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102 sismos são registrados durante a madrugada em Quixeramobim

A aérea é estudada pelo LabSis da UFRN desde março quando os primeiros tremores passaram a ser sentidos. A atividade sísmica na região se concentra em localidades nos limites entre os municípios de Quixeramobim, Boa Viagem e Madalena
23:48 | Jul. 24, 2019
Autor Wanderson Trindade
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Wanderson Trindade Repórter
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Tipo Notícia

Passava 26 minutos da meia-noite, nesta quarta-feira, 24, quando o primeiro tremor de terra com epicentro em Quixeramobim, no Sertão Central, foi registrado. Até às 9 horas, os tremores sucessivos na cidade chegaram ao número de 102. O maior abalo se deu às 2 horas e 46 minutos, teve magnitude de 2.5 na Escala Richter, e também foi sentido nos municípios de Madalena e Boa Viagem. Foi este tremor que acordou uma parte da população na comunidade de São Joaquim, no distrito de Passagem, na zona rural de Quixeramobim. Os registros, entendidos como enxame sísmico, foram monitorados pelas cincos estações do Laboratório Sismológico (LabSis) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

“A gente escuta um estrondo, e uns cinco, seis segundos depois vem os tremores. Muita gente se assustou, e não conseguiu mais dormir”, é o que conta Ivanildo Torres, diretor da Escola de Ensino Fundamental General Wicar Parente de Paula Pessoa, , falando que, por serem em sequência, os eventos deixaram a comunidade "intrigada". São Joaquim fica nos limites entre as cidades de Quixeramobim, Madalena e Boa Viagem. É essa área limítrofe que é tida como o local em que os abalos sísmicos têm sua origem. Desde o dia 18 de março, os eventos começaram a ser sentidos pela população do local. Em 18 de abril, foi registrado uma atividade sísmica de 3.3 de magnitude.

O geofísico e sismólogo da Rede Sismográfica Brasileira e do LabSis Eduardo Menezes explica que a cidade é uma área nova de estudos de atividades sísmicas e que havia ocorrido uma diminuição dos registros. “Nesta madrugada, tivemos uma nova reativação da falha (geológica) com vários tremores”, conta. Por se tratar de fenômeno sem previsibilidade, o sismólogo indica que não estão descartadas as possibilidades de ocorrerem outros tremores.

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Por isso, a recomendação da Defesa Civil do Estado, que tem mantido trabalhos constantes na região, é informar a população de como lidar com a atividade sísmica. É o que explica Francisco das Chagas Brandão Melo, chefe do Núcleo de Sismologia da Defesa Civil Estadual. Segundo Brandão, as comunidades em torno do epicentro passaram por palestras, receberam cartilhas, e preparações de como devem de proteger.

“Durante os tremores, a recomendação é, ao sentir os primeiros indícios, procurar ficar debaixo de alguma mesa, e se segurar. Assim que passar, procurar uma área livre de edificações, como campos de futebol, por exemplo, para o caso de nova ocorrência”, ensina Brandão. Ivanildo conta que as recomendações são seguidas na comunidade que tem aprendido a conviver com a atividade sísmica. “Informação não falta, mas o medo, infelizmente, não para”, lamenta. Brandão indica que, apesar do temor - que por ter sido de madrugada, a percepção é ampliada - não houve rachaduras nas casas nas ocorrências da madrugada do dia 24.

Tremores do Ceará

Brandão conta que “é comum a terra tremer no Ceará”. O Estado registrou em 1980 o tremor de maior magnitude do Nordeste, registro de 5.3, em Chorozinho Com registro desde 1807, em Pereiro, as atividades sísmicas já foram sentidas em 52 municípios do Ceará. Atualmente, além de Quixeramobim, o LabSis mantém áreas de estudo em Sobral, Hidrolândia, Senador Sá, Palhano, Granja e Santana do Acaraú. Em Palhano, Brandão explica que foi posto em prática projeto de 20 casas sismo-resistentes, em que as casas são preparadas com cinta de concreto armado e pilares para suportarem os sismos.

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