Ministro do Trabalho descarta escala 4x3 no Brasil para 2026

Ao prometer fim da escala 6x1, ministro do Trabalho descarta escala 4x3

Modelos de redução da jornada de trabalho são debatidas no Congresso e Luiz Marinho defende sair de 44h semanais para 40h ainda neste ano

O fim da escala 6x1, de seis dias de trabalho por um de folga, sem alteração dos salários é uma prioridade para o governo Lula em 2026, segundo afirmou o ministro Luiz Marinho (Trabalho e Emprego) na manhã desta quarta-feira, dia, 7, no programa Bom Dia, Ministro. Ele, no entanto, descartou a adoção da escala 4x3 em resposta ao O POVO.

"Esse debate sobre a escala 6x1 é importante e isto está colocado pelo governo. A 4x3 não está anunciada pelo governo. O que nós estamos fazendo é a redução da jornada máxima, que hoje é 44 horas. Enxergo que tem toda a possibilidade imediatamente para as 40 horas semanais. Isso é o essencial. Eu não vejo que o Brasil pode caminhar rapidamente para 36 horas semanais. Queria aqui também trazer tranquilidade ao mundo empresarial", ressaltou.

A menção aos empresários feita por ele se deve a manifestações contrárias à redução da jornada feita por entidades empresariais de todo o País.

O modelo 4x3 já foi objeto da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 148/2015, do senador Paulo Paim (PT-RS), com a proposta de reduzir o limite semanal de 44 para 36 horas, na escala de trabalho 4x3 e sem redução no salário.

Já a justificativa para quem é contrário à proposta aponta a necessidade de aumento da produtividade para manter o ritmo da economia, o que, segundo eles, a menor carga horária compromete esse objetivo.

Mas Marinho reforçou que o modelo 6x1 "é o mais cruel em todo em todo o território global, em especial para as mulheres" e pediu sensibilidade aos empresários "principalmente da área do comércio, de serviço e da indústria", para pensar na redução da jornada de trabalho como uma "harmonização do ambiente de trabalho".

E reforçou: "Falar de 44 para 36 horas numa tacada só, eu acho que não seria sustentável do ponto de vista imediato. Evidentemente, que o futuro, como diz o ditado, a Deus pertence e é possível em algum momento sonhar com isso, mas não é a realidade do momento. A realidade do momento é caminhar para a jornada máxima para 40 horas semanais e fim da 6x1, portanto 5x2".

Ano de eleição é oportunidade

Perguntado se o ano de 2026, com eleições estaduais e federais, pode comprometer esta a aprovação do fim da escala 6x1, o ministro do Trabalho e Emprego afirmou que enxerga os pleitos como "uma oportunidade" para aprovar uma nova escala.

"Muita gente vê como uma contradição. Eu vejo como uma possível oportunidade. Evidente que eu chamo a atenção dos trabalhadores e trabalhadoras para necessidade do processo de mobilização e participação ativa desse processo, junto aos seus sindicatos, junto às centrais sindicais, junto aos parlamentares do seu respectivo estado, porque esse processo pede participação", observou.

Marinho disse que o diálogo entre os trabalhadores e patrões via convenções coletivas podem acertar os detalhes da redução da jornada mantendo as necessidades de cada empresas atendidas.

O ministro comparou a proposta à ampliação da isenção do imposto de renda para os contribuintes que recebem até R$ 5 mil mensais, a qual contou com a mobilização popular sobre os parlamentares para a aprovação do projeto e sanção pelo presidente Lula.

Histórico do debate

A discussão sobre a redução da jornada de trabalho para contratados no regime CLT tomou força há três anos, quando a deputada Erika Hilton (PSOL-RJ) e foi adotada pelo Governo Federal como uma das promessas de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para 2026.

Um novo modelo de jornada de trabalho já foi defendido pelos ministros Guilherme Boulos (Secretaria-Geral da Presidência) e Gleisi Hoffmann (Secretaria de Relações Institucionais) como uma bandeira importante para o governo Lula, especialmente no ano eleitoral.

"É plenamente possível fazer, é plenamente possível dizer a toda atividade Econômica do Brasil, que é possível você acabar com a 6x1 mantendo as necessidades econômicas do país", afirmou Luiz Marinho.

Fim da escala 6x1: autor da proposta no Senado, Paulo Paim (PT-RS) avalia tramitação | O POVO NEWS

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