PUBLICIDADE
Brasil
NOTÍCIA

Governo admite que Weintraub pediu exoneração só após chegar aos EUA

As informação é do jornal Estadão. Segundo a Secretaria-Geral da Presidência, foi o próprio Weintraub quem solicitou que o prazo da demissão fosse contado de forma retroativa

12:59 | 23/06/2020
A medida foi assinada pelo ex-ministro horas antes de anunciar sua saída do MEC (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
A medida foi assinada pelo ex-ministro horas antes de anunciar sua saída do MEC (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O Governo Federal admitiu, em nota, que o pedido de demissão ex ministro da Educação, Abraham Weintraub, só ocorreu após ele deixar o País no último sábado, 20. Segundo a Secretaria-Geral da Presidência, foi o próprio Weintraub quem solicitou que o prazo da demissão fosse contado de forma retroativa. Na correção publicada nesta terça, 23, a data da saída do cargo consta como sexta-feira, 19. As informações são do jornal Estadão. Weintraub anunciou sua saída quinta-feira passada, dia 18. No anúncio, o ex-ministro publicou um vídeo em que aparece ao lado presidente Jair Bolsonaro. Ele lê um texto, depois Bolsonaro pede a palavra e os dois terminam o vídeo se abraçando.

Conforme Estadão, a suspeita é que Weintraub tenha usado a sua condição de ministro para desembarcar em Miami no sábado passado e, assim, driblar as restrições de viagens para brasileiros em razão da pandemia de Covid-19. O ministro é investigado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e chegou a admitir em entrevista que temia ser preso. Horas depois de ele chegar aos EUA, o governo brasileiro publicou edição extraordinária do Diário Oficial com sua exoneração, com a data de 20 de junho.

LEIA TAMBÉM |  Abraham Weintraub diz que está saindo do Brasil "o mais rápido possível" 

A publicação da errata, alterando a data para 19 de junho, ocorreu após questionamentos sobre possível colaboração de órgãos oficiais à saída de Weintraub do País. Ontem, o Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União ingressou com uma representação para que a Corte apure se houve participação irregular do Itamaraty na viagem do ex-ministro.

A Secretaria-Geral admite, em nota, que a carta com o pedido de demissão só foi entregue por Weintraub no dia 20 de junho, após já ter deixado o País.

"A carta em que o então ministro da Educação solicitou ao presidente da República a exoneração do cargo de ministro de Estado foi entregue ao Secretário-Geral no dia 20 de junho, sábado, que determinou a publicação em Diário Oficial da União extra", diz a nota da Secretaria-Geral.

"A entrada oficial do documento na Secretaria-Geral da Presidência da República ocorreu no dia 22 de junho, segunda-feira. Entretanto, na carta, o então ministro da Educação solicitou exoneração do cargo a contar de 19 de junho de 2020, motivo pelo qual o ato foi retificado", segue o texto.

No Twitter, Weintraub afirmou ontem que recebeu a ajuda de "dezenas de pessoas" para "chegar em segurança aos Estados Unidos". "Agradeço a todos que me ajudaram a chegar em segurança aos EUA, seja aos que agiram diretamente [foram dezenas de pessoas] ou aos que oram por mim", postou o ex-ministro.