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Valdo conta diferenças de vida no Japão e se declara ao Ceará: "deu alavancada na minha carreira"

Zagueiro participou do programa Futebol do Povo e contou sobre início no futebol japonês, além de se declarar ao clube do Porangabuçu

Lucas Mota
18:54 | 13/05/2020
Valdo atuou no Ceará entre 2016 e 2019
Valdo atuou no Ceará entre 2016 e 2019 (Foto: Mateus Dantas / O POVO)

Após quatro anos (2016-2019) vestindo a camisa alvinegra, Valdo se despediu do Ceará rumo ao Japão para defender o Shimizu S-Pulse, em sua primeira incursão internacional no futebol. Contratado a custo zero pelo Vovô, o zagueiro ajudou o clube do Porangabuçu a conquistar dois títulos no Campeonato Cearense, o acesso para a Série A e na manutenção da equipe na elite em duas campanhas seguidas, além de garantir R$ 3,4 milhões para os cofres do ex-time na transferência.

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O Ceará teve papel fundamental na trajetória do defensor natural de Sergipe. Revelado nas categorias de base do Confiança-SE, Valdo deixou o Dragão por desafios maiores no time cearense. No Vovô, fez quase 120 jogos e marcou cinco gols. Em 2019, conseguiu se firmar entre os titulares, formando dupla de zaga com Luiz Otávio, na temporada em que mais atuou: 47 partidas, atraindo o interesse do Shimizu.

"Serei eternamente grato ao Ceará, clube que deu alavancada na minha carreira e me mostrou ao mercado do futebol. A palavra gratidão vai sempre existir para o Ceará", disse Valdo em entrevista exclusiva no programa Futebol do Povo (confira abaixo).

Virada a página do Ceará, Valdo partiu rumo à província Shizuoka, onde está localizado o clube Shimizu S-Pulse. O zagueiro está no Japão desde o início de 2020 e conseguiu se adaptar rapidamente, superando dificuldades como a cultura e o idioma e a distância da esposa e da filha, que tiveram problemas na documentação e ainda não puderam se juntar ao jogador por causa da pandemia do coronavírus.

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Por lá, ele teve a ajuda dos atletas brasileiros do elenco: o goleiro Neto Volpi, o lateral Elsinho, o volante Renato Augusto e os atacantes Junior Dutra e Carlinhos Júnior. No clube, Valdo é auxiliado por intérpretes na comunicação com o treinador e os demais jogadores, a maioria japonês.

Com pouco tempo de Shimizu, o zagueiro ganhou a condição de titular. Nas únicas duas partidas da temporada até a pausa por causa da pandemia, o atleta jogou os 90 minutos e já possui status de líder no elenco.

"Aqui, quando eles contratam alguém já é para jogar. Não contratam para deixar no banco. Adoram os brasileiros, e o brasileiro tem que carregar o piano. Tenho falado muito em campo, o treinador dá liberdade para ajudar na questão tática, alguns posicionamentos que os japoneses têm dificuldades para fazer", contou.

DIFERENÇAS ENTRE BRASIL E JAPÃO

Entre as principais diferenças do jogo para o futebol brasileiro, Valdo destaca a velocidade no Japão. Nos aspecto cultural, o zagueiro também se surpreendeu com os japoneses.

"Fiquei muito impressionado com o respeito. Estávamos ganhando de 1 a 0 em casa. Tomamos três rapidamente. O jogo acabou, estava todo mundo alegre, aplaudindo os jogadores. Se fosse no Brasil, estaria todo mundo sendo vaiado. Aqui as pessoas olham mais para o ser humano, querem tratar bem a pessoa."

Um dos pontos mais difíceis da adaptação do atleta sergipano foi a alimentação. Na pré-temporada, o elenco viajou para uma região vizinha de Shizuoka. Sem poder fazer comida em casa, já que estava concentrado com todo o grupo, o jogador precisava se alimentar com as refeições preparadas pelo clube.

"Tive dificuldade. Era só comida japonesa. Eu só comia pão e suco de laranja no café da manhã. Os japoneses comiam arroz, peixe e salada. Fiquei impressionado. Quando voltamos, peguei meu apartamento e passei a fazer compras em um mercado brasileiro. Agora estou fazendo comida em casa."

CORONAVÍRUS

O Campeonato Japonês foi paralisado há quase um mês devido ao coronavírus. Por enquanto, não há previsão de volta do torneio. Valdo explica que tem treinado em casa, mas o clube liberou sua estrutura para que os atletas possam utilizar em treinamentos individuais.

O Japão não está entre os países com mais casos de coronavírus, com mais de 16 mil confirmados e 678 mortes. No Brasil, as mortes passam de 12 mil. Na região onde Valdo vive, teve uma morte confirmada.

"O japonês vive muito em alerta. Numa crise dessa, eles estão cientes do que tem que fazer, respeitando as autoridades. O Brasil ficou devendo nisso. No Japão, está muito controlado. Em Tóquio teve foco maior", afirmou.