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Bombeamento de águas da transposição para o Ceará é interrompido após acidente

Falha em uma válvula da Barragem do Atalho em Brejo Santo ocasionou a morte de três trabalhadores — Mizael Brasil dos Santos, Heyder Pereira da Silva e Nivaldo Bueno de Camargo

Leonardo Maia
20:24 | 09/02/2021
BARRAGEM DO ATALHO: as causas do acidente são apuradas pelo Ministério do Desenvolvimento Regional
 (Foto: Divulgação/Governo do Ceará)
BARRAGEM DO ATALHO: as causas do acidente são apuradas pelo Ministério do Desenvolvimento Regional (Foto: Divulgação/Governo do Ceará)

O bombeamento das águas da transposição do Rio São Francisco para o Cinturão das Águas do Ceará (CAC) foi temporariamente interrompido pelo Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR). A medida preventiva aconteceu após acidente na Barragem do Atalho, em Brejo Santo, que matou três trabalhadores na noite desta segunda-feira, 8.

O órgão informou que a liberação das águas para o Estado novamente dependerá de solicitação da Secretária de Recursos Hídricos (SRH), pasta da esfera estadual. Nesta manhã, estiveram no local do acidente o titular da Secretaria de Infraestrutura (Seinfra) do município, Lucas Feitosa, o secretário Nacional de Segurança Hídrica, Sérgio Costa, além do Consórcio Gerador e da equipe técnica do MDR.

Em coletiva de imprensa no fim desta tarde, Sérgio Costa disse que o órgão aguarda o resultado da perícia, que deve ser divulgado em cerca de 80 dias. Ele garantiu que a pasta federal realizou análises necessárias para a realização do processo de comissionamento das válvulas da barragem — etapa necessária para operação do reservatório — que acabou vitimando os trabalhadores.

Costa ressaltou ainda que as famílias que moram no entorno do local não devem se preocupar, pois “não há perigo algum” em relação à estrutura da barragem. “Nós monitoramos nossas barragens e não há como comparar esse acidente com outros”, considerou. Em dezembro de 2020, famílias se reuniram em Brejo Santo para reivindicar políticas de segurança para as pessoas atingidas pela construção de barragens para a transposição do Rio São Francisco no Ceará.

O Ministério disse que lamenta a morte dos trabalhadores e está se solidarizando com as famílias das vítimas. A pasta se responsabilizou pelos custos do translado dos corpos e disponibilizou assistentes sociais e enfermeiros para atender os familiares. Mizael Brasil dos Santos, Heyder Pereira da Silva e Nivaldo Bueno de Camargo morreram no acidente. Um outro trabalhador foi resgatado com vida e já recebeu alta.

Questionado sobre uma possível relação entre o acidente de ontem e o da Barragem de Jati, em 2020, o secretário ponderou que o período em que as válvulas foram instaladas e as “várias interrupções” no andamento da obra podem estar gerando algum problema. A construção começou em 2007, na segunda gestão do governo Lula, e o eixo norte, que contempla os cearenses, foi inaugurado no ano passado por Bolsonaro.

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