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Tesla vai quebrar?

É a marca de automóveis mais valiosa do mundo, mas alguns empresários começam a duvidar de seu futuro

01:30 | 08/02/2018

[FOTO1] Robert Lutz é um dos mais badalados e competentes executivos da indústria automobilística. Verdadeira lenda do setor, foi vice presidente da GM e alto executivo na Ford, Chrysler e BMW. Adora automóveis, pilota e tem um avião na “garage” de sua casa, em Ann Arbor (Michigan-EUA). Americano nascido na Suíça, tem 85 anos e escreve em várias publicações do setor. Foi responsável por diversos lançamentos importantes, inclusive o carro elétrico da GM, onde se aposentou em 2010. 

Lutz é reticente em relação à Tesla e faz piada com o assunto: sugere que colecionadores comprem o Model S pois, “dentro de 25 anos, será um carro raro pois a fábrica já estará quebrada. Uma pena, dirão todos, pois o carro foi o melhor e mais rápido elétrico do mundo, mas a Tesla faliu…” . 

Numa entrevista ao Los Angeles Times, ele disse que os custos da empresa (estimados em U$ 500 mil por hora) são muito maiores que os lucros e não vê possibilidades de uma reversão desta situação. A Tesla só trabalha no vermelho e o primeiro modelo que seria produzido em elevado volume (Série 3) e por preços mais acessíveis (U$ 35 mil) não deslancha. Os outros dois são muito caros (U$ 70 mil o sedã Model S, U$ 100 mil o SUV Model X). Elon Musk, dono da Tesla, construiu uma fábrica de baterias no estado de Nevada, mas não consegue produzi-las no ritmo necessário para abastecer as linhas de montagem na Califórnia.

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A empresa tem valor na bolsa superior ao da Ford ou GM, mas baseado em rentabilidade futura. Lutz diz que a Tesla não aportou nenhuma tecnologia inovadora para o setor e que sua única diferença foi ter apostado no carro elétrico e construído uma fábrica exclusivamente para produzi-lo. Suas baterias, de ion-lítio, são exatamente as mesmas utilizadas por outros fabricantes. Mas várias outras marcas – diz Lutz – estão se dedicando aos elétricos e vão oferecê-los por preços inferiores ao Tesla pois contam com maior know-how para produzir elevados volumes de automóveis. Ele já disse em outras entrevistas que não acredita no futuro da Tesla pois é impossível administrar uma empresa que só fecha suas contas no vermelho desde que iniciou atividades. Além da falta de eficiência da fábrica, Bob Lutz critica também Musk por não ter estabelecido uma rede de concessionários. O que poderia funcionar enquanto oferecia apenas dois modelos em baixos volumes, mas não para entregar e dar manutenção ao Série 3, apresentado em julho de 2017 e com previsão de produzir 500 mil unidades este ano (10 mil por semana). 

Curiosamente, Lutz é um apaixonado por automóveis (“car guy”) e adora o Tesla. Ele diz que são os elétricos mais bonitos do mundo, possuem a maior autonomia e surpreendem na performance. “Inacreditável – diz ele – um elétrico fabricado na Califórnia (EUA) superar a arrancada dos mais famosos esportivos europeus”. 

Steve Wozniak, um dos fundadores da Apple, é outro empresário famoso que não acredita nem em Elon Musk nem na Tesla. Diz ter ficado decepcionado com a promessa não cumprida de que o Model 3 teria condições de circular de forma autônoma em 2017, adiada para o início de 2018 e agora para o final deste ano. E que este sistema no Tesla, apesar do entusiasmo de Musk, é inferior ao de marcas como Audi ou BMW. Gosta e usa o Tesla em longas viagens, mas, no trânsito urbano prefere o Bolt da GM. 

Elon Musk é um engenheiro sul-africano que enriqueceu por ter sido um dos criadores do sistema de pagamentos Pay Pal. Além da fábrica de carros elétricos, criou, entre outras, a Tesla Inc (energia elétrica doméstica e industrial) e a SpaceX (viagens aeroespaciais). É considerado um gênio, mas os investidores estão reduzindo as fichas apostadas em sua fábrica de automóveis.