Refinaria de Petróleo do Pecém na mira de companhias asiáticas
Alvo de R$ 5 bilhões em investimento, o empreendimento a ser instalado no Ceará aguarda a emissão da licença de instalação para definir a composição acionária do projeto
A Refinaria de Petróleo do Pecém (RPP) tem na emissão da licença de instalação, cuja expectativa é sair em janeiro de 2026, a possibilidade de ter uma nova composição acionária, com investidores asiáticos interessados e até assumir o controle do empreendimento.
O investimento previsto de R$ 5 bilhões, atualmente, conta com o Banco do Nordeste e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) os principais financiadores brasileiros, mas há também tratativas com bancos asiáticos e europeus, segundo conta Márcio Dutra, diretor executivo da Noxis Energy.
A empresa que ele representa é responsável pelo projeto e formada pelo Grupo Eitan Aizenberg, de Israel, e pela Ariel Participações, formada por investidores brasileiros e estrangeiros.
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"Existem ainda companhias brasileiras e asiáticas que entrariam como sócias, provavelmente, majoritárias. A gente destrava a modelagem logo que saia a licença de instalação", afirmou em entrevista exclusiva ao O POVO.
Quais são as companhias e os bancos internacionais, Dutra disse não poder revelar por questões contratuais, que mantém os dados dos envolvidos em sigilo e protegem os interesses de todos até a confirmação ou não do negócio.
Prazos
De posse da licença prévia desde 2023, a Noxis deu entrada no pedido da LI em outubro de 2024. O processo de licenciamento ambiental do projeto é conduzido pela Superintendência Estadual do Meio Ambiente do Ceará (Semace), após aprovação do projeto pelo Conselho Estadual do Meio Ambiente do Ceará (Coema).
Com a LI, Dutra conta que a empresa deve dar início aos trabalhos de supressão vegetal e terraplanagem dos 106,6 hectares de área reservados na Área 2 da Zona de Processamento de Exportação (ZPE) do Ceará. Em seguida, são iniciadas as obras civis da refinaria.
A construção completa leva cerca de 36 meses, o prazo previsto por ele para a emissão da licença de operação. Assim, o funcionamento da RPP está previsto para 2028, segundo o executivo.
"A Refinaria traz a possibilidade de independência energética para o Estado do Ceará", diz, ciente de que a captação deste tipo de empreendimento é um interesse antigo do Estado, o qual já teve um projeto negociado com a Petrobras e o Governo Federal cancelado na década passada, após de desapropriações e investimentos por parte do governo cearense.
Produção
Estrategicamente pensada para o Pecém, a refinaria faz parte de um complexo. Apenas a refinaria, inclusive, é alvo de R$ 2 bilhões do valor total dos recursos captados pela Noxis. Projetado desde 2022, o empreendimento é um de três projetos que a empresa desenvolve no Brasil. Os outros dois estão localizados em Barra dos Coqueiros (SE) e Ilhéus (BA).
A capacidade de produção estimada é de até 100 mil barris de combustível por dia, dos quais 80% serão destinados para transporte marítimo e 20% para transporte veicular e gás de cozinha (GLP). Quanto a esse último produto, a estimativa dos investidores é suprir até 50% da demanda do Estado.
Também estão nos planos da RPP a produção de bioquerosene de aviação (SAF) e metanol. "É uma refinaria moderna, com as tecnologias mais atualizadas do mundo e conectada com o futuro da transição energética", arremata Dutra.