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AI-5. Relatos de autoridades da época
01:30 | Dez. 13, 2018
Autor O POVO
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Se o impacto devastador do AI-5 sobre os direitos individuais parece claro 50 anos depois, autoridades da época minimizavam - quando não se omitiam de qualquer julgamento - o teor ditatorial das mudanças baixadas pelo governo militar. Nos dias seguintes à edição do decreto, membros do regime e líderes políticos evitavam comentar as primeiras notícias de prisões arbitrárias e de 

"sumiço" de opositores dos militares.

 

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"A situação em todo o território nacional é tranquilíssima", disse em 15 de dezembro, em declaração oficial, o ministro da Justiça e um dos signatários do ato, Gama e Silva. Àquela altura, três ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) já haviam tido processos de aposentadoria compulsória abertos, vários deputados de todo o País presos e alguns jornais - incluindo O Estado de São Paulo - impedidos de circular.

 

A primeira declaração oficial da Ditadura ao Ceará só viria dias depois, registrada na edição de 19 de dezembro do O POVO. Comandante do IV Exército, responsável pelo comando militar do Nordeste, general Alfredo Souto Malan também reforçou tese de calmaria. "Àqueles que constituem reconhecida minoria, advirto que encontrarão pela frente a totalidade dos brasileiros autênticos e, entre eles, soldados da Pátria, decididos e dispostos, todos, a cumprirem seus sagrados deveres". E conclui: "Unamo-nos todos pelo bem do Brasil".

 

Na mesma página do jornal, é noticiada a prisão em Teresina de um sósia de Márcio Moreira Alves, pivô da crise que levou ao AI-5 após um discurso crítico à Ditadura no plenário da Câmara dos Deputados. "O comando da guarnição federal foi avisado por um funcionário do aeroporto e imediatamente entrou em ação, localizando o rapaz em um dos hotéis de Teresina (...) Era um agente comercial". O Márcio real, que provocou a ira do regime após sugerir boicote da população ao desfile de 7 de setembro e que mulheres não namorassem oficiais do Exército, já havia fugido para o Chile.

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