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Guerra Sem Fim: Como foi feita a série que mostra o impacto das facções no Ceará

Confira os bastidores da série original O POVO+
12:42 | Jul. 21, 2021 Autor - Redação O POVO Tipo Noticia

As facções criminosas se tornaram parte do cotidiano urbano do Ceará, e seus impactos vão além dos homicídios. A nova temporada de Guerra Sem Fim, série original O POVO Mais, mergulha nas consequências para as comunidades e as famílias da presença das facções. As outras formas de violência que atingem as pessoas. Aqui você conhece os detalhes da experiência de entrar nesse universo das facções e como a série fez para colocar o público dentro desse universo.

Assista aos bastidores em Olhando para a Guerra:

Neste vídeo que mostra os bastidores da produção, veja os detalhes da concepção visual da série. Como foram construídas as imagens, a iluminação como fator determinante para o clima da produção. As imagens captadas nos territórios das facções e as soluções para retratar os lugares onde não foi possível entrar.

LEIA TAMBÉM | Operação combate ameaças recebidas por moradores no José Walter

A construção e reprodução de alguns ambientes reais. A presença do artista Carlus Campos foi determinante.

E também como se deu a construção do roteiro e a edição. Você conhece os bastidores de como se faz uma série jornalística sobre tema tão delicado.

A segunda temporada vem a partir do sucesso da primeira, lançada em 2020. Diante da persistência do fenômeno dessa forma de organização do crime, os realizadores decidiram aprofundar o assunto, mergulhando em novas abordagens.

A série, dirigida por Cinthia Medeiros e Demitri Túlio, é fundamentada no jornalismo investigativo. Depoimentos de especialistas, profissionais de segurança e moradores das comunidades atingidas costuram a narrativa e ajudam a compreender o fenômeno.

Guerra Sem Fim

O POVO Mais lança a segunda temporada de Guerra Sem Fim, série original que mergulha no universo das facções no Ceará.

O primeiro episódio desta temporada mostra a realidade das famílias expulsas de casa pelas facçõesRefugiados Urbanos

O segundo episódio mostra a disputa interna no PCC que levou ao surgimento da GDEGDE: como nasce uma facção

O terceiro episódio conta a história do jovem que sonhou suceder o pai na hierarquia da facção, mas encontrou outro caminho pela arte, assim como de outros jovens: Juventude Sobrevivente

Nessa segunda-feira, 19, foi lançado o terceiro episódio da nova temporada: “Juventude sobrevivente” revela casos de jovens que conseguem sobreviver nesses territórios dominados pelo terror por meio da arte. Você confere aqui

Direção

Demitri Túlio

Cinthia Medeiros

Roteiro

Demitri Túlio

Arthur Gadelha

Coordenação de produção

Cinthia Medeiros

Direção de fotografia

Fco Fontenele

Julio Caesar

Assistência de direção e edição

Arthur Gadelha

Edição

P.H. Diaz

Abertura

Raphael Góes

Assista à primeira temporada 

1ª temporada, episódio 1: A onda de violência

Em janeiro de 2019, as facções criminosas no Ceará se uniram contra as ações rígidas dentro das penitenciárias, gerando a maior onda de violência do Estado. Como isso aconteceu?

Assista aqui

1ª temporada, episódio 2: Tribunais do Crime

O funcionamento interno das facções criminosas no Ceará: como punem seus próprios integrantes?

Assista aqui

1ª temporada, episódio 3: Caminhos do Crime

A entrada em organizações como as facções é um dos caminhos trilhados pelo crime. O que influencia esse cenário? Como é possível fugir do crime?

Assista aqui

 

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Guerra sem Fim: O POVO disponibiliza episódio para todo o público

SÉRIE ORIGINAL O POVO+
2021-07-27 21:30:00 Autor Tipo Notícia

Os impactos das facções criminosas para a população cearense – a entrada para o crime, a expulsão de famílias, a sobrevivência de jovens nos territórios disputados pelos grupos armados – são assunto da série Guerra sem Fim, original do O POVO+, que chegou à sua segunda temporada. Para oferecer ao público uma amostra do documentário, O POVO liberou o acesso ao primeiro episódio desta segunda temporada para os não assinantes.

É uma oportunidade de conferir parte do documentário sobre a segurança pública no Ceará. O episódio “Refugiados Urbanos”, que aborda o problema de famílias cearenses expulsas de suas casas por facções criminosas nos territórios do medo, pode ser visto pelo link.

Os jornalistas Demitri Túlio e Cinthia Medeiros, diretores da série, ressaltam que o formato audiovisual apresenta a problemática em tons mais reais do que a notícia lida, além de deixar mais acessível a compreensão das dimensões desse drama social, o que dá à série um caráter ainda mais relevante. “Essa ação voltada para não assinantes é uma oportunidade de dar um alcance maior a esse trabalho documental tão importante para nosso Estado. É um convite para que se conheça um pouco mais da rica produção que a plataforma O POVO+ vem disponibilizando para seu público, em diferentes linguagens narrativas”, afirma Cinthia.

Ela destaca o tom documental da série ao retirar da invisibilidade institucional a forma como os grupos criminosos organizados interferem na vida em áreas periféricas de cidades cearenses.

Para Vinícius Costa, analista de Assinaturas do O POVO, o acesso ao conteúdo será relevante para os leitores terem real noção do impacto das facções no Ceará, no cotidiano das pessoas e de suas consequências para o desenvolvimento dessas localidades e de seus moradores. Também para saberem como cada ator social (sociedade, polícia, político) se posiciona e cria formas de não só combater a criminalidade, mas também de dar segurança à população. "Além disso, a ideia de deixar o primeiro episódio disponível é fazer com que o leitor saiba da qualidade que tem as produções do OP+", enfatiza o publicitário.

Um vídeo especial com os bastidores da série também foi disponibilizado ao público. Os detalhes da experiência de entrar neste universo das facções podem ser conferidos pelo link.

A série Guerra sem Fim mergulha nas consequências para as comunidades e para as famílias da presença das facções. Os jornalistas Demitri Túlio e Cinthia Medeiros são produtores e diretores da série. A primeira temporada foi lançada em maio de 2020. A segunda foi publicada em julho deste ano. Todo o conteúdo está disponível no O POVO+.

Serviço

Episódio “Refugiados Urbanos” da série Guerra sem Fim liberado para não assinantes

Veja pelo link: https://materiais.opovo.com.br/gsf-ep1

Guerra sem fim

1ª temporada: https://is.gd/vOdtuc

Episódio 1: A onda de violência

Com fortes imagens das ações do terror criminoso de janeiro de 2019, o episódio detalha os bastidores que levaram à eclosão criminosa, as estratégias das facções (PCC, CV e GDE) e a reação do Estado para conter a onda de violência. O objetivo dos criminosos era declarado: colocar o Estado do Ceará em calamidade pública.

Episódio 2: Tribunais do Crime

O funcionamento interno das facções criminosas no Ceará: como punem seus próprios integrantes?

Episódio 3: Caminhos do Crime

A entrada em organizações como as facções é um dos caminhos trilhados pelo crime. O que influencia esse cenário? Como é possível fugir do crime?

2ª temporada: https://bit.ly/3zft0J6

Episódio 1: Refugiados Urbanos

“Guerra sem Fim” olha para o cotidiano de terror de famílias cearenses expulsas por facções criminosas nos territórios do medo.

Episódio 2: GDE: como nasce uma facção

Saiba como a facção criminosa cearense GDE encontrou espaço para disputar territórios do tráfico de drogas com o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) em Fortaleza. O que a difere das demais? Como sua ação pôde ser percebida a partir de atos de violência?

Episódio 3: Juventude Sobrevivente

No último episódio de Guerra Sem Fim, quem conta a história são jovens que construíram outros destinos em meio ao contexto de violência imposto pelas facções criminosas em Fortaleza. Jardz, Jô Costa e Felipe Rima compartilham a experiência de usar a arte como principal arma de uma revolução social.

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Membro de facção conta como agiu nas eleições 2020

FACÇÃO
2021-07-19 00:30:00 Autor Lucas Barbosa Tipo Notícia

Atualizado as 19h20min de 21 de julho

Em conversas obtidas pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), integrante de uma facção criminosa aparece dizendo ter apoiado financeiramente políticos de municípios do Litoral Leste do Ceará nas eleições municipais de 2020. Conforme as mensagens, apreendidas no celular de uma "conselheira" da facção Comando Vermelho (CV), também teria havido uma ordem proibindo campanha para aliados do deputado federal Capitão Wagner (Pros), que concorreu à Prefeitura de Fortaleza.

Rener Castro de Souza foi denunciado, junto com outras 11 pessoas, por crimes como integrar organização criminosa. A acusação foi apresentada à Justiça pelo Ministério Público Estadual na última terça, 13, e aguarda recebimento. Rener diz ter divulgado um "salve", ou seja, uma ordem em nome da facção proibindo apoio a aliados do Capitão Wagner.

"O outro candidato [...] tinha um vídeo no instagram dele com o Capitão Wagner postando apoio a ele. Aí eu fiz só pegar, pedi o salve ao menino aqui, mandaram o salve e eu rasguei no meio do mundo"(sic), diz Rener, conforme áudio transcrito pela Draco. O faccionado ainda agradece à conselheira pela "força" que ela deu "por falar naquele negócio do Capitão Wagner". A conselheira é Almerinda Marla Barbosa, conhecida como "Irmã Ruiva".

Rener diz na conversa ter apoiado candidatos a prefeito e vereador de três municípios. "Graças a Deus deu tudo certo. (Em um município do Litoral Leste) ganhemo só prefeito, lá vereador eu perdi. Aí aqui em (outro município) ganhemo prefeito e vereador. (Em um terceiro município, ganhamos) prefeito e vereador, tu é doido" (sic), diz em outro áudio. Ele afirma ter recebido agradecimento de um prefeito eleito — "pelo o que eu fiz". "Ganhemo por causa de nós, né, do que nós fizemo. Muita gente não sabia desse salve aqui não, mana, ninguém sabia, bem dizer, porque o CV não é muito frequente aqui não, não tem esse negócio de grupo. É tanto que eu fiz um, bem dizer, da noite pro dia" (sic). Ele chega a dizer em dado momento que está sem dinheiro, pois "tacou" tudo o que tinha "dentro da política".

Em retribuição por Almerinda ter divulgado os salves, Rener prometeu lhe dar um terreno. Por fim, ele diz querer dar um tempo nas atividades criminosas a partir do começo das novas gestões. "Dia 1º de janeiro eu boto uma pessoa aqui, tá entendendo? Pra ficar à frente, né? Uma pessoa que depois se eu precisar voltar, que não tem o olho grande, está entendendo? E eu vou botar para gerar". Rener diz que assumiria cargo em uma prefeitura, com remuneração de R$ 7.500 e dispondo de um carro. O POVO não encontrou o nome do acusado como funcionário nos portais da transparência dos municípios citados.

Em outra conversa, Almerinda diz a uma terceira pessoa que cobra Rener "direto" para conseguir quitar uma dívida. Ela, então, diz que "isso ainda e da aquele oleo", que, para o MPCE, significa crack. Por isso, Rener também foi denunciado por tráfico de drogas.

Em nota, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), que ofertou a denúncia, diz que as evidências sobre o envolvimento do faccionado nas eleições "estão sendo analisadas pelo MPCE, o qual decidirá sobre a necessidade de continuação e aprofundamento das investigações". O POVO também perguntou à Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) se inquérito policial foi instaurado para investigar o caso, mas não obteve resposta até o fechamento desta matéria.

Além de Rener, foram denunciados pelo MPCE: Antônio Wesley Caetano de Sousa, o General; Daniel da Costa Leandro, o Babu; David Barbosa Teodorio, o PK ou Pequeno; Everton Luiz de Sousa Barbosa; Francisco José de Negreiro Lopes, o CH; José Alderi de Menezes, o Deca; José Divandir Marques, o Cora; Lucas Almeida Santana; Maria Capeline Martins Rodrigues; Maria Luciana Braz da Silva; e Rosilane Barbosa da Silva, a Diamante.

O POVO optou por não divulgar os nomes dos municípios citados por não haver denúncia formal contra políticos, nem outro indício além das mensagens dos membros de facção. Na tarde desta quarta-feira, 21, porém, a assessoria de imprensa da prefeitura de Fortim procurou O POVO e enviou uma nota de esclarecimento sobre a situação. Confira:

Nota de Esclarecimento

Em respeito ao povo de Fortim, pessoas queridas por quem nós temos muitas saudades e reelegeram esta administração com quase 90% dos votos, a prefeitura se manifesta contrária às campanhas difamatórias que tentam sujar o trabalho da nossa gestão. A vontade do povo deve ser respeitada e assim será nas verdadeiras democracias.

Também reconhecemos as forças de segurança e de investigação do nosso município e do Estado. Nos colocamos à disposição para quaisquer dúvidas e reiteramos: não fomos notificados pelos órgãos competentes de nada do que está sendo veiculado. O novo mandato não está associado à organização criminosa.

O resultado do nosso trabalho é expressivo, reflexo da seriedade em prol do povo, sempre com total transparência. A vitória, porém, gera insatisfação e inveja em pessoas de má índole. Mas cremos que Deus sempre está à frente de tudo e sabe de todas as coisas.

Avante! A Nova Historia Continua!

Prefeitura de Fortim

 

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Terceiro episódio de Guerra Sem Fim retrata a transformação da arte nas periferias

guerra sem fim
2021-07-18 18:56:00 Autor Bruna Forte Tipo Notícia

Ribamar Felipe Souza Miranda nasceu Felipe Rima aos 14 anos. Filho de Dona Luziane e Seu Ribamar, personagem do tráfico na comunidade da Zareia no Papicu, o menino sentiu o peso de uma arma de fogo pela primeira vez aos 8 anos. Na adolescência, queria comandar o tráfico de oito comunidades de Fortaleza — até conhecer a poesia. "Desde criança, sempre tive contato com cultura e gostava de ver, assistir, desenhar, essas coisas que a gente faz na infância. Mas ainda não tinha propósito nessa arte. Aos 14, quando eu sonhava em ser o sucessor do meu pai na hierarquia do crime que a nossa família exercia, conheci um projeto social e recebi uma enxurrada da arte que contempla a cultura hip-hop — como é o caso do grafite, o break, DJ e o rap. A arte que mais me tocou foi a poesia: o primeiro poema que eu li foi do Drummond, 'No meio do caminho tinha uma pedra/tinha uma pedra no meio do caminho'. Na minha comunidade, a gente chama o crack de pedra. Meu pai, apesar de ter sido um expoente no crime, estava na dependência química do crack e a gente estava passando um momento muito delicado e devastador na nossa família. Quando eu tive esse primeiro contato com a poesia que dizia que 'tinha uma pedra no meio do caminho', eu interpretei que a pedra que havia no meio do caminho da minha família era o crack. Foi mágico, eu percebi que a arte estava conectada com a minha história".

A importância da arte na vida do poeta, músico, escritor, rapper, empreendedor social e produtor cultural Felipe Rima integra o terceiro episódio da segunda temporada de Guerra Sem Fim. Série original O POVO , a produção aborda o impacto dos grupos organizados nos territórios que controlam. O episódio lançado nesta segunda, 19, também retrata as narrativas do poeta marginal Jardson "Remido", do Grande Jangurussu; e da atriz e professora travesti Jô Costa, do Bom Jardim. O capítulo é costurado ainda por falas da socióloga Camila Holanda; do deputado estadual Renato Roseno, membro do Comitê de Prevenção e combate à violência da Assembleia Legislativa; e do Secretário da Juventude da Prefeitura de Fortaleza Davi Gomes.

Depois de conviver de perto com o crime, Felipe Rima conectou produção artística com trabalho social(Foto: Júlio Caesar e Fco Fontenele)
Foto: Júlio Caesar e Fco Fontenele Depois de conviver de perto com o crime, Felipe Rima conectou produção artística com trabalho social

"A arte tem o poder de conectar as histórias de vidas, as nossas emoções, os nossos percursos, as nossas memórias. A partir daí, eu passei a fazer arte — agora, com o propósito. Primeiro, meu propósito era dialogar comigo mesmo, de expor no papel, na caneta e nos raps os meus sentimentos. Depois, a partir do momento que eu passei a anunciar minha arte, eu percebi que ela também conectava com a vida de outras pessoas como a poesia do Drummond me conectou com a minha história e minha vida. A arte e a cultura representam uma conexão de ser humano para ser humano que visa provocar revolução e transformação na nossa sociedade", defende Felipe Rima.

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A série é dirigida pelos jornalistas Demitri Túlio e Cinthia Medeiros. "Nos episódios anteriores, incluindo a primeira temporada, Guerra Sem Fim se propôs a apresentar como a disputa entre as facções criminosas vem mudando de forma intensa o cotidiano de comunidades inteiras, inclusive delimitando uma nova geografia urbana nas periferias, impondo códigos de conduta para seus moradores e atingindo principalmente uma parcela significativa da população mais jovem, que resulta na morte de milhares de adolescentes ano após ano.Apesar da gravidade do tema e da urgência em dar visibilidade a ele para toda a sociedade, optamos por encerrar essa produção agregando um olhar mais empático à essa mesma juventude trazendo histórias inspiradoras. Em muitas situações, a arte — em suas diferentes linguagens — tem sido o melhor veículo de comunicação com a juventude e o meio pela qual ela melhor expressa seus anseios, seus desejos, suas angústias. Não haveria melhor recorte, então, para ecoarmos essas vozes", pontua Cinthia, editora-executiva de audiovisual do OP.

Segundo a diretora-executiva de Jornalismo Ana Naddaf, esta segunda temporada do "Guerra Sem Fim" é um importante exemplo do investimento em novas narrativas audiovisuais do O POVO. "Sua importância jornalística está em tornar-se uma crônica visual com um olhar corajoso e crítico, mas ao mesmo tempo respeitoso e delicado, que narra a partir dos que sobrevivem à desigualdade social, ao medo e ao invisível na Cidade. O que muitas vezes não pode estar dito e computado através da estatística, do simples relatar os números da segurança pública".

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Intitulado "Juventude sobrevivente", o episódio borda em imagens a promessa da escritora mineira Conceição Evaristo: "A gente combinamos de não morrer". Para Demitri Túlio, o audiovisual saiu para se encontrar com a Cidade "reterritorializada" pela violência das facções. "Diria também pela estética dessa nova forma da violência se manifestar no cotidiano. No miolo mais assistido da Cidade pelo poder público e, principalmente, na periferia onde há um código escrito por esses grupos armados. A câmera, a luz, a forma de ouvir e expor a narrativa vêm puxadas pela arte olhando para as ruas 'proibidas' e as casas sem 'famílias' porque foram expulsas. É medo de morrer na mão dos bandos faccionados", compartilha o jornalista.

"Juventude sobrevivente", terceiro episódio da série "Guerra Sem Fim", revela casos de jovens que conseguem sobreviver em territórios dominados pelo terror por meio da arte.  (Foto: Júlio Caesar e Fco Fontenele)
Foto: Júlio Caesar e Fco Fontenele "Juventude sobrevivente", terceiro episódio da série "Guerra Sem Fim", revela casos de jovens que conseguem sobreviver em territórios dominados pelo terror por meio da arte.

"A arte vai olhando, quase um grua na periferia da Cidade, para tentar entrar no universo paralelo que não interessa à Aldeota nem a quem mora nas zonas mais privilegiadas. O problema não está distante. O documentário lembra que o problema é parte da segregação social, da concentração de renda, da falta de prioridade para os assentamentos precários. Então, a arte vai andando, olhando e ouvindo. A série não traz nenhuma resposta, são muitas interrogações. Ao mesmo tempo, no último episódio, a série vais se encontrar com a arte de quem cria espaços de sobrevivência. Muitas vezes na marra, em coletivos, e nos equipamentos públicos que deveriam ser mais abundantes. São necessários para amplificação do lugar de escuta de meninos e meninas que não querem mais perder a vida. Que não querem mais chegar somente ao 17, 18, 20 anos de idade e perderem suas vidas interrompidas pela bala da facção ou pela violência da falta de Estado", finaliza Demitri.

Guerra Sem Fim

O POVO Mais lança a segunda temporada de Guerra Sem Fim, série original que mergulha no universo das facções no Ceará.

O segundo episódio mostrou os bastidores da disputa interna no PCC que levou ao surgimento da GDEGDE: como nasce uma facção

O primeiro episódio desta temporada mostrou a realidade das famílias expulsas de casa pelas facçõesRefugiados Urbanos

Nesta segunda-feira, 19, foi lançado o terceiro episódio da nova temporada: “Juventude sobrevivente” revela casos de jovens que conseguem sobreviver nesses territórios dominados pelo terror por meio da arte. Você confere aqui

Assista à primeira temporada 

1ª temporada, episódio 1: A onda de violência

Em janeiro de 2019, as facções criminosas no Ceará se uniram contra as ações rígidas dentro das penitenciárias, gerando a maior onda de violência do Estado. Como isso aconteceu?

Assista aqui

1ª temporada, episódio 2: Tribunais do Crime

O funcionamento interno das facções criminosas no Ceará: como punem seus próprios integrantes?

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1ª temporada, episódio 3: Caminhos do Crime

A entrada em organizações como as facções é um dos caminhos trilhados pelo crime. O que influencia esse cenário? Como é possível fugir do crime?

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Facção cobrava "imposto" de moradores do Minha Casa, Minha Vida

GRANDE FORTALEZA
2021-07-13 23:49:00 Autor Lucas Barbosa Tipo Notícia

Mensagens encontradas no celular de uma integrante da facção criminosa Comando Vermelho (CV) indicam que os criminosos da organização extorquem moradores, chegando a se apoderar legalmente de empreendimentos do Minha Casa, Minha Vida (MCMV). É o que consta em denúncia ofertada, nessa terça-feira, 13, pelo Ministério Público do Estado (MPCE) contra 12 pessoas acusadas de integrar a facção. A Justiça ainda decidirá se recebe ou não a acusação.

A denúncia é mais um resultado das extração de dados do celular de Almerinda Marla Barbosa de Sousa, conhecida como Irmã Ruiva, presa em novembro último, suspeita de ser "conselheira de guerra" do CV. No aparelho, a Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) encontrou uma conversa entre Almerinda e Maria Capelinne Martins Rodrigues, de 30 anos, apontada como uma das "frentes" do CV no Residencial Almir Pinto, conhecido como Condomínio da Santa, no bairro Outra Banda, em Maranguape (Região Metropolitana de Fortaleza). As duas teriam uma "forte ligação", segundo a investigação.

Nova temporada de Guerra Sem Fim, série original O POVO+, mostrou o drama dos refugiados urbanos, pessoas expulsas de casa por facções no Ceará. Assista ao primeiro episódio:

Conforme o Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), que ofertou a denúncia, a Draco constatou que membros do Comando Vermelho cobram uma espécie de "imposto" de moradores de áreas com atuação da facção que financiem casas do MCMV. Haveria ainda a entrega do título da propriedade a pessoas indicadas pela organização criminosa. "Em síntese, somente é autorizado a residir naquela localidade o morador que esteja cumprindo com o pagamento do 'imposto' cobrado pela organização criminosa", diz a denúncia. O MPCE afirma que Maria Capelinne era uma das "facilitadoras" do esquema. Seria através dela que os faccionados recolheriam as cobranças impostas aos moradores.

Nas mensagens analisadas pela Draco, Almerinda aparece encaminhando uma mensagem de um "conselheiro permanente" do CV, em que ele faria um "chamado" a todos os "frentes" do condomínio. "Esses condomínios aí é os que tu é frente, é? Me diz, aí do Maranguape, porque o pessoal diz que já deu entrada lá, tá precisando só dos frentes para ganhar o papel", diz, em áudio, Almerinda. "Eu vou passar o teu contato para ele, aí ele te explica bem direitinho, tu vê com ele, viu? É dinheiro, amore! É milhão que ele disse, que vão ganhar. Não sei como ele está fazendo, eu sei que ele está desenrolando essas paradas aí", diz outros mensagens. Em seguida, Maria Capelinne responde que "deu certo falar com o pessoal". "Show, amore", responde Almerinda. "Vamos ganha esse milhão".

Em depoimento em um inquérito de um homicídio ocorrido em 2018, Maria Capelinne confirmou que era uma síndica informal do Condomínio da Santa, sendo responsável pela arrecadação de valores de gastos comuns do residencial, como água e limpeza. O MPCE ainda cita que o condomínio da Santa já foi alvo de diversas operações policiais, como uma ocorrida em maio de 2018, em que foram apreendidos fuzil, submetralhadora e revólver.

Maria Capelinne é companheira de Genilson Morais Gaspar, conhecido como BO, que possui passagens na Polícia por homicídios, ameaças, porte ilegal de arma de fogo e tráfico de drogas. Além dela, foram acusados Antônio Wesley Caetano de Souza, o General; Daniel da Costa Leandro, o Babu; David Barbosa Teodorio, o PK ou Pequeno; Everton Luiz de Sousa Barbosa, que é filho de Almerinda; Francisco José de Negreiro Lopes, o CH; José Alderi de Menezes, o Deca; José Divandir Marques, o Coroa; Lucas Almeida Santana; Maria Luciana Braz da Silva, a Duquesa; Rener Castro de Souza; e Rosilane Barbosa da Silva, a Diamante. Foi pedida a prisão dos acusados e, em 2 de junho último, General e Rosilane foram presos; Duquesa já havia sido presa em maio. "No tocante aos demais, em que pese os esforços despendidos pelos agentes da Draco não fora possível, até o momento, captura-los", informa a denúncia.

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