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Após rompimento de dique em Orós, agricultores relatam ausência de respostas da Cogerh

Presidente da Associação do Distrito de Irrigação Icó-Lima Campos (Adicol), Francisco Canindé, afirma que há meses solicitava a liberação das águas à Cogerh. Companhia afirma que comunicou sobre a impossibilidade de dar vazão ao açude ainda junho

Lillian Santos
16:05 | 13/06/2020
Moradores de Icó romperam um dique do açude Orós, na quinta-feira, 11, para transferir água para o reservatório Lima Campos (Foto: DIVULGAÇÃO/ Comitê do Alto Jaguaribe)
Moradores de Icó romperam um dique do açude Orós, na quinta-feira, 11, para transferir água para o reservatório Lima Campos (Foto: DIVULGAÇÃO/ Comitê do Alto Jaguaribe)

A falta de água para o consumo próprio, para irrigação de plantações e também criação de animais motivou os moradores de Icó a romperem o dique do açude de Orós. Na tentativa de transferir água para o reservatório de Lima Campos, em Icó, as comunidades da região se reuniram na manhã da última quinta-feira, 11, para dar vazão às águas do açude.

Os agricultores da região relatam que há meses solicitaram à Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh) a liberação de água no açude de Orós e nunca obtiveram resposta. Presidente da Associação do Distrito de Irrigação Icó-Lima Campos (Adicol), Francisco Canindé Pereira de Sousa, conta que aguardava uma resposta sobre o escoamento das águas pela Cogerh há mais de um mês.

Leia maisPor água para irrigação, moradores rompem dique do Orós

Tem mais de 30 dias que enviamos uma solicitação para o Comitê de Bacias Hidrográficas e para a Cogerh para que ligassem o bombeamento e, assim, poder atender a população. Não conseguia marcar uma reunião e também não tive respostas.”, relembra. Canindé explica que, com as chuvas de inverno abaixo da média, a maioria das plantações foi perdida. As que restaram correm risco de morrerem devido a falta de água. 

De acordo com o gerente regional da Cogerh de Iguatu, Anatarino Torres, os agricultores não conseguiram esperar até julho para que o aumento da vazão do açude fosse liberada. "A gente já tinha dito para eles que no momento, no começo de junho, não era possível aumentar essas vazões. A única vazão que a gente já está mandando para o riacho seria aquela suficiente para o abastecimento das comunidades e distritos da região", explica o gerente regional em entrevista ao O POVO.

O presidente da Adicol informa que, mesmo após os atos de quinta, não haviam entrado em contato com ele para mais explicações até o momento. "Eles soltaram uma nota dizendo que vão antecipar as reuniões, mas não tem nada confirmado. Oficialmente não entraram em contato comigo", finaliza Canindé.

Em nota, a Cogerh repudia as ações dos moradores. 

Confira trechos da nota divulgada pela Companhia:

"A atitude, além de precipitada, vai de encontro a todas decisões acordadas durante a Alocação Negociada de Águas, processo por meio do qual se decide, democraticamente, por voto direto dos membros dos comitês de bacia (ou seja, da sociedade civil organizada), a destinação da água acumulada.

Foram repassados recursos da Cogerh para que a Sohidra perfurasse e instalasse poços em todas as comunidades do perímetro. Todo o sistema de bombeamento do Sistema Orós-Lima Campos foi recuperado para atender a Cidade de Icó, o Distrito de Lima Campos, e para garantir o atendimento à pecuária do perímetro.

O diálogo foi mantido aberto e franco com os gestores da Adicol. A atitude de membros da entidade chega a ser desrespeitosa com os encaminhamentos dos Comitês da Bacia do Salgado e da Bacia do Alto Jaguaribe e com as negociações em andamento com a Cogerh.

Medidas legais estão sendo estudadas por parte da Cogerh e SRH. Não há como transigir com atitudes impensadas e/ou irresponsáveis."

Para ler a nota completa, acesse aqui

 

Colaborou Ismia Kariny