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NOTÍCIA

Após pedido para mudar jogos do Castelão, Ferroviário lança nota: "respeitem a história"

Clube coral informou ainda que já antecipou a viabilidade de mandar seus jogos em outras praças esportivas do Nordeste

Iara Costa
23:03 | 09/09/2020
Castelão tem 11 jogos programados para receber em setembro  (Foto: Lenilson Santos/ Ferroviário)
Castelão tem 11 jogos programados para receber em setembro (Foto: Lenilson Santos/ Ferroviário)

O Ferroviário emitiu na noite desta quarta-feira, 9, uma nota solicitando respeito a história escrita pelo time, a Arena Castelão e o futebol cearense. O pedido foi feito logo após a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) enviar um ofício para a Federação Cearense de Futebol (FCF) solicitando que os clubes cearenses que disputam as séries C e D do Campeonato Brasileiro não mandem seus jogos no Castelão.

A justificativa da entidade seria o mau estado do gramado para partidas da Série A do Brasileiro, devido a quantidade excessiva de jogos. Em comunicado divulgado, o Tubarão da Barra reafirmou ter enviado resposta à CBF informando que não há outra praça esportiva apta a sediar os jogos oficiais do clube, já que o estádio Presidente Vargas habita um hospital de campanha e o Elzir Cabral, casa do clube coral, passa por reformas elétricas.

O time ressaltou que utiliza, em média, 180 minutos do gramado do Castelão por mês, e alegou não ser empecilho para desgaste do gramado. Apontando como uma justificativa o apelo de público, a nota da equipe lembrou que os jogos estão ocorrendo atualmente em portões fechados. 

Mesmo se opondo a deixar de mandar seus jogos no Castelão, o Ferroviário informou que antecipou a viabilidade de mandar jogos em outras praças esportivas no Nordeste. O Tubarão da Barra listou a Arena Pernambuco, o estádio José do Rego Maciel, ambos em Pernambuco e a Arena das Dunas, no Rio Grande do Norte como possibilidade de novo campo mandante do time, mas finalizou a nota acentuando que "O Castelã pertence ao povo cearense e não pode ser privatizado informalmente".

  O Floresta comunicou, por meio de assessoria de imprensa, que “mandará seus jogos na Arena Castelão, pois o Estádio Presidente Vargas, hoje, serve como hospital de campanha contra o novo coronavírus, no qual, é a única praça esportiva apta e com todos os laudos técnicos para receber jogos do Campeonato Brasileiro da Série D”.

Leia mais: CBF pede que Castelão seja usado apenas por times da Série A; Ferroviário e Floresta recusam mudança

Confira nota completa do Ferroviário:

Líder da Série C do Campeonato Brasileiro, o Ferroviário Atlético Clube foi surpreendido com um e-mail encaminhado pela Federação Cearense de Futebol e um ofício do Governo do Estado do Ceará, assinado pelo Secretário Rogério Nogueira Pinheiro. Em ambos, o reforço à solicitação da Confederação Brasileira de Futebol para que o Tubarão da Barra indique uma nova praça esportiva para seus jogos, de forma que evite o desgaste do gramado da Arena Castelão e, pasmem, garanta as boas condições para os clubes representantes da Série A do Brasileiro.

Estupefato com o pedido, a diretoria do Ferroviário prontamente enviou resposta à CBF, informando que, infelizmente, não há, em nossa capital, outra alternativa de estádio apto a sediar jogos oficiais. O Estádio Presidente Vargas, municipal, funciona como hospital de campanha, e o Estádio Elzir Cabral, particular e de propriedade coral, passa por reformas elétricas em meio à instalação de sistema de energia solar. Portanto, a Arena Castelão é a única opção.

Entende-se, ainda, que o Ferroviário, por jogar, em média, apenas duas vezes no mês em casa, ou seja, durante apenas 180 minutos, não é o principal empecilho para um eventual desgaste de gramado. Este que passou por reformas durante o começo do ano, com objetivo frustrado de não termos mais desagradáveis situações como esta. Além disto, como estádio público que é o Castelão, o Ferroviário possui o mesmo direito de uso de todos os demais filiados da FCF e representantes da cidade de Fortaleza, Estado do Ceará, em competições nacionais.

Há de se considerar que a possível justificativa de apelo de público para jogos de Série A, o que priorizaria esta à outras divisões, não faz sentido visto os jogos estarem ocorrendo de portões fechados. Destaca-se, também, que os próprios regulamentos do Campeonato Brasileiro da Série C, em seus RGC e REC, exigem estádios com boa estrutura para o bom nível técnico da competição. Ou seja, é impensável o Ferroviário ter que sujeitar a jogar em praças sem a devida qualidade merecida.

Tudo isso, somado à similares episódios ocorridos no ano passado e ao deselegante, e desgastante, fato dos vestiários de um estádio público seguirem adesivados em modo contínuo por apenas dois clubes, sem qualquer explicação plausível, faz com que o Ferroviário sinta-se amplamente desprestigiado, e até boicotado, pelos principais setores que comandam, não só o futebol, mas todo o nosso Estado. Vale ressaltar que os custos pagos pelo Ferroviário para uso da Arena Castelão são exatamente os mesmos cobrados aos outros clubes e, mesmo assim, nunca houve tentativa de retaliação por conta disto.

Prezando pela transparência com seus sócios e torcedores, e pelo profissionalismo que impera hoje no clube, o Ferroviário já se antecipou sobre a viabilidade de mandar seus jogos em outras praças esportivas do Nordeste. A Arena Pernambuco mostrou-se favorável e bastante receptiva ao time coral, com condições financeiras, por sinal, amplamente favoráveis às que são praticadas na Arena Castelão. Ainda no estado pernambucano, sensibilizado com a situação e reconhecedor da grandeza que é o Ferroviário em nível nacional, o Santa Cruz Futebol Clube, através de seu presidente, também abriu as portas do Estádio José do Rego Maciel, o famoso Mundão do Arruda, para ter o Ferroviário mandando seus jogos pela Série C. Outra proposta viável é a Arena das Dunas, em Natal, no Rio Grande do Norte, que faz um trabalho exemplar de preservação de seu gramado.

Como a solicitação de mudança partiu da CBF, o Ferroviário tem a convicção que todo e qualquer custo envolvido será abraçado pela própria Confederação. Por enquanto, a tabela da Série C segue sem alterações.

No mais, o Ferroviário lamenta todo esse imbróglio e, já não bastasse as dificuldades diárias em meio a um difícil campeonato, agora é preciso nos preocuparmos com mais essa novidade. Vivemos uma pandemia mundial, jamais vista em gerações, e, aparentemente, parece que ainda pouco se aprendeu. Ao invés de todos darem a sua cota de sacrifício, há quem continue pensando em causa própria.

O Castelão pertence ao povo cearense e não pode ser privatizado informalmente.