Adolescente autista é agredido com socos e chutes dentro de escola em Maracanaú

Adolescente autista é agredido com socos e chutes dentro de escola em Maracanaú

O garoto tem autismo com grau de suporte 2 e TOD. Caso aconteceu na sexta-feira, 12, onde o menino foi agredido com socos, chutes e empurrões
Atualizado às Autor Bárbara Mirele Tipo Notícia

Dias após a lei que torna comportamentos discriminatórios contra pessoas que possuem o Transtorno do Espectro Autista (TEA), um jovem autista de 14 anos foi agredido na escola EMEIEF Senador Carlos Jereissati, no Maracanaú, na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF).

O garoto tem autismo com grau de suporte 2 e Transtorno Opositor Desafiador (TOD). Caso aconteceu na sexta-feira, 12, onde o menino foi agredido com socos, chutes e empurrões.

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“Ele não tinha amigos na escola”, diz mãe de garoto agredido

A enfermeira Regina Cláudia Gadelha Mourão, 52, mãe do jovem agredido, disse que o filho passou a semana inteira preocupado com uma apresentação da feira de ciências que haveria na escola.

“Ele estava sozinho, não tinha grupo. Ele já dizia que era excluído, que não tinha amigos na escola. Fiquei ajudando na realização desse trabalho e ele foi feliz porque ia apresentar a feira de ciências”, relata.

Após o evento escolar, Regina conta que o filho voltou alterado para casa, porém não lhe disse o motivo. “Ele só disse para mim que estava com fome e não falou mais nada”.

À noite, a enfermeira foi para o trabalho e um pouco depois da meia-noite recebeu uma mensagem do filho, que dizia sentir muita dor e que havia sido agredido.

“Foi quando ele me enviou o vídeo. E eu ali no trabalho longe do meu filho, ele [sendo] agredido, machucado, e [eu] sem poder estar do lado dele”, relembra.

A mãe do jovem conta que ainda na madrugada enviou o vídeo do filho sendo agredido à coordenadora da escola: “Quando foi pela mãe, ela me disse que iria na escola e pediu que eu fosse com ela”, conta.

Regina pediu que o pai do jovem comparecesse à reunião, que também contou com a presença da mãe do aluno que agrediu o jovem. “Ela já tinha conversado com o filho sobre esse comportamento agressivo. A escola disse que o menino ia ser suspenso e mudado de turno.

Jovem autista não tinha acompanhante na sala de aula

Devido à condição de saúde do filho, Regina alega que é necessário que ele tenha um acompanhante em sala de aula. A escola, porém, afirmou que apenas em casos de crianças não verbais seria autorizado um acompanhante.

“Ele é acompanhado por psiquiatra e neurologista, faz terapias. Mas uma pessoa da secretaria da escola, que foi até um pouco rude comigo, disse que o mediador é só para crianças que não falam”.

Regina argumentou que o jovem não poderia ficar sem supervisão, já que toma medicamentos e fica sonolento. “Ele vai ficar totalmente alheio e não vai ter ninguém para acompanhá-lo. A coordenadora havia me ligado outras vezes dizendo que ele tinha ido ao banheiro e se sujado para voltar para casa”.

“A gente manda o filho da gente para a escola e não tem segurança, não tem quem olhe por eles. Ele foi brutalmente agredido dentro da sala de aula e não tinha professor, não tinha ninguém, só tinham os alunos que filmavam”, lamentou a enfermeira.

Após as agressões, a mãe do jovem registrou um Boletim de Ocorrência (B.O), e realizou um exame de corpo de delito na Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce). “Amanhã vamos ao Conselho Tutelar e também ao Ministério Público (MPCE)”, afirma.

“Nossa luta não é só pelo meu filho ou minha família, mas por todas as mães e crianças atípicas do município. A gente não precisa de passeata ou sessão solene, a gente precisa de segurança para os nossos filhos na escola. A gente precisa de mediador e terapia”, clamou Regina Gadelha.

Conforme a Lei 12.764/12, que institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista, em casos que fique comprovada necessidade, crianças autistas matriculadas em escolas regulares têm direito a um Acompanhante Especializado (AE).

E o decreto 8.368/14, complementa a constituição ao estabelecer que o acompanhante especializado deve oferecer apoio às atividades de comunicação, interação social, locomoção, alimentação e cuidados pessoais. Portanto, o profissional desempenha tanto o papel de mediador educacional quanto de cuidador.

O POVO tentou contato com a Secretaria de Educação de Maracanaú, para saber quais medidas serão adotadas, além da suspensão e troca de turno do aluno que agrediu o jovem. Em resposta, a pasta lamentou o acontecido entre os dois alunos na Escola Senador Carlos Jereissaiti, e destacou que a escola é um ambiente que deve ser pautado pelo respeito e pela aprendizagem.

"A gestão escolar dialogou com os pais e o aluno que teve a conduta inadequada foi suspenso. Os fatos estão sendo devidamente apurados e as medidas cabíveis serão adotadas. Até a sexta-feira, 19, de dezembro, toda a ocorrência será protocolada junto ao Conselho Tutelar para as providências necessárias", diz a nota.

Além disso, os estudantes e as famílias receberão acompanhamento de assistente social e atendimento psicológico.

Veja o vídeo da agressão

 

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