Primeira tempestade solar 'extrema' em 20 anos causa auroras polares espetaculares

Nesta sexta-feira, as redes sociais foram inundadas com fotos de auroras. A maior tempestade solar registrada é o "evento de Carrington", de 1859

A tempestade solar mais poderosa em mais de duas décadas atingiu a Terra nesta sexta-feira, 10, provocando auroras polares espetaculares e ameaçando possíveis interrupções em satélites e redes elétricas enquanto persistir durante o final de semana.

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A primeira de várias ejeções de massa coronal (CMEs, na sigla em inglês), grandes emissões de plasma e campos magnéticos do Sol, ocorreu pouco depois das 16h GMT (11h de Brasília), de acordo com a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA).

Mais tarde, a NOAA categorizou a tempestade geomagnética como "extrema", a primeira desde que em outubro de 2003 várias delas causaram apagões na Suécia e danos na infraestrutura energética na África do Sul.

Espera-se que mais CMEs atinjam o planeta nos próximos dias.

Nesta sexta-feira, as redes sociais foram inundadas com fotos de auroras capturadas no norte da Europa e na Australásia. "Acabamos de acordar as crianças para verem a aurora boreal no quintal! Está claramente visível", disse à AFP Iain Mansfield, membro de um centro de estudos em Hertford, no Reino Unido.

Outros, como o fotógrafo Sean O' Riordan, relataram na rede X fotografias de "céus absolutamente bíblicos na Tasmânia às 4h da manhã".

Tempestades solares afetam o campo magnético da Terra

As autoridades pediram aos operadores de satélites, companhias aéreas e responsáveis pelas redes elétricas que tomassem medidas de precaução contra possíveis perturbações causadas por mudanças no campo magnético da Terra.

A Administração Federal de Aviação (FAA) dos Estados Unidos, no entanto, disse que "não antecipa nenhum impacto significativo no sistema de espaço aéreo do país".

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Ao contrário das erupções solares, que viajam à velocidade da luz e são capazes de alcançar a Terra em oito minutos, as CMEs viajam a um ritmo mais lento, de 800 km por segundo.

Os meteorologistas esperam poder precisar melhor o impacto que terão quando estiverem a uma distância de 1,6 milhão de quilômetros.

Os campos magnéticos associados às tempestades geomagnéticas induzem correntes nos condutores longos, incluindo os cabos de energia, o que pode provocar apagões.

Também podem ocorrer impactos na comunicação por rádio de alta frequência, GPS, em naves espaciais e satélites.

Até mesmo pombos e outras espécies que possuem bússolas biológicas podem ser afetados.

Tempestade solar traz auroras polares para a Terra

Mas também podem trazer outros efeitos, como a aparição de auroras polares - conhecidas como auroras boreais ou austrais, dependendo do hemisfério - em lugares onde normalmente não são visíveis.

Mathew Owens, professor de física espacial na Universidade de Reading, disse à AFP que os efeitos serão sentidos principalmente nas latitudes norte e sul do planeta. O alcance exato dependerá da força final da tempestade.

"O norte do Canadá, a Escócia e lugares desse tipo terão boas auroras; acredito que podemos afirmar isso com segurança", afirmou, acrescentando que a situação pode se repetir no hemisfério sul.

"Meu conselho é que saiam esta noite e olhem, porque se virem a aurora, é algo espetacular", continuou.

Nos Estados Unidos, esse fenômeno poderia ser observado na região mais ao norte de estados como Califórnia e Alabama.

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Brent Gordon, dos serviços meteorológicos espaciais da NOAA, sugere que as pessoas tentem tirar fotografias noturnas com seus celulares, mesmo que a aurora não seja visível a olho nu. "Você se surpreenderia com o que pode ser visto na fot capturada com os celulares mais modernos", afirmou.

As autoridades recomendam à população que siga as medidas padrões diante de possíveis apagões, como ter em mãos lanternas, baterias e rádios meteorológicos.

A maior tempestade solar registrada é o "evento de Carrington", de 1859: destruiu a rede telegráfica nos Estados Unidos, provocou descargas elétricas e a aurora boreal foi visível em latitudes inéditas, até a América Central.

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