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Esperança feita de educação e de luta

01:30 | Out. 08, 2018
Autor Domitila Andrade
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Domitila Andrade Repórter Esportes
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Tipo Notícia
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Por dentro daqueles muros, a esperança atende pelo nome de educação. Nas longas filas das seções eleitorais da Universidade Estadual do Ceará (Uece), no Itaperi, e mesmo na tarde calma do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE), no Benfica, as vozes de esperança, às vezes, se entrecortam de medo, mas vão construindo pontes. Vestidos de amarelo, ou preto, de vermelho, ou das cores do arco-íris, a pergunta "onde você deposita sua esperança?" vai se acompanhando de um desejo de que pela educação outros problemas da Nação sejam vencidos.

 

Como é democracia, não há modelo único que abarque que educação é esta capaz de tornar o País melhor. A comerciária Alessandra de Sousa Gomes, 39, põe esperanças em um futuro em que os votos sejam conscientes e critica quem pede retorno da ditadura. Entende que seu projeto de esperança é tecido indubitavelmente com fibras de democracia."As pessoas não sabem que, se estão insatisfeitas, o que poderá trazer mudança é o voto. Minha esperança é que meus netos vivam em um País com mais consciência política e que isso seja ensinado nas escolas".

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Vestida de amarelo vivo e exibindo o nome de Bolsonaro, a estudante Ingrid Vitória, 18, acha que o militarismo, com suas hierarquias e disciplina, é que entalhará uma nação mais próspera. Ingrid também acredita que é a escola, como agora está, que "ensina sobre gênero e impõe o que uma criança deve ser". Vai falando, assim, sobre "respeito e valores cristãos" e vislumbra um País em que um candidato "mude tudo isso que está aí".

 

Neste ponto, a esperança vai sendo guiada pelo medo, feito sombra que se alastra. Sem esboçar sorriso e nem ousar pronunciar o nome do candidato, a universitária Rafaela Souza, 19, conta que o triunfo do presidenciável do PSL transforma a esperança em desalento. "A vitória dele é o meu desespero. O que vejo é um medo muito grande em todos que se enquadram em grupos que ele menospreza, exclui, deseja a morte. Sou lésbica, e convivo com o medo de ser espancada. Se esse homem ganha, eu seria espancada e não haveria indignação. Ele, eleito, é uma violência institucionalizada".

 

É feito da mesma matéria o medo que aflige Rafaela e Aline Duarte, 32. A professora é espelho de muitos: vai se agarrando em esperança "por medo do pior"; pede por paz enquanto inquieta-se pela possibilidade de guerra; monta estratégias e convence a família toda, porque a polarização é, para ela, o caminho mais curto para o retrocesso. "Tenho muito medo do resultado me tirar liberdades, conquistas que já foram alcançadas, de não conseguir ser o que se é. Tenho medo de ter minha existência tolhida. Maior esperança é viver com mais serenidade", deseja.

 

A pedagoga Bárbara Marques, 43, areja. De blusa em que se lê "Lute como uma mulher", é como porto no meio de mar revolto. "Independente do candidato que seja eleito, minha luta é feita no dia a dia, no trabalho, quando vou ao supermercado e converso com alguém, quando passo pelo morador de rua e converso com ele. Não é uma luta para se inserir nos três poderes, mas é uma luta política no sentido de conhecer e abrigar, de convencer as pessoas, principalmente as mulheres, do potencial que elas têm. O poder de mudar não está com candidato que for eleito, está conosco", ensina como uma educadora e dissipa o que há de angústia. Porque, das belezas que a democracia alumia, é que é do povo a escolha de quem o conduz, mas não há nada que consiga barrar a força da esperança que se edifica na resistência.

 

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