Novo modelo de representação do Cerrado pode ajudar a avaliar o impacto das mudanças climáticas

Novo modelo de representação do Cerrado pode ajudar a avaliar o impacto das mudanças climáticas

Os resultados oferecem uma base de dados para a criação de estratégias de conservação, planejamento do uso da terra e de ações de mitigação climática
Atualizado às Autor Gabriele Félix Tipo Notícia

Pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) e do Potsdam Institute for Climate Impact Research (Alemanha) desenvolveram um novo tipo de planta funcional que pode ajudar a aprimorar previsões sobre os impactos das mudanças climáticas no Cerrado. A novidade foi publicada na revista Biogeosciences, no dia 6 de janeiro.

A árvore, batizada de Tropical Broadleaved Savanna Tree (TrBS), é uma representação virtual de uma planta típica do bioma, que combina características ecológicas-chave da vegetação do Cerrado, como relações alométricas Relação entre o tamanho e a forma. Avalia como as características do organismo muda com a variação de tamanho específicas, densidade da madeira, área foliar específica, estratégias de enraizamento profundo e características adaptadas ao fogo.

O modelo pode aprimorar simulações sobre o impacto do fogo e de outros cenários climáticos na vegetação de savana, oferecendo uma representação das dinâmicas ecológicas, do ciclo de carbono e das interações entre clima e vegetação.

A pesquisa também ajuda a refletir com mais precisão a sazonalidade e a extensão das queimadas no bioma. Entre janeiro e julho do ano passado, o Cerrado registrou 1,2 milhão de hectares queimados, o correspondente a metade de toda a área queimada no Brasil no mesmo período, de acordo com dados do Monitor de Fogo, do MapBiomas.

A pesquisa visa preencher lacunas quanto à sub-representação do segundo maior bioma da América do Sul nos Modelos Dinâmicos Globais de Vegetação (DGVMs).

Novo modelo viabiliza avaliações mais críticas dos esforços de restauração

Um levantamento realizado pelos pesquisadores, com dados do MapBiomas Fogo, revelou que mais de 10,5 milhões de hectares foram queimados no Cerrado somente em 2024. Desse total, mais de 98% das causas das queimadas estão relacionadas à atividade humana.

No Cerrado, o comportamento do fogo está ligado aos ciclos sazonais, sendo o déficit de pressão de vapor (DPV) um fator-chave que determina esse comportamento. O DVP afeta a taxa de propagação e a intensidade do fogo, sendo que valores mais altos resultam em incêndios mais rápidos e intensos em um determinado leito de combustível. 

 

Por ser um ambiente propício ao fogo, as árvores do Cerrado apresentam diversas adaptações que lhes permitem sobreviver aos danos causados pelos incêndios. Entre elas: órgãos subterrâneos que promovem a rebrota após o fogo, casca espessa que isola e protege os tecidos internos, ramos terminais robustos, folhas concentradas nas extremidades dos ramos e estípulas persistentes que resguardam as gemas apicais, características que minimizam os danos provocados pelo fogo.

No artigo, os pesquisadores defendem que a criação de um Tipo Funcional de Planta (TFP) específico de Savana, aprimora significativamente a representação da vegetação e da dinâmica do fogo no Brasil.

O novo modelo viabiliza investigações mais realistas sobre a dinâmica futura desses biomas e possibilita uma avaliação mais crítica dos esforços de restauração nesse tipo específico de vegetação.

Os resultados obtidos na pesquisa possibilitam avaliações mais precisas sobre recuperação, reflorestamento e regeneração nesses ecossistemas singulares, oferecendo uma base para estratégias de conservação, planejamento do uso da terra e de ações de mitigação climática em paisagens propensas ao fogo, como o Cerrado.

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