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Moradores rompem dique do Orós para transferir água para o açude Lima Campos em Icó

De acordo com o gerente regional da Cogerh, Anatarino Torres, os agricultores não conseguiram esperar até julho para que o aumento da vazão do açude fosse liberada

Ismia Kariny
15:30 | 12/06/2020
Moradores romperam um dique do açude Orós para transferir água para o reservatório Lima Campos, em Icó (Foto: DIVULGAÇÃO/ Comitê do Alto Jaguaribe)
Moradores romperam um dique do açude Orós para transferir água para o reservatório Lima Campos, em Icó (Foto: DIVULGAÇÃO/ Comitê do Alto Jaguaribe)

Moradores se reuniram e romperam dique do açude Orós em tentativa de transferir água para o reservatório Lima Campos, em Icó. A iniciativa foi feita por comunidades que trabalham no setor de irrigação, entre as regiões dos reservatórios, segundo relata o gerente regional da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh) de Iguatu, Anatarino Torres. O dique foi rompido na manhã da quinta-feira, 11.

De acordo com Anatarino, desde que acabou o período de chuvas no Ceará, a comunidade de irrigantes passou a demandar o aumento no abastecimento de água do açude. No entanto, essa vazão maior só poderia ser liberada por alocações da Cogerh, após reuniões com o Comitê de Bacias do Alto Jaguaribe.

“A gente já tinha dito para eles que no momento, no começo de junho, não era possível aumentar essas vazões. A única vazão que a gente já está mandando para o riacho seria aquela suficiente para o abastecimento das comunidades e distritos da região”, explica o gerente regional. Conforme Anatarino, a liberação estava prevista para a primeira quinzena de julho: “Eles não tiveram a paciência de esperar essas deliberações”.

Esse processo de alocação das águas dos reservatórios começa após o fim da quadra chuvosa. No caso do Orós, já foram realizadas reuniões com participação dos comitês do Vale do Jaguaribe, responsáveis por deliberar as macro vazões dos três principais reservatórios do Ceará, o Orós, o Castanhão e o Banabuiú. São eles os comitês do Baixo, Médio e Alto Jaguaribe; e também os comitês do Banabuiú e do Salgado.

Transferência da água por gravidade só foi possível devido ao aumento na cota registrada no Orós

Com o rompimento de cerca de um metro do dique de contenção do Orós, a água passou a adentrar para o limite do açude Lima Campos. Essa transição levantou o debate sobre a forma de abastecimento do canal, que só era possível por meio de bombeamento da água. No entanto, após romper a parede que separa os açudes, os agricultores perceberam que a água entrava de forma natural, sem necessidade do sistema que a bombeia.

De acordo com o gerente regional da Cogerh, desde 2016, quando a cota do reservatório ficou abaixo do limite gravitacional, a água só poderia ser transferida por meio do sistema de bombeamento. Mas se o volume de água aumenta e passa da cota 190 m, é possível ocorrer a vazão por meio de gravidade, um processo de transferência natural. “Chegou um momento em 2016 que o açude chegou abaixo da cota 191 e a Cogerh teve que montar um grande sistema de bombeamento para pegar a água do Orós e jogar para dentro do túnel”, recorda Anatarino.

Ele lembra que toda a região do túnel do Orós-Lima Campos compreende uma extensão do Orós que é mais limitada em cota e volume de água que o reservatório consegue enviar. Mas por causa da estação chuvosa, desde o início do ano até esta semana, o açude ganhou cerca de 11 metros de diferença na cota, o que contribuiu para a entrada da água no Lima Campos, após o rompimento do dique.

“Mas isso é uma coisa paliativa e momentânea, porque daqui para a frente o reservatório vai baixar. E quando baixar nas próximas semanas a água não vai mais entrar por gravidade; o limite entre a água do Orós para o túnel é muito pequena”, esclarece Anatarino. No início do ano, o Orós estava com cota de 179,43 m e volume 101,23 milhões de m³, ou seja 5,19% da sua capacidade. Já nesta sexta-feira, 12, o açude registra 28,3% em nível de água, com a cota 190,94 m e o volume de 543,82 milhões de m³.

O diretor de Operações da Cogerh, Bruno Rebouças, destacou que as reuniões prévias com o Comitê já haviam contemplado as demandas dos agricultores, e pontuou a ação como “intempestiva”. “Eles causaram prejuízo ao patrimônio público. A barragem precisará ser fechada para garantir que a água bombeada não retorne ao açude Orós” comenta Bruno. Ele acrescenta que a Cogerh está avaliando as providências necessárias.

Ainda nesta tarde, o Comitê da Sub Bacia Hidrográfica do Alto Jaguaribe se reúne para avaliar a situação após o rompimento do dique do açude. O presidente do Comitê, Antônio Maria Pereira do Vale, defende que o diálogo entre com os moradores é prioridade para buscar alternativas de contornar o impasse.

A Cogerh informa ainda que foram perfurados poços no perímetro irrigado em Icó para reforço no abastecimento das comunidades. "91 poços foram perfurados na região do perímetro, em parceria com a Sohidra. A Cogerh recuperou ainda o sistema de bombeamento do Orós para o Lima Campos. Foram operações para reforçar o abastecimento em tempos difíceis", destacou a companhia em nota.