Acordo Mercosul-UE: Mais de 80% das exportações já serão isentos no início, diz CNI
Em 2024, segundo a CNI, a cada R$ 1 bilhão exportado do Brasil à UE foram criados 21,8 mil empregos e movimentados R$ 441,7 milhões em massa salarial e R$ 3,2 bilhões em produção
A assinatura do acordo entre Mercosul e União Europeia permitirá que o equivalente a 82,7% das exportações do Brasil para a UE passarão a ingressar no bloco sem tarifa de importação desde o início da vigência.
Por outro lado, o Brasil se comprometeu a zerar imediatamente tarifas de 15,1% das importações com origem na União Europeia.
O estudo da CNI mostra que 0,9% das exportações brasileiras ao bloco europeu terão que aguardar 10 anos para alcançar tarifa zero, enquanto 56,7% das importações brasileiras originárias do bloco europeu só terão suas tarifas eliminadas após 10 ou 15 anos.
Em 2024, segundo a CNI, a cada R$ 1 bilhão exportado do Brasil à UE foram criados 21,8 mil empregos e movimentados R$ 441,7 milhões em massa salarial e R$ 3,2 bilhões em produção.
A instituição avalia que, em relação ao setor agroindustrial, o acordo também traz resultados positivos. No caso da carne bovina, são mais do que o dobro das concedidas pela União Europeia a parceiros como o Canadá e mais de quatro vezes superiores às destinadas ao México. As cotas de arroz superam o volume atualmente exportado pelo Brasil ao bloco, ampliando o potencial de acesso ao mercado europeu, destaca a CNI.
Venezuela e Groenlândia: Questões diplomáticas no radar das discussões
A situação da Venezuela e Estados Unidos ameaçando Groenlândia não passam despercebidas na assinatura do acordo entre Mercosul e União Europeia.
Os presidentes da Argentina, Javier Milei, da Bolívia, Rodrigo Paz, e do Panamá, José Raúl Mulino, citaram o país vizinho durante os discursos que antecederam a firma do pacto entre os blocos econômicos.
Milei foi o primeiro a mencionar o país anteriormente comandado por Nicolás Maduro, capturado pelo governo dos Estados Unidos. O presidente argentino elogiou a ação de Donald Trump. "Valorizamos a decisão e a determinação", indicou após se referir a Maduro como narcoterrorista e ditador
A ponderação ocorreu após Milei sustentar que o "movimento em direção a liberdade e comércio é a base de qualquer integração regional genuína". Segundo ele, quando há erosão de instituições o resultado é o "isolamento, o empobrecimento e a perda de liberdade". "A situação que a Venezuela atravessa é amostra clara e dolorosa disso", indicou. "Assim, valorizamos a decisão e determinação demonstrada por Trump nas ações demonstradas na Venezuela", completou.
Já o presidente do Conselho Europeu, António Costa, afirmou que "se os direitos humanos são violados na Venezuela, devemos nos levantar para defender os direitos humanos na Venezuela".
O comentário ocorreu quando Costa foi questionado sobre as novas tarifas impostas pelo presidente Donald Trump a países europeus, como forma de pressionar um acordo para a "compra completa e total" da Groenlândia, território autônomo pertencente ao Reino da Dinamarca.
Costa afirmou que hoje não são necessários conflitos entre os países, mas sim cooperação e paz, e disse ser fundamental a defesa do direito internacional.
"Se queremos prosperidade, temos que abrir os mercados e não fechá-los. Temos que criar zonas de integração econômica e não aumentar as tarifas. O que podemos dizer é que a União Europeia será sempre muito firme na defesa do direito internacional, onde quer que seja, e, claro, começando no território dos Estados membros da União Europeia", afirmou.