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Ceará
atividades sísmicas

Quixeramobim registra mais de mil tremores de terra em menos de dois meses

Os registros foram feitos entre 18 de março e a última quarta-feira, 1º de maio e já chegaram a atingir 3.3 de magnitude na Escala Richter

13:12 | 04/05/2019
Os registros foram feitos entre 18 de março e a última quarta-feira, 1º de maio e já chegaram a atingir 3.3 de magnitude na Escala Richter
Os registros foram feitos entre 18 de março e a última quarta-feira, 1º de maio e já chegaram a atingir 3.3 de magnitude na Escala Richter(Foto: Divulgação / RSBR)

Cidade que indica o marco zero do Ceará, Quixeramobim passa por período pouco comum no Brasil. De acordo com a Rede Sismográfica Brasileira (RSBR), o município chegou a registrar 1.052 tremores de terra em menos de dois meses. Tal fenômeno é conhecido por “enxame sísmico” e a evolução de seus impactos é imprevisível.

Até o momento, o fenômeno não causou nenhum acidente grave, mas rachaduras e quedas de telhas foram percebidas na cidade. Os registros foram feitos entre 18 de março e a última quarta-feira, 1º de maio.

Diferentemente dos eventos “normais”, quando há um tremor principal e pré ou pós choques, os enxames sísmicos são caracterizados pela incidência de grande número de tremores em certo período de tempo, em uma única área. Segundo a RSBR, possíveis fatores que podem influenciar nessas manifestações são a reativação de falhas geológicas, a acumulação de pressão sob a superfície da Terra e a ruptura rochosas.

“Este é um momento de muita atenção, pois a atividade sísmica da região pode parar de repente ou gerar um terremoto de maior magnitude. Estamos atuando em colaboração com a Defesa Civil para esclarecer a população e instalamos, com o apoio da Prefeitura de Quixeramobim, novos links de internet nas estações para fortalecer as informações fornecidas pelo monitoramento", afirma o sismólogo Eduardo Menezes.

Ele faz parte da RSBR, que é a responsável pelo monitoramento da sismicidade brasileira, obtendo informações por meio de mais de 80 estações. No Brasil os terremotos não são descartados, tanto é que desde o começo deste ano, mais de 70 sismos de magnitude maior do que 1 já foram registrados no País.

Em Quixeramobim, os picos da evolução da sismicidade foram assinalados em tremor de magnitude 2.9 na Escala Richter, em 20 de março; seguido por evento de 3.0, em 30 de março; e de 3.3, em 18 de abril. Este último também foi sentido nos municípios de Boa Viagem e Madalena. Na ocasião, moradores relataram ter ouvido forte estrondo no momento do abalo.

A Defesa Civil recomenda que, em situação de tremor de terra, a pessoa deve tentar manter a calma e não entrar em pânico. Se estiver dentro de casa, o ideal é que saia dela de maneira ordenada, sem correria. Para pessoas que moram em locais com recorrência de tremores, o ideal é construir uma casa cujo espaçamento entre as ripas seja igual ou inferior a 25 centímetros, para que as telhas fiquem firmes.

Escala Richter

É uma escala que se inicia no grau zero e é infinita (teoricamente). No entanto, nunca foi registrado terremoto igual ou superior a 10 graus nessa medição. Ela se baseia em um princípio logarítmico, ou seja, um terremoto de magnitude 6, por exemplo, produz efeitos dez vezes maiores que um outro de 5, e assim sucessivamente.

Terremotos no Brasil e no Mundo

Os terremotos são ocasionados por falhas geológicas, vulcanismos ou pelo encontro de placas tectônicas. O maior tremor já registrado no mundo aconteceu em 22 de maio de 1960, na cidade de Valdivia, no Chile. Alcançando 9.5 de magnitude na Escala Richter, o evento vitimou duas mil pessoas, deixando dois milhões de feridos.

O fenômeno foi ocasionado pelo encontro entre as placas tectônicas Nazca e Sul-americana. Por estar muito próximo à zona de convergência das duas placas, o Chile é o país com maior atividade sísmica da América Latina.

À época, conforme noticiado pelo O POVO, o abalo feriu moradores e provocou a morte de uma criança de quatro meses de idade
À época, conforme noticiado pelo O POVO, o abalo feriu moradores e provocou a morte de uma criança de quatro meses de idade (Foto: O POVO.Doc)

Por outro lado, mesmo localizado no centro da Placa Sul-americana, o Brasil não está livre. Vários tremores de terra já foram registrados pelo País, inclusive no Ceará. Em 20 de outubro de 1988, Pacajus, na Região Metropolitana de Fortaleza, também sofreu com tremor de terra 5.5 de magnitude na Escala Richter. O evento foi sentido na Capital.

Conforme noticiado pelo O POVO, o abalo feriu alguns moradores e provocou a morte de uma criança de quatro meses de idade, residente no povoado de Feijão.

Wanderson Trindade