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Em resolução, PCdoB quer união das esquerdas contra centrão e Alckmin

| APOIOS | Pressionada pela aliança entre o tucano e partidos conservadores, resolução do PCdoB defendem bloco de esquerda com candidatura única

01:30 | 23/07/2018

 

Cortejado por PT e PDT e sob pressão do centrão, que deve declarar apoio ao pré-candidato Geraldo Alckmin (PSDB), o PCdoB aprovou ontem resolução na qual defende a formação de uma frente de esquerda.

O texto, resultado de encontro do comitê central da sigla, que se reuniu no fim de semana em São Paulo, propõe a criação de um bloco que integre, além do partido, Psol, PSB, PDT e PT.

Para a legenda, trata-se da única saída diante de cenário de “coesão do campo político da direita e centro-direita em torno do candidato Geraldo Alckmin”.

“O PCdoB conclama o PT, PDT, PSB, Psol e demais forças progressistas a construírem a unidade, já no primeiro turno, para vencer as eleições”, registra o documento comunista.

Alvo de investidas dos pré-candidatos Lula e Ciro Gomes (PDT), o PCdB discute três caminhos a seguir na eleição presidencial: manutenção da candidatura da deputada estadual Manuela d’Ávila (RS) ao Planalto, apoio ao ex-governador do Ceará ou ao PT, com o ex-presidente ou alguém indicado por ele.

O anúncio de que os partidos do centrão (DEM, PP, PR, PRB e SD) estarão no palanque do tucano Geraldo Alckmin, na última quinta-feira, precipitou uma corrida ao PCdoB, cujo tempo de televisão e rádio na propaganda política (13 segundos) é vital para as pretensões tanto de petistas quanto de pedetistas.

Presidente estadual da sigla no Ceará, Luiz Carlos Paes afirma que a coalização formada entre o bloco capitaneado pelo DEM e Alckmin acelerou as tratativas para a construção de um polo de esquerda.

“Diante desse quadro político, por esse fortalecimento de uma certa direita, essa posição (de uma frente progressista) se tornou urgente”, conta.

De acordo com o dirigente, o partido decidiu apostar numa chapa única, ainda que nada indique que PT e PDT possam abrir mão de suas candidaturas a fim de instituírem um grupo só.

“O futuro dirá se essas conversações (entre os partidos de esquerda) vão de fato acontecer ou nãoo. O PCdoB não será obstáculo pra essa união. As alternativas estão postas. Buscamos uma unidade mais ampla”, acrescentou.

Paes informa, contudo, que a legenda mantém abertas as negociações unilaterais com Ciro e PT, simultaneamente, caso a proposta de formar um blocão não vingue.

“Obviamente não é isso que queremos, mas estamos estudando tudo”, respondeu. Na hipótese de que não haja entendimento, ele garante que a candidatura de Manuela está de pé.

Uma das presentes ao encontro de ontem, a parlamentar, que oscila entre 1% e 2% nas pesquisas, também vem acenando a uma união à esquerda. “Ela mesma tem declarado que não será obstáculo a uma aliança ampla”, completou Paes.

Na última semana, a presidente do PCdoB, Luciana Santos, encontrou-se com os presidentes do PDT, Carlos Lupi, e do PT, senadora Gleisi Hoffmann.

Ao partido, cuja convenção nacional está prevista para 1º de agosto, as duas siglas sugerem ofertar o mesmo posto – o cargo de vice – na tentativa de atraí-la para a sua chapa.

Sem coligação firmada e sob risco de isolamento, PT e PDT travam queda de braço também pelo do PSB, que aditou encontro que teria na semana passada para o início de agosto, quando deve bater o martelo sobre o futuro na corrida eleitoral. (Henrique Araújo)