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27,9% das escolas estaduais do Ceará voltam às aulas de forma híbrida

Cenário pandêmico ainda é um desafio que professores e alunos terão que enfrentar durante o ano de 2021, modelo híbrido não é unanimidade entre gestores

18:43 | 01/02/2021
REPRESENTANTES do Sindicato Apeoc visitaram três escolas ontem
 (Foto: Barbara Moira)
REPRESENTANTES do Sindicato Apeoc visitaram três escolas ontem (Foto: Barbara Moira)

Pouco mais de um quarto das escolas da rede estadual do Ceará voltaram às aulas em formato híbrido nesta segunda-feira, 1º. A Secretaria da Educação do Estado (Seduc) permitiu a cada colégio, em consulta à comunidade, decidir a forma de retorno. Segundo a Seduc, de 731 escolas estaduais, 204 voltaram de forma híbrida — presenciais e remotas para os estudantes do 3º ano do ensino médio. As outras 527 seguem só com ensino remoto. Nesta semana, informou a Seduc, as aulas são apenas remotas. Onde haverá a modalidade híbrida, aulas presenciais começam na próxima semana.

O Sindicato dos Professores e Servidores da Educação do Ceará (Apeoc), visitou três colégios estaduais na Capital que retornaram ontem às aulas. O POVO acompanhou as visitas.

Um dos colégios visitados foi o Presidente Castelo Branco, na rua Irmã Bazet, no Montese. Carla Maria Cavalcante, diretora da escola, explica que o colégio optou pelo modelo híbrido, seguindo todos os protocolos necessários. "Nós vamos voltar nesse ano de 2021 só com os terceiros anos (do ensino médio). Estamos seguindo todos os protocolos, inclusive a parte do decreto que só permite 35% dos alunos dentro da escola. Essa primeira semana será uma acolhida apenas para apresentar o espaço aos alunos de primeiro ano, que estão chegando agora. A partir da próxima semana será apenas para os do terceiro ano no modelo híbrido."

A escola passou por mudanças desde o ano passado, quando os equipamentos de segurança sanitária passaram a ser instalados, como pias nos corredores, dispositivos com álcool em gel, tapetes para higienização dos calçados, além do distanciamento das cadeiras nas salas de aula. Mesmo com todos os cuidados, a diretora não descarta o retorno ao modelo 100% virtual.

Visita de representantes de estudantes e professores à escola César Cals no retorno às aulas
Foto: Barbara Moira
Visita de representantes de estudantes e professores à escola César Cals no retorno às aulas

"Estamos organizando a escola para que professores e alunos sintam segurança. Esperamos que dê tudo certo, torcemos para isso. Mas, caso a situação piore, retornaremos ao remoto sem problema nenhum. Mas, neste momento, nós queremos receber os alunos da melhor maneira possível", conta Carla.

Já na escola Adauto Bezerra, no bairro de Fátima, no primeiro dia do ano letivo de 2021 a situação é similar ao que pôde ser visto durante o ano de 2020. A escola seguirá adotando o modelo remoto para todos os seus alunos.

"Nós estamos apostando no ensino remoto. Teremos apenas alguns encontros com alunos novatos de primeiro ano durante esta primeira semana. Dividimos esses alunos em 12 grupos de atendimento, que encontraremos para prestar auxílio", explica Otacílio Bessa, diretor da escola Adauto Bezerra.

Todos os alunos serão recebidos na quadra da escola, onde serão orientados a como fazer uso das plataformas virtuais. Apesar do manifesto desejo de retomar o modelo de ensino presencial, o diretor pede cautela.

"Todos nós queremos voltar ao presencial. Mas só o faremos quando as condições forem favoráveis para os profissionais de ensino, os estudantes e suas famílias", relata o diretor.

Representantes de professores e estudantes visitam escola César Cals, em Fortaleza
Foto: Barbara Moira
Representantes de professores e estudantes visitam escola César Cals, em Fortaleza

Para William Matheus, presidente da União Estudantil Fortaleza (Uneforte) e diretor da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), representante dos estudantes na visita realizada pela Apeoc, a condição de cada colégio deve ser levada em consideração na decisão de optar pelo modelo híbrido.

"Nós somos os principais interessados que o ensino volte à sua normalidade, mas tanto estudantes quanto professores concordam que isso só deve acontecer quando houver condições necessárias para isso. Temos um cenário em que a evasão começa a aumentar. Sabemos que a educação não pode continuar como era antes, a tecnologia tem que andar em paralelo à educação nesse processo de retorno às aulas", completa.

A última escola a ser visitada, Dr.César Cals, no bairro Farias Brito, também seguirá no modelo remoto. O diretor da instituição, Eliseu Paiva Rodrigues, acredita que ainda não há condições de uma retomada presencial na escola.

"Eu compreendo que os professores não possuem condições de dar aulas com qualidade no modelo presencial diante da preocupação com a pandemia. Na escola, o máximo que vamos utilizar é uma máscara, e muitos adolescentes podem não entender o grau de perigo que podem levar ao outro. Não acho justo que as aulas voltem sem que professor, o merendeiro, o porteiro estejam vacinados", explica Eliseu.

Mesmo adotando o modelo remoto, a escola seguirá a tendência das demais ao receber os estudantes novatos de primeiro ano, apenas durante a primeira semana. O intuito é introduzi-los ao meio escolar.

"Temos 500 alunos que vão entrar na escola e vou atender essa demanda de maneira individual, turma por turma. A escola vai explicar para o pai e para o aluno o que é o ensino online. Além de alertar sobre a pandemia e as precauções que devem ser adotadas. Já estou com algumas máscaras para entregar para esses alunos", conta.

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A Seduc informou, em nota, que as salas de aula estão preparadas para receber 35% da capacidade de alunos, seguindo os protocolos de segurança sanitária e regras de distanciamento.

Ao fim das visitas, o presidente da Apeoc, Anízio Melo, fez um balanço do primeiro dia de aulas na rede estadual e do que foi visto in loco. As visitas devem seguir ao longo da semana.

"É um momento muito importante. Nós visitamos essas três primeiras escolas. Constatamos dificuldades estruturais em duas delas, mesmo se quisessem implantar o sistema híbrido, teriam dificuldades. Vimos que as escolas fizeram a discussão com as comunidades escolares, percebemos que as primeiras optaram por manter a atividade remota. Até o fim da semana queremos ter um quadro maior para entendermos como funcionará o ensino no Estado", explica Anízio.

Na agenda desta terça-feira, 2, estão previstas visitas, a partir das 9 horas da manhã, em mais trêsescolas: Otávio Terceiro de Farias (bairro José Walter), Onélio Porto (bairro José Walter) eLiceu Domingos Brasileiro (Planalto Airton Sena).

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Enem

Entre o fim do ano passado e o início deste ano, 56 escolas estaduais tiveram aulas presenciais em preparação para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). O POVO acompanhou uma dessas aulas e mostrou como foi (confira aqui).