Participamos do

Planalto rejeita adiar votação e vai ao "tudo ou nada" por Previdência

| POLÍTICA | Responsável pela articulação do governo no Congresso, o ministro Carlos Marun disse que "não há possibilidade" de nova mudança na data de votação da medida, agendada para 19 de fevereiro
01:30 | Jan. 22, 2018
Autor Gabrielle Zaranza
Foto do autor
Gabrielle Zaranza Estagiária de Agenda Cultural do Vida&Arte
Ver perfil do autor
Tipo Notícia

[FOTO1]
A menos de um mês da data marcada para início da votação da reforma da Previdência, o governo Michel Temer (MDB) sinaliza que irá partir para o “tudo ou nada” pela aprovação do projeto. Na tarde de ontem, o ministro responsável pela articulação política do governo, Carlos Marun, descartou chance de novo adiamento da proposta, agendada para 19 de fevereiro.


“Não existe essa hipótese”, disse o ministro ao Estado de S. Paulo, se esquivando da pergunta sobre o atual tamanho do apoio à medida entre parlamentares. Caso siga fala de Marun, Temer fica com menos de trinte dias para conseguir os 308 votos necessários para a aprovação da PEC. Em suas últimas projeções, o Planalto contava apoio de 240 deputados.

“É uma questão muito delicada, porque está cercada por um oportunismo eleitoreiro, por uma demagogia mentirosa”, diz o deputado Danilo Forte (DEM), único parlamentar do Ceará a apoiar abertamente a reforma. Apesar de admitir “mudança zero” do quadro na bancada cearense e as dificuldades na conquista de adeptos à proposta, ele defendeu votação da medida.

“Se não fizermos agora, ou o País quebra ou teremos que fazer pior depois”, diz. Ele afirma que, na manhã de hoje, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), se reunirá com bancadas para debater o tema em Brasília. Até agora, Maia tem dito que só colocará a reforma em pauta caso o governo confirme os votos necessários para aprovar a proposta.

[QUOTE1]
Desde o início do ano, o governo tem investido em agenda na busca por votos para a medida. Pensada para“apaziguar” bancada do PTB, posse de Cristiane Brasil (PTB-RJ) deverá ser confirmada hoje, após longa disputa judicial. Filha do ex-deputado Roberto Jefferson, ela teve indicação questionada por conta de condenações na Justiça do Trabalho.

Seja assinante O POVO+

Tenha acesso a todos os conteúdos exclusivos, colunistas, acessos ilimitados e descontos em lojas, farmácias e muito mais.

Assine


“(A liberação da posse) dá tranquilidade para que nós possamos avançar nas conversas com os partidos para aprovar a reforma da Previdência”, disse ao O Globo o líder do governo na Câmara, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB). Segundo ele, cresce entre parlamentares “consciência” de que a reforma “é necessária e combaterá privilégios”.


O próprio Temer saiu “de cabeça” em busca de apoio, mantendo agenda movimentada de reuniões com lideranças religiosas e personalidades de TV. Na semana passada, o peemedebista recebeu, por exemplo, o apóstolo Valdemiro Santiago (Igreja Mundial) e os pastores José Wellington (Assembleia de Deus) e R. R. Soares (Internacional da Graça de Deus).


O presidente chegou a tentar reunião com Silas Malafaia, mas foi rejeitado pelo pastor. No âmbito televisivo, Michel Temer gravou participações nos programas do jornalista Amaury Jr, que deve ser veiculada pela Band no fim do mês, e com o apresentador Silvio Santos. Em ambos, tentou reforçar imagem de que a reforma combaterá privilégios no atual sistema.


Na tarde de ontem, após reuniões com ministros sobre a Previdência, o presidente chamou a imprensa para registrar nova caminhada entre o Palácio do Jaburu ao Alvorada. Ação integra estratégia da assessoria de Temer para “humanizar” imagem do presidente. (Carlos Mazza com agências)

 

AGENDA DE REUNIÕES


Após café da manhã com deputados em Brasília, Rodrigo Maia deverá se reunir ainda no Planalto com Carlos Marun e Michel Temer para debater a reforma

 

QUÓRUM


308 VOTOS PARA APROVAR


Para aprovar a Reforma da Previdência, são necessários 308 votos de deputados . Serão dois turnos para que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) seja aprovada na Câmara dos Deputados.

No fim do ano passado, diante de dificuldades para aprovação da Reforma da Previdência, o Governo apresentou uma proposta mais enxuta.

Os parlamentares já haviam enfrentado, naquele ano, desgastes com aprovação da Reforma Trabalhista e rejeição de duas denúncias contra Michel Temer. 

Dúvidas, Críticas e Sugestões? Fale com a gente