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Em 41 dias, 175 pessoas morreram em casa por Covid-19 em 13 cidades do Ceará

Até 10 de fevereiro, o Serviço de Verificação de Óbitos (SVO) atestou 175 óbitos domiciliares por Covid-19, o equivalente a mais da metade (56,8%) das 308 mortes atestadas em todo o ano de 2021. Dados referem-se principalmente à Região Metropolitana de Fortaleza
08:59 | Fev. 12, 2022
Autor Gabriela Custódio
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Gabriela Custódio Repórter de Cotidiano
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Tipo Notícia

Ao longo dos primeiros 41 dias deste ano, foram registrados mais da metade dos óbitos domiciliares por Covid-19 de todo o ano passado. Apenas entre 1º de janeiro e 10 de fevereiro, foram 175 mortes causadas pela doença e que ocorreram em casa, enquanto nos 365 dias de 2021 foram registrados 308 óbitos nessas circunstâncias. Os dados são do Boletim Epidemiológico da Secretaria da Saúde do Estado do Ceará (Sesa) divulgado nesta sexta-feira, 11, e dizem respeito principalmente à Região Metropolitana de Fortaleza.

A maioria das mortes que ocorreu e foi atestada pelo Serviço de Verificação de Óbitos (SVO) neste ano foi de moradores da Capital (132), e, em seguida, está Caucaia (17). Em um dos casos, a Sesa informa que a pessoa residia em São Paulo. O SVO é um serviço estadual localizado em Fortaleza.

Há alguns fatores que podem ter influenciado nesse aumento de óbitos domiciliares por Covid-19 no começo de 2022. A ocorrência de uma epidemia de síndromes respiratórias — com a Influenza A como a mais grave delas — simultaneamente à pandemia de Covid-19, aponta Ricristhi Gonçalves, secretária executiva de Vigilância e Regulação em Saúde da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa). O outro aspecto destacado por ela é a ampliação do serviço do SVO móvel.

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"A maioria desses óbitos domiciliares são em pessoas mais idosas, que já estão bem vulneráveis, têm comorbidades. E alguns deles tiveram Influenza ou coinfecção de Influenza e Covid-19", afirma a secretária. "Se não juntas, uma após a outra. E isso também debilita muito a pessoa que está em casa e não busca atendimento", complementa.

Mais da metade (92) desses óbitos ocorreu entre idosos com 80 anos ou mais. Ao incluir a população a partir de 60 anos, chega-se a um total de148 dos 175 óbitos domiciliares — ou 84,5% do total.

Ricristhi Gonçalves acrescenta que, entre idosos, pode ocorrer de a sintomatologia da Covid-19 não ser "muito bem definida". "Às vezes, eles ficam só sem comer, ficam mais moles, às vezes ficam afebris — ou seja, não têm a febre", aponta. Nesses casos, o paciente pode ficar sem atendimento adequado e descobrir a doença em um quadro mais grave.

Outro aspecto destacado pela secretária foi a ampliação do atendimento do SVO móvel, que checa as informações no domicílio. "Aprendemos muito com as duas ondas anteriores e conseguimos fazer com que esse serviço alcançasse mais pessoas", afirmou.

Questionada sobre a possibilidade de ter ocorrido subnotificação dos óbitos por Covid-19 nas ondas anteriores, a secretária confirmou. "É possível. Estamos falando de um único SVO que foi se adaptando, seguindo as orientações do Ministério da Saúde, porque não podiam ser feitas as necrópsias devido ao risco ao patologista e toda a equipe", afirmou.

Com isso, Ricristhi Gonçalves complementou que o SVO "foi atrás dessas pessoas" por meio do SVO móvel, que foi ampliado neste ano. "Fizemos toda uma preparação antes dessa onda."

Cenário epidemiológico do Ceará

Em live nesta sexta-feira, 11, para anunciar a renovação do decreto de ações de enfrentamento à pandemia no Estado, o governador Camilo Santana (PT) apontou que cenário de tendência de queda dos casos de Covid-19 no Ceará confirmou-se. De acordo com dados apresentados, a taxa de positividade — percentual de resultados positivos para Covid-19 em relação ao total de testes diagnósticos realizados — caiu de 60% para 18%.

Em gráfico que mostra a curva epidemiológica desde 2020, o titular da Secretaria da Saúde do Estado do Ceará (Sesa), Marcos Gadelha, destacou que, no atual cenário, há menor proporção de óbitos causados pela Covid-19 em relação ao número de casos da doença — visivelmente maior do que em qualquer outro momento da pandemia.

"Nesse momento da terceira onda, nós temos uma proporção bem mais elevada de casos confirmados; no entanto, a quantidade de óbitos tem sido bem menor. Isso significa que as pessoas adquiriram imunidade. Adquirir imunidade significa pessoas vacinadas", afirmou. Em seguida, Gadelha destacou a necessidade de a população buscar a dose de reforço da vacina contra a Covid-19.

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