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Economia
NOTÍCIA

Mais de duas mil empresas do comércio e serviços fecharam durante pandemia

O setor de comércio de rua, no entanto, já apresenta sinais de recuperação. As vendas para julho deste ano já se assemelham ao mesmo período do ano ano passado

Leonardo Maia
13:30 | 28/07/2020
A conversa, de cerca de 1 hora, faz parte da iniciativa O POVO Quer Saber. (Foto: Reprodução/Youtube)
A conversa, de cerca de 1 hora, faz parte da iniciativa O POVO Quer Saber. (Foto: Reprodução/Youtube)

Atualizado às 18h45

O total de 2.043 empresas dos setores de comércio e serviços fecharam no Ceará desde o início da pandemia, conforme disse Assis Cavalcante, presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Fortaleza (CDL de Fortaleza), em entrevista ao programa O POVO Quer Saber desta terça-feira, 28. Segundo dados da Junta Comercial do Estado do Ceará (Jucec), do total, 1.003 registros de baixa foram realizados por empresas do setor de serviços, o que representa praticamente metade do total. Assis acrescenta que os 78 dias em que boa parte das empresas passaram sem funcionamento foram difíceis, especialmente para os pequenos comerciantes do Centro de Fortaleza.

O presidente da CDL Fortaleza pondera, por outro lado, que o comércio de rua da Capital já retomou significativamente o valor de vendas desde a retomada das atividades prevista no plano do Governo. O volume de vendas em julho está se assemelhando ao que foi comercializado no mesmo período do ano passado. “No primeiro momento, eu me rebelei muito nas reuniões com o Governo do Estado, mas depois fui vendo que as decisões estavam sendo tomadas baseadas no conhecimento científico e realmente faziam sentido”, explicou.

As afirmações foram realizadas no segundo programa da edição de 2020 do programa O POVO Quer Saber, ontem, analisando a importância dos pequenos negócios para a Economia. A jornalista Maísa Vasconcelos mediou o debate, que ainda contou com a participação do diretor-técnico do Serviço de Apoio às Micros e Pequenas Empresas do Ceará (Sebrae-CE), Alci Porto, e do repórter de Economia do O POVO, Samuel Pimentel. A 14ª edição do programa prossegue até sexta-feira, 31, das 11h às 12h na rádio O POVO CBN 95.5 com transmissão simultânea no Facebook O POVO CBN.

 

Alci Porto, lembra que o momento da pandemia também tem sido útil para que os empreendedores modernizem seus negócios e busquem capacitação para se inserir no meio digital. Por meio do site oficial do Sebrae, é possível acessar gratuitamente conteúdos sobre atuação digital, assim como dicas para se adequar aos protocolos sanitários da flexibilização econômica. Consultores ainda estão disponíveis para prestar atendimento individual. iniciativas como o SebraeTec vem realizando esse tipo de atendimento e mais de 70 mil empreendedores foram atendidos pelos programas e cursos da instituição durante esse período de crise.

“O empreendedor precisa ver que o consumidor está mudando e que também é necessário que ele se adapte. Creio que o pior já passamos, tivemos que enfrentar uma situação muito difícil, mas agora vamos começar a voltar a normalidade, seguindo as normas de segurança”, defendeu o especialista.

Os convidados ainda relatam que a retomada tem sido positiva, mas ainda não é possível prever quando a pujança de atividade pré-crise deva ser novamente alcançada, assim como a retomada dos empregos perdidas por causa da crise. Na opinião de Assis e Alci, iniciativas como a campanha "Compre do Ceará", que promove entre os cearenses a consciência de preferir produtos locais, são positivas e se juntam a outros planos como o "Compre do Pequeno", que promove os produtos e serviços oferecidos por micros e pequenas empresas.

Recursos para empreendedores não foram bem coordenados, reclama CDL

Assis Cavalcante reclamou que os recursos enviados pelo Governo Federal para sustentar a saúde financeira das empresas se esgotaram rapidamente. “Os bancos não estavam preparados e nem tinham interesse para fazer um número imenso de negócios com uma taxa pequena de juros”, lamentou.

A válvula de escape para os pequenos empreendedores, segundo ele, aconteceu através do Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe), que virou lei há pouco mais de dois meses, por meio da Lei 13.999/2020. Parlamentares apresentaram, inclusive, nessa segunda-feira, 27, projetos de lei que têm por objetivo ampliar o Pronampe, de acordo com a Agência Senado. (Colaborou Samuel Pimentel)