Abelhas têm capacidade de voo afetadas por inseticidas usados no Brasil
A pesquisa comparou a mortalidade e as implicações motoras em abelhas expostas de duas maneiras: por pulverização direta e pela ingestão de dieta contaminada
Um estudo da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) apontou que inseticidas utilizados no Brasil, reduziu a taxa de sobrevivência e diminui a capacidade de voo das Abelhas-europeias — Apis mellifera.
A pesquisa foi coordenada por Ewerton Marinho da Costa, engenheiro agrônomo, doutor em fitotecnia e docente da UFCG, e realizado no Laboratório de Entomologia, do Centro de Ciências e Tecnologia Agroalimentar (CCTA), da UFCG.
A exposição das abelhas pode ocorrer por contato direto com pulverizações, ingestão de alimentos contaminados ou contato com resíduos vegetais, podendo causar efeitos letais ou sub letais, como alterações fisiológicas, redução da aprendizagem, tremores, paralisia e diminuição da capacidade de voo.
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Os resultados da pesquisa foram detalhados no artigo intitulado “Survival and flight ability of Apis mellifera after exposure to anthranilic diamide insecticides”, publicado no site Brazilian Journal of Biology. O periódico também evidenciou que 75% da produção mundial de alimentos depende da polinização.
A pesquisa comparou a mortalidade e as implicações motoras em abelhas expostas de duas maneiras: por pulverização direta e pela ingestão de dieta contaminada. As análises foram realizadas em laboratório.
Os resultados mostraram baixa mortalidade para ambos os inseticidas, mas com diferenças importantes entre os modos de exposição.
Também foi avaliada a capacidade de voo das abelhas, que é essencial a polinização e a manutenção da colônia. A comparação foi feita com abelhas pulverizadas com água destilada.
“A capacidade de voo das abelhas foi afetada, mesmo que de maneira sutil, após a exposição direta às gotículas da pulverização com os inseticidas”, afirmou Ewerton em nota à imprensa.
Conforme o pesquisador, estudar a capacidade de voo é crucial, pois existem inseticidas que podem não proporcionar elevada mortalidade, mas podem prejudicar a mobilidade dos insetos.
Qualquer prejuízo na mobilidade pode proporcionar falhas na polinização e redução drástica na obtenção de alimento.
Pesquisa aponta que 50% das colônias de abelhas sejam perdidas anualmente
O experimento foi conduzido em laboratório, testando cinco doses comerciais de cada inseticida, em dois modos de exposição: pulverização direta sobre as abelhas e ingestão de dieta contaminada.
“Ambos os inseticidas causaram baixa mortalidade, independentemente do modo de exposição e da dose, porém o Ciantraniliprole foi mais tóxico quando ingerido. A capacidade de voo foi afetada principalmente pela pulverização direta nas maiores doses”, disse o documento.
Embora considerados de baixo risco, a exposição direta a esses inseticidas afetou a capacidade de voo da abelha-europeia, como também é conhecida.
O ensaio estima que aproximadamente 50% das colônias de abelhas sejam perdidas anualmente, sendo o uso de pesticidas apontado como principal causa.
O Ciantraniliprole causou taxas de mortalidade entre 21,3% e 58,6%. Já a menor dose de Clorantraniliprole não diferiu do controle absoluto. Apesar de causarem baixa mortalidade, o estudo destacou que os inseticidas avaliados provocaram paralisia em todas as abelhas antes da morte.
Quanto ao efeito dos químicos sobre o comportamento de voo após ingestão de dieta contaminada, não foi observada diferença significativa, independentemente do ingrediente ativo, da dose ou do tempo de exposição.
Em conclusão, a pesquisa afirma que "os inseticidas apresentaram baixa toxicidade letal aguda para operárias adultas de Apis mellifera, independentemente da dose ou do modo de exposição".
Já a capacidade de locomoção foi negativamente afetada pelos químicos quando aplicados por pulverização direta, especialmente nas maiores doses utilizadas. Além disso, reduzem a aptidão individual e podem, em última instância, ameaçar a sobrevivência da colônia.
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