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Após posse, ministro do Trabalho sinaliza que pode fazer 'limpa' na pasta

| GOVERNO FEDERAL | Convidado por Michel Temer, Caio Vieira de Mello afirmou ainda que, no momento, não vê necessidade de mudanças na reforma trabalhista

01:30 | 11/07/2018

VIEIRA DE MELLO afirmou que fará exame apurado de todas as situações do ministério VALTER CAMPANATO/ AGÊNCIA BRASIL
VIEIRA DE MELLO afirmou que fará exame apurado de todas as situações do ministério VALTER CAMPANATO/ AGÊNCIA BRASIL
 

Após tomar posse no Ministério do Trabalho, na tarde de ontem, Caio Vieira de Mello, sinalizou que pode fazer uma “limpa” na pasta. “A senhora não faria?”, reagiu, ao ser perguntado sobre possível realização de mudanças nos cargos depois das investigações da Polícia Federal (PF) para averiguar irregularidades na pasta.

 

Ele afirmou que vai “fazer exame apurado de todas as situações”, “inclusive das concessões” de registros sindicais. Ressalvando sempre que era “mineiro” e que não conhecia como o órgão está funcionando, Vieira de Mello comentou: “Mineiro é sempre precavido, e eu, como bom mineiro, vou examinar bem a situação e as medidas que serão tomadas, podem ter certeza, com transparência. Nada será oculto”.

Diante da insistência dos repórteres sobre se considerava a partidarização de um ministério um erro, reagiu: “Não conheço o ministério, mas o Ministério do Trabalho tem de ser extremamente técnico, tem de funcionar”.

Sobre a reforma trabalhista, Mello também foi cauteloso, mas reconheceu que, “se houver necessidade, haverá mudança também”. Para ele, “alteração de legislação é uma coisa normal, a adaptação vai se fazendo pela jurisprudência e o tempo vai mostrando a vantagem ou desvantagem”.

 

Questionado se achava que havia necessidade de mudanças na legislação, declarou: “Não vejo nenhuma necessidade no momento. Eu acho até muito precário a gente emitir opinião a respeito da nova legislação se você não tem um resultado e uma aplicação efetiva dela”.

 

Mello comentou que recebeu o convite do presidente Michel Temer (MDB) para assumir o cargo “com surpresa” e que o fato de faltarem apenas seis meses para o governo acabar não é um problema. Para o novo ministro, o “desafio” o moveu a aceitar o convite.

 

“Se posso dar alguma colaboração, vou dar. Se faltam seis meses, não é problema meu, mas vou tentar nesse período. É uma missão sair de lá com um bom nome como sempre tive”. Mello disse que não queria julgar ninguém sobre o que aconteceu na pasta e que desejava ser julgado pelo que fizesse lá nos próximos seis meses.

 

Depois de reiterar que “sua vida inteira foi limpa”, o novo ministro declarou que o presidente Temer, ao convidá-lo pediu que focasse a criação de empregos. “O comando que ele deu foi técnico. Pediu que desse agilidade ao Ministério do Trabalho, e ajudasse a resolver os problemas que existem”.

 

O ministro insistiu que sua nomeação foi “técnica” e que tem 50 anos de atuação na área trabalhista. Perguntado se deixaria o cargo de consultor no escritório de advocacia de Sérgio Bermudes, onde também trabalha a mulher do ministro do Supremo Tribunal Gilmar Mendes, ele contou que, antes de aceitar o convite, ligou para o advogado, que estava no hospital, avisou que deixaria a função e este lhe desejou sorte.

Agência Brasil