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Onde andarão os vices?

01:30 | Jul. 31, 2018
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Ao acompanhar as articulações políticas para as eleições de 2018, não deixam de chamar atenção as dificuldades embutidas na escolha dos candidatos a vice, seja para a disputa presidencial, seja na disputa pelo Governo do Ceará. Os critérios de escolha são os mais variados: do peso eleitoral dos candidatos e/ou partidos às chances de ampliar alianças e oferecer estrutura e recursos para os postulantes, apesar da famigerada busca pela "coerência programática", que parece mobilizar apenas a suposta "opinião pública". Longe de ser uma figura decorativa, o vice tem papel central na política brasileira desde Floriano Peixoto, que assumiu o cargo em 1891, após a renúncia do Marechal Deodoro da Fonseca. Antes eleitos diretamente pelo voto popular, se tornaram peças cruciais em conspirações, golpes e desestabilizações. Não por acaso a decisão de escolher o companheiro de chapa seja um passo decisivo.

 

Ao longo da República não são raros os casos de vices que saíram da posição de coadjuvantes e se tornaram protagonistas. Manuel Vitorino, Café Filho e João Goulart, vices de Prudente de Morais, Getúlio Vargas e Jânio Quadros, respectivamente, se tornaram símbolos de uma política em que o vice disputou espaços, envolvendo-se em acordos palacianos e ganhando notoriedade em períodos turbulentos, com destaque para Goulart, que se manteve por mais tempo no poder. Na redemocratização, três vices ocuparam o principal posto do Governo Federal: José Sarney, Itamar Franco e Michel Temer. Os três oriundos do MDB, partido com forte presença no Legislativo e nos municípios, tendo grande poder (des)estabilizador. Basta lembrarmos que quando a sigla anunciou o fim da aliança com o governo Dilma, que ajudara a (re)eleger, várias lideranças acompanharam a decisão, contribuindo decisivamente para o impeachment. Temer e o MDB sentiram o aroma do poder.

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Parafraseando o ex-presidente Lula, nunca na história do Brasil foi tão difícil escolher um candidato a vice, sobremaneira por termos uma disputa que se ancora numa fragmentação do discurso à direita e à esquerda, com os dois candidatos mais bem posicionados nas pesquisas não conseguindo aglutinar forças partidárias em seu entorno. Como seria em um eventual segundo turno? É possível vermos Marina, Ciro, Bolsonaro e o candidato do PT marchando com chapas "puras" durante o pleito. Caso um deles seja eleito, o que significará um eventual governo destes?

 

Cleyton Monte

Cientista político, pesquisador do Laboratório de Estudos sobre Política, Eleições e Mídia (Lepem) e Membro do Conselho de Leitores do O POVO

 

Emanuel Freitas

Doutor em Sociologia e Professor de Teoria Política da Uece

 

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