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Superliga europeia: entenda a polêmica competição rival da Champions League

Doze grandes clubes do futebol europeu anunciaram para agosto a estreia da Superliga europeia, competição que irá rivalizar com a Champions League, organizada pela Uefa

18:15 | 19/04/2021
Champions League teria uma competição rival com a criação da Superliga europeia (Foto: AFP)
Champions League teria uma competição rival com a criação da Superliga europeia (Foto: AFP)

Quais os 12 clubes que estão Superliga europeia?

Milan, Arsenal, Atlético de Madrid, Chelsea, Barcelona, Inter de Milão, Juventus, Liverpool, Manchester City, Manchester United, Real Madrid e Tottenham.

Quando vai começar a competição?

Segundo comunicado emitido pela Superliga, a temporada inaugural vai começar em agosto, sem definir um cronograma preciso.

Qual objetivo da criação da Superliga europeia?

Este projeto, explicam seus promotores, tem como objetivo "gerar recursos complementares para toda a pirâmide do futebol". "Em troca do empenho, os clubes fundadores receberão um pagamento único da ordem de 3,5 bilhões de euros (23,5 bilhões de reais), destinados apenas a investimentos em infraestruturas e para compensar os impactos da crise da Covid-19", destacou a mensagem.

Se este valor se confirmar, seria muito superior ao valor pago aos clubes pela Uefa em todas as competições organizadas pela entidade (Liga dos Campeões, Liga Europa e Supertaça Europeia), que geraram 3,2 bilhões de euros (21,4 bilhões de reais) em direitos de transmissão na temporada 2018-2019, antes que a pandemia afetasse seriamente o mercado europeu de direitos esportivos.

Quem está à frente da Superliga europeia?

O presidente do Real Madrid, Florentino Perez, é o mandatário inicial da "Superliga"
O presidente do Real Madrid, Florentino Perez, é o mandatário inicial da "Superliga" (Foto: GABRIEL BOUYS / AFP)

O primeiro presidente da Superliga é o espanhol Florentino Pérez, presidente do Real Madrid. "Vamos ajudar o futebol em todos os níveis, para levá-lo ao lugar que merece. O futebol é o único esporte global (...) Nossa responsabilidade como grandes clubes é atender às expectativas dos torcedores", disse Pérez, citado na declaração. O italiano Andrea Agnelli, patrono da Juventus, será o vice-presidente desta liga independente.

Fifa reage à criação da Superliga

A Fifa afirmou que "só pode desaprovar uma Liga Europeia fechada e dissidente fora das estruturas do futebol". "A Fifa quer esclarecer que está firmemente posicionada em favor da solidariedade no futebol e de um modelo de redistribuição justo", anunciou o órgão que comanda o futebol mundial.

"A Fifa sempre defende a unidade no futebol mundial e apela a todas as partes envolvidas nas discussões acaloradas a se engajarem em um diálogo calmo, construtivo e equilibrado para o bem deste jogo", completou.

A reação da Uefa

A Uefa anunciou que pretende excluir os clubes que participarem de uma "Superliga" independente, numa reação a este torneio que poderia concorrer com a Liga dos Campeões, que tev modificações anunciadas nesta segunda-feira, 19.

"Alguns clubes ingleses, espanhóis e italianos podem pensar em anunciar a criação de uma chamada Superliga independente", divulgou a entidade que rege o o futebol europeu em um comunicado, no qual classifica o projeto de "cínico".

"Conforme anunciado anteriormente pela Fifa (...), os clubes envolvidos seriam proibidos de participar em qualquer outra competição a nível nacional, europeu ou mundial, e aos seus jogadores poderia ser negada a possibilidade de representar as suas seleções nacionais."

A Uefa e a Fifa já haviam divulgado medidas duras em janeiro quando surgiram as primeiras especulações sobre esse novo torneio.

Cabe punição aos clubes?

A punição com exclusão das competições internacionais teria consequências graves, uma vez que os clubes que teoricamente participariam desta superliga independente estão repletas de jogadores estrangeiros, que seriam proibidos de atuar por suas seleções nacionais.

Resta saber se tal medida estaria em conformidade com o direito europeu da concorrência, ponto que abre a possibilidade de uma batalha jurídica se os clubes insistirem em organizar esta competição.

Novo formato da Champions League

A Uefa divulgou nesta segunda-feira o novo formato para as competições europeias de clubes a serem introduzidas a partir da temporada 2024/2025. A entidade prevê um novo molde para os torneios com aumento no número de participantes.

Principal competição de clubes no velho continente, a Liga dos Campeões terá um aumento de 32 para 36 participantes. A tradicional fase de grupos deixará de existir e será substituída por um formato de liga única.

Cada equipe terá, no mínimo, 10 jogos na fase inicial, cinco em casa e cinco fora, contra 10 oponentes diferentes. Os oito melhores classificados garantem vaga na fase eliminatória.

As equipes que ficarem abaixo dos oito melhores colocados, do 9º ao 24º, vão disputar um playoff para garantir vaga entre os 16 times que disputarão as oitavas de final.

O novo formato prevê, também, mudanças para a Liga Europa e Europa Conference League, nova competição de clubes da Uefa.

Governos e associações contra criação da Superliga europeia

O governo britânico se comprometeu nesta segunda-feira a fazer "o que for preciso" para proteger o futebol, considerando invocar a lei da concorrência para bloquear a criação da nova Superliga Europeia proposta por 12 clubes dissidentes, seis deles ingleses.

O governo espanhol também manifestou sua oposição ao projeto da Superliga Europeia de Futebol nesta segunda-feira e pediu aos clubes em questão que negociassem com Uefa e LaLiga "para chegar a uma solução consensual".

A Uefa agradeceu aos clubes que não se manifestaram a favor desta iniciativa independente, "em particular aos times franceses e alemães, que se recusaram a participar deste projeto".

Já a Associação Europeia de Clubes (ECA, pela sigla em inglês), da qual fazem parte grandes times do futebol europeu, declarou também neste domingo ser "fortemente contra um modelo fechado da Superliga", as primeiras notícias sobre a sua criação.

"A ECA, como organismo representativo de 246 clubes de primeira linha em toda a Europa, reafirma o seu empenho em trabalhar no desenvolvimento do modelo de competição de clubes da Uefa, com a Uefa, para o ciclo que começa em 2024", divulgou a entidade através do Twitter.

Esta posição firme da ECA pode surpreender, tendo em conta que este grupo, muitas vezes visto como o porta-voz dos clubes mais poderosos da Europa, é presidido pelo italiano Andrea Agnelli, patrono da Juventus, uma das equipes envolvidas na criação da Superliga.

"A ECA mantém-se na posição aprovada no seu Comitê Executivo de 16 de abril, ou seja, apoia o compromisso de trabalhar com a Uefa numa nova estrutura para o futebol europeu como um todo após 2024", acrescentou o organismo.

O que dizem os jogadores e ídolos do futebol

"Trágico", "impostores", "crime contra o futebol": definiram ídolos que estão aposentados dos gramados, enquanto alguns jogadores não encontram palavras duras o suficiente para criticar o projeto de criação de uma Superliga independente, proposta por doze grandes clubes europeus para rivalizar com a Liga dos Campeões.

"É um ato criminoso contra os torcedores, uma pena, eles são impostores", acusou Gary Neville, ex-jogador do inglês Manchester United, um dos clubes fundadores desta Superliga.

"Que eles sejam punidos severamente. Multas dissuasivas, retirada de pontos, retirem seus títulos retirados!", declarou Neville durante um programa na TV Sky.

A mesma raiva sente Rudi Völler, vencedor da Liga dos Campeões com o Marselha (1993) e hoje treinador do Bayer Leverkusen.

"É um crime contra o futebol! (...) Quem quiser jogar nesta Liga que seja expulso de todas as competições nacionais, com todas as equipes, inclusive juvenil e feminina. Devemos expulsar todos!", frisou o alemão.