Sede do Comando do Corpo de Bombeiros, Casarão Vermelho será transformado em museu
Instalação do acervo museológico deve começar a partir de março, após o Comando Geral do órgão mudar para um novo endereço
Depois de mais de 86 anos sediado no Casarão Vermelho, no bairro Jacarecanga, em Fortaleza, o Comando Geral do Corpo de Bombeiros Militar do Ceará (CBM-CE) vai mudar de endereço. Até o fim de março, a alta administração da corporação será transferida em definitivo para o Centro Integrado de Segurança Pública (CISP), no José Bonifácio. A informação foi confirmada nesta quinta-feira, 3, pelo comandante geral da instituição, coronel Ronaldo Roque de Araújo, durante encontro institucional com jornalistas do O POVO.
Ele ainda antecipou que, com a mudança de sede, a previsão é que o Museu e Casa de Artes do Corpo de Bombeiros esteja aberto a visitantes ainda no primeiro semestre deste ano. O acervo estará disponível dentro das instalações do Casarão, que abriga o Comando Geral do órgão desde setembro de 1934. Em 2006, o imóvel passou a integrar oficialmente o patrimônio histórico e cultural de Fortaleza, após a aprovação do processo de tombamento, por meio de uma Lei Municipal.
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Com mais de 86 anos desde a inauguração, a estrutura do Casarão resiste ao tempo e se mantém praticamente a mesma. Ao longo das mais de oito décadas, poucas intervenções foram feitas no local. Fachadas, paredes internas, vigas, pilares e marquises continuam preservados de acordo com o que foi concebido originalmente pelo engenheiro militar José Rodrigues da Silva (in memorian), responsável pelo projeto arquitetônico da obra.
Segundo coronel Roque, o acervo museológico será composto por viaturas, uniformes, equipamentos de salvamento, documentos e diversos outros objetos que ajudem a contar para as gerações atuais parte da história quase secular da instituição, fundada em 1925. “A gente quer criar um aparelho cultural. Algo que torne esse espaço referência no aspecto histórico, abraçando os valores da corporação e gerando conhecimento para a sociedade como um todo”.
O comandante ainda pontua que, além da exposição do acervo histórico, o equipamento disponibilizará visitas guiadas e passeios interativos para os visitantes que queiram conhecer um pouco mais sobre o trabalho desenvolvido pelos agentes.
“Teremos não apenas objetos expostos, mas também momentos de integração social com a comunidade. As pessoas serão envolvidas a mergulhar na história de forma ativa. Vamos criar, por exemplo, um passeio especial em uma das nossas viaturas mais antigas, que já está passando por adaptações. É uma forma de fazer com que crianças, adolescentes e pessoas de todas as idades se sintam parte da corporação, vejam em cada um de nós um amigo pronto para servir quando for preciso, pois essa é a nossa missão enquanto agentes públicos”, disse.
Após a mudança da sede do Comando, o Casarão Vermelho deve passar por um processo de reforma e restauro, antes da abertura oficial do museu. O projeto arquitetônico é assinado pelo arquiteto e tenente coronel do CBM-CE, Hans Nelivando Rabelo. Desde maio do ano passado, ele faz parte de uma Comissão Especial responsável por criar o plano museológico e reunir o acervo contemporâneo do órgão. O grupo também conta com a participação de artistas plásticos, historiadores e de outros membros da corporação.
Segundo Rebelo, o projeto contempla diversas salas de exposições, entre elas a do memorial “heróis do fogo” e a linha do tempo do corpo de bombeiros, que vão situar os visitantes sobre os principais acontecimentos históricos da instituição ao longo dos 96 anos de existência. O prédio deve contar ainda com espaço para shows, aulas, auditório, restaurante e um estacionamento exclusivo para a exposição de viaturas.
“A ideia é que, além das salas de visitação, tenhamos um espaço destinado a atividades culturais das mais diversas, como exposições, peças teatrais, apresentações musicais e muitas outras. Será uma forma de apoiar os artistas da terra e tornar o museu dinâmico, tendo sempre algo de novo a oferecer ao seu visitante. A gente quer que as pessoas que venham aqui se sintam instigadas a voltar”, afirmou o oficial.
Em agosto do ano passado, durante as comemorações pelo 96º aniversário do CBM-CE, a instituição deu o primeiro passo para a criação do museu com o lançamento da pedra fundamental, representada por uma Cápsula do Tempo. O objeto em formato cilíndrico, feito em liga especial de aço inox, foi instalado em área subterrânea a 1,2 metro de profundidade em frente a fachada do Casarão.
Nele estão depositados documentos contemporâneos e históricos que devem ser revelados para o público somente com o prazo de 30 anos, ou seja, em 2051. O acervo inclui cartas do governador Camilo Santana, do presidente da Assembleia Legislativa, Evandro Leitão, da presidente do Tribunal de Justiça, Maria Nailde Pinheiro, entre outras autoridades do Estado.
Ainda no ano passado, o CBM-CE assinou um Acordo de Cooperação Técnica com a Secretaria da Cultura do Ceará (Secult). Por meio da parceria, as duas instituições vão definir as diretrizes institucionais e administrativas do plano de gestão do museu. “Tem muita coisa ainda a ser feita, inclusive do ponto de vista formal, mas acredito que até junho, ou julho, estaremos abrindo o nosso acervo para visitantes”, projeta Rabelo.
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