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Todo homem precisa de um pai

00:00 | Ago. 19, 2018
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Ciro Gomes não queria Camilo Santana governador. Aquela ideia não foi dele. Foi do irmão, Cid. Ciro não quer Eunício ainda senador. Esta ideia não é dele. O irmão Cid foi cicerone do presidente do Senado em pleno Becco do Cotovelo, em plena Sobral. Simbólico. Emblemático. O que Camilo ganharia sendo bom moço com Ciro? Nada. Como nada teria ganho ao longo de seu Governo até agora na hipótese de ser apenas sargento na tropa dos Ferreira Gomes. Se não Praça, digamos tenente. Nenhum estado consegue muito sem conexão com Brasília. E o que dizer de um Estado como o Ceará, com suas naturais limitações orçamentárias e naturais, governado por um petista (embora sem cara ou modos petistas)? A certeza de um mandato apenas.

 

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Pois bem, Camilo agiu (e age) com o instinto e o estômago que a política exige. Encontrou em Eunício (puro pragmatismo no negócio da Política) um parceiro. O senador outrora adversário é uma ponte Fortaleza-Brasília. Como o presidente Temer não tem razão nenhuma para afagar o Ceará, melhor ter o senador ajudando a tirar os ferrolhos das portas dos ministérios. Quanto aos outros dois senadores, em passado recente, Tasso Jereissati (PSDB) chegou a dizer que Camilo tinha "jeitão de tucano", para noutro dia de pré-campanha afirmar que o Governo é frouxo. E José Pimentel (PT) toca o mandato com ar rarefeito.

 

O pragmatismo de Camilo se alimenta de um espelho. E nele não aparece Ciro, o general do grupo, aquele a quem cabe a palavra final. O espelho de Camilo reflete o seu pai, Eudoro Santana, um general sem exército, mas com peso determinante. Ao longo da gestão, esta carga fez a canoa do Governo não ser rebocada pelos Ferreira Gomes. Foi assim nos bastidores ao demonstrar seus incômodos com as atitudes espaçosas do grupo - a ponto de levantar da mesa - ou quando caiu em campo para dar um rumo à coisa, chamando Maia Junior, um tucano puro (na época). Maia aceitou por Eudoro. Ele se projeta no filho e age com o instinto natural de pai. Mais forte do que o político.

Todo homem precisa de um pai.

Comitê da ONU, mas pode chamar de eleitoral

A pseudo campanha do pseudo candidato Lula será mesmo feita toda de factoide em factoide. O mais recente - pelo menos até sexta-feira - foi a manifestação favorável por parte do Comitê de Direitos Humanos da ONU. Zero peso legal. Imenso poder de acender o vigor juvenil e render brindes e brados a partir deste fim de semana. A rigor, a iniciativa do Comitê em um assunto absolutamente cingido à raia jurídica brasileira caracteriza apenas uma intromissão. E, como tal, indevida. Ora, a rigor está a dizer que todo o rito seguido pelo Judiciário, com a condenação a seu cabo, deve ser apenas ignorada. Tudo às favas em nome da possibilidade de eleger um político ficha suja. Noutros termos, o referido Comitê age como outro tipo de Comitê, o eleitoral.

O casuísmo da crítica

Vácuo de poder não há. Seja em uma empresa privada ou pública, seja no condomínio onde se vive ou mesmo na sombra de um poste (aqui tratado como ele mesmo, apenas um poste) alguém irá ocupá-lo. Isto explica por que nem sempre é o diretor quem manda. O perfil e a capacidade de liderança determinam. Na Política, o vácuo gerado pelo derretimento de reputações, sobretudo em função da Lava Jato, é ocupado pelo Judiciário. O que é péssimo. Mas, em larga medida, aqueles que mais reclamam - leiam-se os ditos partidos de Esquerda, liderados pelo PT - o fazem apenas por casuísmo. A energia que dedicam a fuzilar cada passo dado pela Justiça, MP e PF nos escândalos dos quais fazem parte é proporcional a que dedicariam a incensar caso os alvos fossem os outros. Sérgio Moro seria um super-herói com capa vermelha não estivessem eles na mira.

 

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