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Round 6 se populariza entre crianças e adolescentes; segundo especialistas, pais devem ter atenção

Apesar de ter o roteiro repleto de brincadeiras infantis, o seriado sul-coreano é marcado pela violência. A popularização do conteúdo entre crianças e adolescentes pode ser prejudicial a sua saúde mental
04:52 | Out. 28, 2021
Autor Isabela Queiroz
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Isabela Queiroz Jornal
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Tipo Notícia

Lançada no último mês de setembro, a série sul-coreana "Round 6" (Squid Game, nome original), já se tornou a mais assistida da plataforma de streaming Netflix, alcançando 111 milhões de perfis de usuários. Apesar do sucesso, a popularização do seriado vem causando preocupação entre pais e escolas. Isso porque mesmo com a classificação indicativa para maiores de 16 anos, muitas crianças e adolescentes com idade abaixo do recomendado assistiram à série.

No Paraná, o Departamento de Justiça da Secretaria de Justiça, Família e Trabalho (Sejuf), por meio do Programa Reconecte Paraná, emitiu um alerta para a Rede de Proteção a Infância recomendando que pais e responsáveis fiquem atentos e orientem os menores quanto ao conteúdo da série. Segundo a Sejuf, mesmo adolescentes de 16 anos podem não possuir características perceptivas, intelectuais e mentais em condições de acessar conteúdos bárbaros como os anunciados, sem prejuízos de várias ordens para a sua integridade mental.

Escolas de Salvador (BA) já haviam emitido um comunicado neste mês, alertando aos pais de que o seriado pode atrair as crianças por ter em seu roteiro brincadeiras populares, mas pode ser extremamente prejudicial a elas pois sua trama é marcada por violência. Na França, na última quarta-feira, 13, cinco crianças foram hospitalizadas após tentarem reproduzir brincadeiras do seriado.

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De acordo com o jornal Le Parisien, o acidente aconteceu em uma escola da região da Ilha de França, crianças do sexto ano repetiram um dos jogos de "Round 6" com outras crianças do terceiro ano. A escola teria aberto processo para expulsar três estudantes. O estado das crianças hospitalizadas não foi divulgado.

No Ceará ainda não houve posicionamento das instituições de ensino ou do poder público em relação ao conteúdo de "Round 6". Para a psicopedagoga Gabriela Accioly, esse posicionamento das escolas em relação à exposição das crianças à série é muito importante. Segundo ela, mesmo sendo um papel principalmente da família, a escola tem o dever social de orientar, promovendo debates e diálogos sobre o tema.

Gabriela afirma que é preocupante como as crianças estão tendo alta exposição a telas e acesso à internet cada vez mais cedo. “Essas crianças podem ter problemas com pesadelos, insônia, por não ter maturidade suficiente para diferenciar realidade de ficção. Eu trabalho com crianças que sofrem bullying, por exemplo, e esse tipo de conteúdo pode despertar gatilhos emocionais”, afirma.

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Com a popularização da série nas redes sociais, crianças com idade abaixo do recomendado pela classificação indicativa assistiram ou tiveram acesso a algum conteúdo sobre Round 6. “Ouço muitos relatos de crianças que escutam os colegas da escola falando da série, o conteúdo dela já está em jogos também, e essa popularização tem feito com que as informações sobre a série se alastrem”, explica.

A Psicóloga Djanira de Sousa ressalta que as restrições de visualização por classificação etária nos filmes e séries não existem por acaso. “Elas são o resultado da avaliação de especialistas sobre o que pode não ser interessante ou mesmo apropriado para determinadas faixas de desenvolvimento, pois podem ser conteúdos difíceis de serem consumidos de forma saudável para crianças e adolescentes”, explica.

Djanira orienta que proibir talvez não tenha tanto efeito. Por isso, é importante que a família construa um canal de comunicação com os filhos e converse sobre o que é adequado e saudável para a idade deles. Além de aproveitar a situação para pensar em alternativas de diversão e lazer, refletindo juntos sobre possibilidades de escolhas e de outras opções que sejam interessantes para as crianças e para a família.

Entretanto, a psicóloga afirma que os limites devem ser estabelecidos de modo firme e seguro pelos pais, além disso, precisam estar claros para as crianças e adolescentes. Ela explica ainda que o fato de assistirem cenas impactantes de violência não fará com que crianças e adolescentes se tornem pessoas violentas ou com personalidades perversas. No entanto, quando ainda pequenas, elas não desenvolveram recursos cognitivos e emocionais para compreenderem adequadamente algumas situações que envolvem morte, suicídio, crueldade, dentre outros.

Para Djanira, devido ao contexto da Pandemia de Covid-19 e as medidas de distanciamento, isolamento e restrições de contatos sociais, profissionais e escolares, é importante supervisionar e cuidar daquilo que as crianças e adolescentes estão entrando em contato para não agravar sentimentos negativos como fragilidade, ansiedade, angústia e tristeza, que já atinge tanto os adultos quanto as crianças e adolescentes.

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