FNE 2026: Orçamento recorde prioriza pequenos e Ceará garante R$ 7 bi

FNE 2026: Orçamento recorde prioriza pequenos e Ceará garante R$ 7 bi

O Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE) aprovou R$ 52,6 bilhões para 2026, um crescimento de 11,1%, com 62% focados em microempresas e pequenos produtores

O Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE) terá um orçamento recorde de R$ 52,6 bilhões para o ano de 2026. Este valor representa um crescimento de 11,1% em relação à meta estabelecida para 2025.

O plano de investimentos do fundo foi aprovado durante a 36ª reunião ordinária do Conselho Deliberativo da Sudene (Condel), presidida pelo secretário-executivo do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, Valder Ribeiro.

De acordo com o governo federal, a aprovação deste orçamento reforça o compromisso institucional com a execução das diretrizes da Política Nacional de Desenvolvimento Regional (PNDR), promovendo a geração de renda e criando oportunidades de crescimento econômico para frentes prioritárias.

Segundo o superintendente da Sudene, Francisco Alexandre, o foco agora está na implementação. “Temos a missão de acompanhar o plano de ação que diz respeito ao FNE, para fazer o Nordeste crescer mais, com a perspectiva de melhorar ainda mais no ano que vem”, ressaltou.

Para garantir que o crédito chegue à base produtiva, que é considerada prioritária, 62% dos recursos, o equivalente a R$ 32,6 bilhões, serão direcionados aos pequenos produtores rurais, microempreendedores e empresas de pequeno porte.

A quantia, a maior já registrada na história do fundo para esses setores, consolida o apoio à base produtiva regional, cuja participação saltou de 51,2% de participação em 2022 para o patamar atual. Em contrapartida, os empreendimentos de médio e grande porte, classificados como não prioritários, terão à disposição R$ 20 bilhões (38%).

Entre as prioridades de financiamento, destaca-se a agricultura familiar, que ganha protagonismo através do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). O programa é a maior linha de crédito do FNE para 2026, com uma reserva de R$ 11,69 bilhões.

Esse valor corresponde a 22,2% de todo o orçamento do fundo, ressaltando o compromisso com a segurança alimentar, dignidade e inovação no campo. Em complementaridade, o FNE Rural representa a segunda maior fatia do orçamento (14,5%), e vai dispor de R$ 7,60 bilhões para o próximo exercício.

Ainda segundo o governo federal, um ponto de destaque na reunião do Condel foi a eficiência financeira do FNE. O fundo está alcançando um alto grau de sustentabilidade, passando a depender menos de novos aportes da União e mais do retorno de seus próprios investimentos. Enquanto os repasses do Tesouro Nacional (STN) cresceram 69,2% desde 2022, os reembolsos líquidos dispararam 144,1% no mesmo período, garantindo fôlego para novas operações.

Posição do Ceará na Distribuição de Recursos

A estratégia de distribuição para 2026 foca na manutenção do equilíbrio e equidade entre os estados beneficiados pelo Fundo Constitucional. Segundo o superintendente de políticas do Banco do Nordeste (BNB), Irenaldo Rubens, todos os estados tiveram o mesmo crescimento de 11% na disposição de recursos do FNE.

Na distribuição total do orçamento, que inclui áreas do semiárido em Minas Gerais e Espírito Santo, a Bahia (R$ 11,09 bilhões) se posiciona como o estado com a maior fatia, seguido pelo Ceará (R$ 7,01 bilhões). A estratégia para 2026 foca na manutenção do equilíbrio entre os estados beneficiados pelo fundo. Segundo o superintendente de políticas do Banco do Nordeste (BNB), Irenaldo Rubens, a proposta da Sudene foi manter a equidade na distribuição. "A Sudene propôs fazer a mesma proporção de recursos do ano passado. Todos os estados tiveram 11% de crescimento na disposição de recursos do FNE", explicou durante a apresentação dos dados.

Confira a distribuição dos recursos do FNE para 2026 - incluindo áreas do semiárido em Minas Gerais e Espírito Santo:

  • Bahia R$ 11,09 bilhões (21,1%)
  • Ceará R$ 7,01 bilhões (13,4%)
  • Pernambuco R$ 6,27 bilhões (11,9%)
  • Maranhão R$ 5,57 bilhões (10,6%)
  • Piauí R$ 5,12 bilhões (9,8%)
  • Rio Grande do Norte R$ 3,70 bilhões (7,0%)
  • Paraíba R$ 3,65 bilhões (7,0%)
  • Minas Gerais R$ 3,19 bilhões (6,1%)
  • Alagoas R$ 2,82 bilhões (5,4%)
  • Sergipe R$ 2,76 bilhões (5,3%)
  • Espírito Santo R$ 1,32 bilhões (2,5%)

Distribuição por Setor

No recorte por setores, a Pecuária mantém a liderança com R$ 12,4 bilhões. Contudo, a Agricultura é o setor que mais cresce nominalmente, com um incremento de R$ 1,4 bilhão, atingindo R$ 10,4 bilhões. Infraestrutura e Indústria mantêm a mesma participação percentual no fundo, com orçamentos de R$ 10,5 bilhões e R$ 6,3 bilhões, respectivamente.

Como resultado, o orçamento recorde e a distribuição estratégica dos recursos reforçam o papel do FNE como instrumento central para impulsionar o desenvolvimento equilibrado do Nordeste, ampliando o acesso ao crédito, fortalecendo atividades produtivas sustentáveis e criando bases mais sólidas para o crescimento econômico e social da região em 2026. (Com informações da Agência Brasil)

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