dias úteis após a decisão, que é da última sexta-feira, 21.

Na última terça-feira, 25, ainda segundo o TJCE, os advogados dos proprietários entraram com uma petição para que seja ampliado o prazo da demolição. "No pedido, foi junta a Anotação de Responsabilidade Técnica (ART), no Conselho Regional de Engenharia (Crea), registrada no último dia 19, bem como contrato de demolição mecanizada e remoção dos entulhos do edifício, e a autorização para o seu início no dia 22 de junho. Os referidos documentos foram assinados por um dos proprietários do prédio, Arisol Parente Portela", informa o TJCE. O pedido ainda será analisado pelo juízo.

Defesa Civil

Também em nota, a Defesa Civil de Fortaleza diz que desde a ocorrência, "as equipes estão monitorando a área, conversando com a população e entregando material assistencial, como, cestas básicas, colchonetes, mantas e redes, de acordo com a necessidade de cada família". 

O órgão reforça que "em caso de qualquer risco, a população deve acionar a Defesa Civil por meio do 190". Há equipes disponíveis 24 horas.

Entenda o caso

Um prédio de quatro pavimentos desabou parcialmente no dia 2 de junho, na Maraponga. De acordo com informações do Corpo de Bombeiros, houve ruptura parcial das colunas de sustentação do edifício e 16 unidades residenciais foram evacuadas para inspeções no local. Além do prédio, 12 casas vizinhas ao local também foram interditadas.

Leonardo Maia/ ESPECIAL PARA O POVO