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Abril Laranja: Mês da prevenção contra a crueldade animal

Saiba qual a origem e principais causas do Abril Laranja e como proceder ao se deparar com uma situação de maus-tratos animal
14:39 | Abr. 09, 2022
Autor Leticia Borges
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Tipo Notícia

O Abril Laranja, mês de Prevenção à Crueldade Animal, caracteriza a luta para combater práticas de maus-tratos aos animais, como abandono, agressão, mutilação, envenenamento e uma série de necessidades básicas que um animal precisa para ter uma boa qualidade de vida.

Uma das primeiras sociedades animais do Estado foi criada neste mês e, por isso, marcou esse período como o Abril Laranja. A intenção é voltar as atenções para a conscientização da população, dos trabalhadores que lidam nessa área, mas também para sociedade de uma forma geral”, explica o presidente do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado do Ceará (CRMV-CE), Francisco Atualpa Soares Junior.

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Bárbara Dantas, 35 anos, presidente do Abrigo São Lázaro (@abrigosaolazaro), que abriga 1.200 animais entre cães e gatos, conta que os maus-tratos acontecem, na maioria dos casos, porque muitos animais ainda estão nas ruas, sujeitos a pessoas ruins que machucam, maltratam, não respeitam.

Já Maria Erivania Ferreira Da Silva, 57 anos, coordenadora do Abrigo Nova Vida (@abrigonovavidaf), localizado no Bairro Barroso 1, em Fortaleza, que atualmente acolhe mais de 145 cães, afirma que os maus-tratos vêm da falta de amor.

Ela conta que o local está parado com os resgates por falta de condições financeiras. "Mas quando resgatamos, levamos para fazer exames caso esteja com problemas de saúde, tratamos, castramos e disponibilizamos para adoção, dependendo da idade do animal.”

Francisco Atualpa exemplifica sobre as diversas formas de ocorrência acerca dos maus-tratos: “Temos muitas vezes o maus-tratos, que não são intencionais... É cultural, por exemplo, aquelas pessoas que deixam o cachorro com pouco espaço, preso em um local inadequado, que deixam alimento ou água poucas vezes ao dia, em condições realmente de exposição, no sol, sem ventilação adequada. A pessoa não faz isso de forma proposital, mas culturalmente, foi o que ela aprendeu ao longo da vida”.

A presidente do Abrigo São Lázaro diz que, dependendo da gravidade do mau trato, o animal precisa ser encaminhado imediatamente para clínica veterinária para o devido tratamento e também "receber muito amor, carinho, respeito, alimentação adequada".

Já a coordenadora do Abrigo Nova Vida reitera que o animal que sofreu maus-tratos precisa, além dos cuidados médicos, muita paciência, muito carinho e se for caso de doença, o tratamento imediato.

Porém, o presidente do Abrigo pontua que a causa animal tem crescido para o bem e para o mal. "Para o bem hoje nós vemos pessoas que têm interesse realmente em ver essa causa animal combatida, mas o que temos visto é um avanço emocional e não técnico, pois eu não vejo hoje no Estado nenhuma pessoa que esteja no meio legislativo que realmente tenha investido tecnicamente na questão do combate para a causa animal. Um dos ganhos da causa no meio legislativo é o avanço na criação de leis, o Estado do Ceará fez uma legislação que é um marco, de fato, que chama a população para o combate às causas ambientais.”

Ele retoma ainda que o Estado tem condições e pode criar, mas não tem feito, o seu papel como deveria. "A gente sabe que políticas públicas, coordenações, gerenciamentos de entidades voltadas para a questão do tratamento e bem estar animal deve ser feita por um médico veterinário e esse é um ponto que temos de bater. O estado precisa criar cargos públicos, contratar, criar estruturas nesse combate, em abrigos, órgãos de reabilitação, e fiscais. Hoje a causa animal dentro da estrutura do ceará é 100% acéfala.”

E quando vemos um animal na rua que parece estar em situação de maus-tratos, Maria Erivania da Silva detalha que se deve também postar nas redes sociais epedindo socorro. "Isso chega à visão de alguma ONG que possa fazer o resgate. É obrigação do poder público, mas esse nada faz por eles.”

Neste caso, Bárbara Dantas complementa que é preciso denunciar, ligar para polícia. "maus-tratos, abandono é crime com pena de dois a cinco anos de reclusão. Mas caso você encontre um animal na rua machucado é preciso que ele seja encaminhado ao veterinário para receber o tratamento adequado”.

E, na visão do presidente do CRMV-CE, o que falta para sensibilizar a sociedade acerca dos maus-tratos contra os animais ainda passa por um processo lento e gradual, mas que já avançou muito.

"As legislações, as campanhas, a visibilidade, tudo isso são fatores que tem avançado e são muito positivos. Mas para além disso, ainda temos uma sociedade que culturalmente ainda não avançou tanto por questões educacionais e sociais. Mas é uma questão mesmo de investimento, ter essa esperança, continuar lutando, continuar acreditando, continuar fazendo esse tipo de campanha para que a gente possa cada vez mais falar a mesma língua, cada um entender o seu lado de atuação e se ajudar”, frisa. 

Saiba como denunciar

Denúncias de maus-tratos devem ser encaminhadas para a Agência de Fiscalização de Fortaleza (Agefis), Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA), o Batalhão da Polícia do Meio Ambiente (BPMA) e Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE).

Contatos para denúncias:

A Agefis pode ser acionada pelo site ou pelo telefone 156. 97ª Promotoria de Justiça de Fortaleza pelos números: (85) 3218-7701 e (85) 85 98685-9622 (WhatsApp).

A 164ª Promotoria de Justiça de Fortaleza pelos nímeros: (85) 3218-7701 e (85) 98563-2875 (WhatsApp).

Já a Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA) pelo telefone: (85) 3247-2630 ou pelo site e o Batalhão da Polícia do Meio Ambiente (BPMA) pelo Disque-Denúncia 181 ou 190.

 

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