Com mudanças na gestão, ações da Hapvida caem 8% nesta terça, 13
A empresa anunciou que Alain Benvenuti passará a exercer a função de vice-presidente Comercial da Companhia. Mercado reage com desconfiança
Resumo
Jaqueline Sena dedicará esforços à unidade de negócios de Odontologia
As ações da Hapvida caíram 8% após o anúncio
Mercado desconfia da capacidade da empresa em evitar perda de beneficiários e prevê alta taxa de cancelamento
A empresa busca reverter perdas e adaptar sua estratégia comercial, especialmente no Sudeste.
A Hapvida informou ao mercado financeiro que fará mudanças na administração da companhia. Alain Benvenuti, antigo vice-presidente de Operações (COO), exercerá a função de vice-presidente Comercial da companhia. Com o anúncio, as ações da empresa caíram 8% até às 13h desta terça-feira, 13.
Alterações na área comercial da operadora de saúde já vinham ocorrendo desde o ano passado, com o aviso, em outubro, da saída do Rafael Andrade do cargo, antes ocupado por Jaqueline Sena.
Outra modificação realizada na empresa foi a troca da Presidência em 2026, comunicada em dezembro, que passou do Jorge Pinheiro para o Luccas Augusto Addib, que antes cumpria o papel de vice-presidente de Finanças e Tecnologia.
Análise sobre a troca na gestão da Hapvida e a reação do mercado
Na análise de Ricardo Trevisan, CEO da Gravus Capital, o mercado financeiro reagiu com forte desconfiança ao “mexe-mexe” na gestão da Hapvida.
Para ele, a queda de 8% nas ações reflete uma combinação de fatores que vão além de uma simples troca de executivos.
“A questão central é a frustração dos investidores com a incapacidade da companhia de estancar a sangria operacional, especialmente a perda de beneficiários e o alto churn (taxa de cancelamento)”, frisou.
Trevisan acrescenta que a volta de Alain Benvenuti à Vice-Presidência Comercial, um executivo com quase 10 anos de casa, é vista com ceticismo.
“Embora ele conheça a empresa profundamente, o mercado esperava sangue novo, um profissional de fora com experiência no competitivo mercado de São Paulo, que possui dinâmicas de relacionamento com corretores muito diferentes das do Nordeste, onde a Hapvida tem uma posição dominante. A percepção é que a companhia insiste em uma fórmula que não tem se provado eficaz para a expansão nacional.”
Do ponto de vista de liquidez e negociação, continua o especialista, a ação (HAPV3) tem volume para negociação, mas a volatilidade é altíssima.
A queda de mais de 90% desde o pico de valor de mercado, conforme Trevisan, mostra que a confiança foi severamente abalada.
“A empresa precisa, urgentemente, apresentar um plano crível para reverter as perdas de clientes e adaptar sua estratégia comercial à realidade de cada praça, especialmente no Sudeste. Enquanto a gestão não demonstrar resultados concretos nesse sentido, a desconfiança e a pressão vendedora sobre os papéis devem continuar.”
Conheça quem será o novo vice-presidente comercial da Hapvida
Alain atua na Hapvida desde 2017. Na empresa, assumiu a vice-presidência de Operações, tendo liderado a expansão e a integração operacional da rede própria em diversas regiões do Brasil.
“Nesse período, (Alain) teve participação direta em projetos de abertura e consolidação de hospitais, prontos atendimentos e unidades ambulatoriais, além de iniciativas de melhoria contínua em qualidade assistencial e produtividade”, destacou a companhia.
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Jaqueline Sena terá papel fundamental na consolidação o setor odontológico da Hapvida
Outro ponto informado pela Hapvida, nesta terça-feira, foi que a Jaqueline Sena, devido a sua experiência no mercado de saúde suplementar, passará a se dedicar à unidade de negócios de Odontologia. O objetivo, segundo o informado, é de que esse setor se torne um dos pilares relevantes da empresa.
“Jaqueline seguirá priorizando a expansão sustentável da carteira, o fortalecimento da rede de prestadores e a integração dos planos odontológicos à oferta médico-hospitalar, ampliando o acesso e a relevância dessa linha de negócios dentro do grupo”, comunicou.
Crise em novembro
Em novembro, a empresa despencou R$ 7 bilhões no pregão, após o mercado financeiro considerar o balanço do 3º trimestre da empresa fraco. A queda só não foi maior em razão da aprovação de recompra de até 70 milhões de ações nos próximos 18 meses para contornar a crise.
O motivo do desempenho na bolsa de valores, segundo indicam os especialistas, está nos resultados financeiros apresentados pela Hapvida. A operadora de planos de saúde registrou lucro líquido de R$ 148,9 milhões no segundo trimestre deste ano, queda de 64,2% em relação à igual período do ano passado.
Com ajustes, o lucro somou R$ 299,3 milhões no período. No acumulado do ano, até junho, a companhia obteve lucro líquido de R$ 565,3 milhões, queda de 42,6% em base anual de comparação.
Com Armando de Oliveira Lima
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