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"Melzinho do amor": suposto estimulante sexual ganha popularidade apesar de venda ser ilegal

De acordo com a Receita Federal, 564 unidades do "melzinho" já foram apreendidas em Fortaleza
16:39 | Ago. 17, 2021
Autor Gabriel Borges
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Tipo Notícia

Um produto que é vendido como 100% natural e que promete aumentar os estímulos sexuais de homens e mulheres tem se popularizado entre os jovens em boa parte do País. Basta digitar a palavra "melzinho" em alguma plataforma de busca para encontrar diversos sites que vendem o produto "milagroso".

Entretanto, o "melzinho" ou "melzinho do amor" já possui indícios que apontam que o produto não é tão natural como o prometido e ainda pode trazer sérios riscos à saúde. Análises laboratoriais do produto já encontraram substâncias como a tadalafila e a sildenafila, que compõem medicamentos que tratam a disfunção erétil.

Desde o último mês de maio, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) instaurou um dossiê de investigação sanitária para apurar a procedência do produto.

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O suposto estimulante não possui nenhum tipo de registro na Anvisa e, por isso, o órgão proibiu a sua comercialização, distribuição, fabricação, propaganda e o próprio uso do produto, além de determinar a apreensão de unidades que forem encontradas à venda.

De acordo com a Receita Federal, houve um aumento significativo do número de encomendas do "melzinho" para o Ceará, de janeiro a julho de 2021. Durante o período, mais de 50 caixas do produto foram apreendidas pela Receita. Todas as apreensões foram realizadas em Fortaleza. Até a tarde desta terça-feira, 17, a Receita Federal já apreendeu 564 unidades do "melzinho".

Os produtos apreendidos foram encontrados em encomendas postais por meio do trabalho de vigilância e repressão que é realizado cotidianamente pela Receita Federal. Nos últimos dias do mês de julho, 120 caixas do produto já haviam sido apreendidas pela Receita, na Aduana da Ponte Internacional da Amizade, que liga o Brasil ao Paraguai.

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Nas redes sociais, pelo menos cinco páginas oferecem a venda do produto no Ceará. Uma delas possui um número expressivo de seguidores, chegando a ultrapassar a marca de sete mil adeptos ao conteúdo.

Em dois vídeos publicados em uma das páginas, é possível ouvir o suposto vendedor do produto informando sobre uma entrega no município de Iguatu e outra no bairro Maraponga, em Fortaleza.

A reportagem questionou a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) se há registro de prisões ou investigações sobre a venda do "melzinho" no Estado. A Secretaria informou apenas que não foi registrado nenhum procedimento policial sobre o caso na cidade de Iguatu.

Cabe destacar que, nos estados do Rio de Janeiro e de Santa Catarina, já há registro de prisões de suspeitos de realizarem a venda do suposto estimulante.

A Vigilância Sanitária estadual informou, por meio da Secretaria de Saúde do Ceará (Sesa), que, até o momento, não realizou nenhuma apreensão do produto no Estado, além de não ter recebido nenhuma notificação por parte dos municípios.

A Secretaria de Saúde se comprometeu a enviar, ainda esta semana, um ofício solicitando informações aos municípios cearenses sobre a circulação do produto no Ceará.

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Popularização entre jovens e riscos à saúde

O suposto estimulante sexual tem se popularizado principalmente entre os jovens, público que historicamente não possui necessidade do uso de medicamentos para concretizar relações sexuais. O problema, segundo especialistas, é que o consumo indiscriminado de substâncias presentes no "melzinho" pode ocasionar complicações no futuro.

"Para as pessoas mais jovens, o uso abusivo de estimulantes é um fator de risco para o desenvolvimento de disfunções sexuais. Hoje em dia, existe uma preocupação muito grande com a performance, criam expectativas fora da realidade e buscam uma forma de se autoafirmarem", explica o médico Eduardo Miranda, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Urologia no Ceará.

Miranda destaca, ainda, que como o produto não possui nenhuma regulamentação por parte da Anvisa, o "melzinho" pode conter outras substâncias que ainda não foram identificadas durante os estudos iniciais, o que pode pôr o usuário em risco.

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"Isso é muito preocupante em uma avaliação de saúde pública. Pessoas que tenham alguma doença podem estar ingerindo alguma substância que pode trazer malefícios, alguma alteração cardíaca, uma disfunção renal e até, eventualmente, alterações na fertilidade", destaca.

Por meio de nota, a Receita Federal já havia chamado a atenção para a falta de descrição dos componentes ativos do produto na embalagem. O órgão também "alerta a população dos riscos a que está se submetendo, especialmente, a faixa etária mais jovem, que geralmente são os maiores consumidores desse medicamento".

O urologista Eduardo Miranda destacou, ainda, que mesmo para pessoas que apresentam problemas reais de impotência sexual, o uso dessas substâncias sem o acompanhamento médico pode acabar mascarando o problema, o que pode ser bastante prejudicial no futuro.

"Muitas vezes é progressivo, tais paliativos acabam retardando um diagnóstico mais preciso. O paciente, às vezes, acaba procrastinando e, no futuro, terá problemas de mais difícil resolução", explica.

Por fim, o especialista destaca que, em caso de qualquer disfunção sexual, a melhor opção é sempre buscar ajuda médica, além de não recomendar o uso de medicamentos sem uma necessidade real.

"Existe um grande tabu, os homens ainda possuem um grande entrave para procurarem ajuda nesse quesito. É importante que a gente divulgue que não existe mágica, não existe nenhum remédio milagroso. O importante é manter um acompanhamento da sua saúde geral e do ponto de vista sexual", finaliza.

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