"Tem nada de escravidão", diz médico que filmou funcionário negro acorrentado

Em novo vídeo, o médico questiona o funcionário sobre a repercussão do caso e o rapaz responde: "O povo tem é que trabalhar"

Após a repercussão negativa das cenas em que um homem negro aparece acorrentado até o pescoço na cidade de Goiás, antiga capital do estado de Goiás, o autor das imagens, o médico Marcos Antônio Souza Júnior, gravou um novo vídeo na quarta-feira, 16, ao lado do funcionário que aparece no vídeo para dizer que “não tem nada de escravidão”.

No novo registro publicado nas redes sociais, o Marcos Antônio, conhecido na região como Doutor Marcim, questiona o funcionário acerca do que ele acha da repercussão do primeiro vídeo, no que o rapaz responde: “O povo tem é que trabalhar. A vida melhor que Deus deu para o homem foi trabalhar, moçada”.

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Logo em seguida, o médico completa: “Aqui é tranquilidade, paz. Não tem nada de escravidão. Quem não queria uma vida dessa.”

O primeiro vídeo, com o homem acorrentado, foi gravado nas dependências de uma escola municipal e publicado no perfil do Instagram do médico na terça-feira, 15. Nas imagens, Marcos Antônio mostra o funcionário acorretando e afirma: "Falei para estudar, ele não quer. Agora vai ficar na minha senzala".

Após repercussão, o post foi excluído. Um inquérito foi aberto para investigar o caso e apura possível crime de injúria racial cometido pelo médico. Em depoimento à Polícia Civil, o Marcos Antônio informou que a ação era apenas uma brincadeira.

Apesar da justificativa, de acordo com o delegado Gustavo Cabral, Marcos Antônio pode pegar até cinco anos de prisão pelo crime.

“É terrível ver esse racismo estrutural ocorrendo. É terrível ver a própria vítima consentir na mente dela com essa situação, isso precisa ser mudado. Espero que esse caso, além da punição individual para essa pessoa, sirva de aprendizado para toda sociedade", afirmou o delegado Gustavo Cabral ao portal G1.

Através de nota, a prefeitura de Goiás afirmou que repudia a situação: “o ato divulgado, sem explicação aceitável, causa profunda repulsa e deve ser objeto de investigação e apuração pela autoridade policial competente, para uma célere instrução e responsabilização nos termos da lei”.

Segundo o G1, o Conselho Regional de Medicina de Goiás (Cremego) informou que não vai comentar o caso.

 

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