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Sindicato realiza pesquisa com servidores do IFCE sobre aulas remotas

Levantamento foi divulgada pelo Sindsifce nesta segunda-feira, 3, e ouviu 544 servidores da instituição, o que corresponde a 15,32% do total de profissionais ativos

18:45 | 03/08/2020
Instituição optou por aulas remotas como meio de seguir com o calendário acadêmico (Foto: Divulgação)
Instituição optou por aulas remotas como meio de seguir com o calendário acadêmico (Foto: Divulgação)

Atualizada e *corrigida às 16:25min de terça-feira,4

Nesta segunda-feira, 3, o Sindicato dos Servidores do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (Sindsifce) divulgou uma pesquisa realizada com 544 técnicos e docentes da instituição sobre o ensino remoto adotado na instituição desde junho. Dentre estes participantes, a maioria (76,1%) declara ser contra a modalidade de ensino não-presencial adotada desde junho. Esta parcela de servidores, porém, corresponde a 15,32% do total de profissionais ativos, que de acordo com quadro de referência atualizado em junho pelo IFCE, são 3.551 ao todo.

Segundo o Sindfice, o levantamento contou com servidores, pessoal dos setores técnico-administrativos e docentes da instituição, que responderam sobre a experiência com o ensino remoto que vivenciam. Entre os entrevistados, 30,1% afirmaram que estão insatisfeitos com trabalho não presencial e 42,2% se posicionaram entre os "poucos" satisfeitos, enquanto 20,3% se posicionaram como satisfeitos com situação.

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Quanto às condições técnicas e emocionais, 47% dos servidores ouvidos afirmaram que se sentem apenas “em parte” preparados tecnicamente para o ensino a distância e 30,7% afirmaram que não detêm de meios suficientes para a volta remota das atividades. Outros 48,6% ainda justificaram que não estão prontos emocionalmente para o retorno, devido aos impactos provocados pela pandemia.

O levantamento também apontou que 29,7% dos entrevistados afirmaram que poucas vezes se sentiram amparados pelo IFCE durante a pandemia; 14,8% nunca se sentiram acolhidos e 8,9% afirmaram que foram, de alguma forma, amparados pela instituição. Ao todo, 39,8% ainda avaliaram que as tomadas de decisões da entidade são "pouco democráticas" e 17% consideraram não haver democracia nas deliberações administrativas.

Processo judicial

O resultado desse levantamento tem como pano de fundo uma "luta" travada pelos servidores desde o inicio de junho deste ano, quando a instituição anunciou que retomaria com as atividades de ensino de forma remota. Em resposta à decisão, servidores se reuniram em Assembleia Geral e decidiram recusar a retomada do calendário acadêmico.

Como principais argumentos, os docentes, técnicos e demais profissionais alegaram que o retorno com aulas on-line prejudicaria alunos que não têm acesso à internet e que isso provocaria uma "precarização" do ensino. Para barrar de forma efetiva o calendário, os servidores entraram com ação judicial contra o Instituto e ainda levantaram a hipótese de greve.

Em unidades do IFCE em Fortaleza, no entanto, o calendário acadêmico seguiu e o semestre letivo teve inicio — de forma remota —, ainda em julho. O pedido feito pelos servidores à Justiça, para que a decisão institucional fosse barrada, foi negado e o Sindsifce agora afirma que entrará com recurso para reverter situação.

Posicionamento da gestão

Em nota encaminhada ao O POVO, a reitoria do IFCE afirmou que o Instituto conta atualmente com 3.544 servidores, sendo apenas 15% deles participantes da pesquisa promovida pelo Sindicato. Nesse contexto, entidade de ensino considerou que levantamento "não reflete o posicionamento da maioria dos servidores da instituição", afirmando ainda que o "trabalho e o ensino remotos são formas de cuidado e preservação da saúde pública em um momento de pandemia".

A reitoria também alegou que não existiu imposição do ensino remoto, como afirmado por pesquisa. A adesão ainda teria se dado de forma "gradual e voluntária por parte dos cursos em cada campus e dos alunos" já em junho, estando neste mês de agosto as 31 unidades do IFCE com aulas remotas.

Para que processo fosse possível, o IFCE garantiu que capacitou "mais de 1.600 professores em tecnologias digitais, distribuiu 20 mil chips com acesso à internet e está adquirindo 4.500 tablets de última geração para garantir o acesso do maior número de estudantes a essa modalidade de ensino", lembrando que ainda não existe previsão de retorno das aulas presenciais.

A entidade ainda pontua que está agindo em legalidade, pois teve decisão judicial favorável a manutenção das atividades remotas no IFCE. "Segundo a decisão, o que se está buscando é viabilizar que o processo de ensino-aprendizagem tenha prosseguimento e que os alunos não sejam ainda mais prejudicados", pontua texto.

Por fim, gestão afirma que o IFCE foi umas das primeiras instituições no Estado a suspender o seu calendário letivo e que realizou ações como a criação de um Comitê de Enfrentamento ao Coronavírus, adoção de auxílio financeiro aos alunos vulneráveis economicamente e criação de núcleos de atendimento aos seus servidores.