Participamos do

Aposta em juros e inflação em queda

01:30 | Fev. 11, 2017
Autor O POVO
Foto do autor
O POVO Autor
Ver perfil do autor
Tipo Notícia

 

Neila Fontenele

[email protected]

Seja assinante O POVO+

Tenha acesso a todos os conteúdos exclusivos, colunistas, acessos ilimitados e descontos em lojas, farmácias e muito mais.

Assine

O cenário parece melhor para o Brasil. A trajetória projetada para 2017 é de juros e inflação em queda, mesmo diante da possibilidade de aumento do risco nas relações internacionais. A economia nacional começa a apresentar sinais menos melancólicos, embora a política continue expressando fragilidades.


Há uma esperança de parte do mercado em uma perspectiva de recuperação. Na avaliação de alguns executivos, a equipe econômica do governo está no caminho certo. O problema estaria nos ministérios que gastam o dinheiro e ainda não conquistaram confiança. Outro fator de preocupação é a operação Lava Jato, que pode comprometer o governo de Michel Temer e levar o país a novas instabilidades.


Mesmo diante dessas situações, ontem, durante reunião do Comitê de Investimentos realizada na SM Consultoria, o gestor do Fundo XP Macro FIM, Júlio Fernandes, mostrou otimismo na trajetória de recuperação da economia. Os executivos do fundo calculam que os juros podem fechar 2017 em 8,5% e a inflação quase dentro da meta, girando em torno de 4,8%.


Mesmo diante deste cenário, o crescimento econômico nacional ainda seria lento, por volta de 0,1%. A recuperação teria que ser gradativa e levar em conta o que é chamado de “hiato do produto” (a capacidade ociosa da indústria), que ainda é grande.


O Brasil, na avaliação do analista, só aguenta uma melhora no PIB de até 1,5% para crescer sem gerar inflação; mais do que isso traria de volta o ciclo do aumento de preços.


Taxas 1


ECONOMIAS COM CRESCIMENTO LENTO


As grandes economias mundiais continuam com taxas de juros e inflação baixas, e a tendência é que se mantenham assim. A grande interrogação é quanto à economia norte-americana, cujas políticas atuais são consideradas inflacionárias. O Banco Central Norte-Americano (FED) tem meta de inflação de 2%, mas os analistas temem um aumento maior.


Apesar disso, ainda há uma agenda positiva comprada por administradores de fundos nos Estados Unidos, que mantêm a bolsa norte-americana em alta. Uma das motivações desses agentes está na possibilidade de maior oferta de emprego. Estas medidas devem repercutir no mundo todo, inclusive no Brasil.


Júlio Fernandes afirma que as decisões protecionistas de Donald Trump encarecem os preços nos Estados Unidos, porque os produtos que eram produzidos em mercados mais baratos deverão migrar para os EUA, onde os custos são mais altos. O resultado disso aponta para um cenário externo de risco e de lento crescimento das economias mundiais.


Taxas 2


REFORMA DA PREVIDÊNCIA


O ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga, já declarou que, se há 10 anos falassem-lhe que os juros das principais economias chegariam a zero, teriam expansão monetária e inflação baixa, ele teria dito: “impossível!”. Mas isso aconteceu. No caso do Brasil, mesmo com juros altos, a inflação continuou subindo.


Armínio também já sentenciou que, em um ambiente de grandes incertezas, mesmo com ajuste fiscal e aprovação da reforma da previdência, a dívida pública deve passar de 80% do PIB no Brasil e que o ajuste fiscal deve ser imediato.


Taxas 3


MUDANÇAS AINDA ESTE ANO


O mercado tem sido mais otimista do que Fraga. As projeções da XP Investimentos são de uma recuperação que deve começar a ser percebida ainda em 2017. Júlio Fernandes acredita que ainda neste semestre deve haver a aprovação da reforma da previdência (com algumas negociações), mas que a mudança impactará nos resultados econômicos do País.


Taxas 4


ATENÇÃO DOS INVESTIDORES


Quem tiver algum dinheiro aplicado deve ficar atendo às mudanças. A executiva de mercado Louise Porto Freire diz que os investidores devem antecipar suas posições para não terem prejuízo. Aqueles que estavam acostumados a ganhos reais acima da inflação, por exemplo, provavelmente terão que migrar para outros papéis.


Com a redução dos juros, deve ocorrer a perda de rentabilidade de algumas operações. Por essa razão, alguns fundos diversificam suas aplicações, trabalhando com ativos em bolsa, câmbio e renda fixa para melhorar os ganhos.


No caso da renda fixa, a opção aconselhada são os títulos pré-fixados, atrelados à inflação, que pagam percentuais acima do IPCA. Neste caso, quem fizer os contratos agora, mesmo com os juros baixando, manterão os ganhos.


Índice superior a 95%


RECUPERAÇÃO DE CRÉDITO IMOBILIÁRIO

 

Os cartórios comemoram o índice de recuperação de créditos imobiliários. Pelos números apresentados por eles, houve uma melhora superior a 95% quando a execução da alienação fiduciária em garantia é realizada por meio dos cartórios de Registro de Imóveis.


Imóveis


FÓRUM PELO EMPREGO


O aumento do desemprego foi o grande legado de 2016 e é um dos maiores desafios de 2017. Esta semana, representantes dos trabalhadores e empregadores da construção civil discutiram o assunto com o governo. A intenção é criar um fórum para encontrar uma solução para a retomada das obras de infraestrutura.


O Brasil foi o último país a terminar com a escravidão e o último também a terminar com a hiperinflação. Um registro nada brilhante, ainda mais quando se tem em mente que a inflação penalizava diretamente os mais pobres”.

Pérsio Arida, economista

 

Rádio


O POVO Economia na Rádio O POVO/CBN, a partir das 14 horas, de segunda a sexta.

 

Dúvidas, Críticas e Sugestões? Fale com a gente