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Sociedade Brasileira de Virologia afirma não saber como será o comportamento da variante ômicron

SBV lançou uma nota onde afirma que a variante evoluiu a partir de linhagens no continente Africano desde 2020
15:01 | Dez. 01, 2021
Autor Euziane Bastos
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Euziane Bastos Repórter Estagiária de Cidades
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Tipo Notícia

Em nota publicada nesta quarta-feira, 1°, a Sociedade Brasileira de Virologia (SBV) diz não saber como será o comportamento da nova variante ômicron.

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"Até o momento não sabemos exatamente como será o comportamento dessa nova variante em relação aos indivíduos vacinados. Há relatos iniciais de que ela pode causar diminuição da eficácia das vacinas, no entanto, estes indícios sugerem também que as vacinas continuam a proteger indivíduos imunizados, mesmo contra a nova variante", explicou.

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A SBV ainda explicou que, ao contrário do que se poderia imaginar, a nova variante aparentemente não evoluiu a partir de outras VOIs (Variantes de Interesse) ou VOCs (Variantes de Preocupação) conhecidas, mas a partir de linhagens que circulavam no continente Africano desde 2020.

A Sociedade recomenda que todos continuem seguindo os protocolos de biossegurança.

Nova variante

 

Em 11 de novembro de 2021, a nova cepa da Covid-19 foi descoberta em Botsuana, país do continente africano. A mutação foi declarada "variante de preocupação" pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

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Mais contagiosa que as demais variantes, ela pode dificultar a reação do sistema imunológico. O Brasil possui três casos confirmados, pacientes que voltavam de viagem de países africanos e que havia tomado doses da vacina contra a Covid-19.


Leia a nota na íntegra:


No último dia 25 de novembro, autoridades sanitárias da África do Sul comunicaram o surgimento de uma nova variante de SARS-CoV-2 que apresenta um perfil genético preocupante, com acúmulo múltiplo e inédito de mutações concentradas na proteína Spike, presente na superfície viral. A descoberta da variante e suas características fez com que a Organização Mundial da Saúde imediatamente classificasse a nova variante como uma nova VARIANTE DE PREOCUPAÇ O (VOC), agora denominada B.1.1.529 ou variante ÔMICRON. Embora muito ainda se desconheça acerca das características virológicas e epidemiológicas desta nova variante, vivemos a necessidade de atenção redobrada e cautela, o que não deve ser confundido com pânico. As principais razões de preocupação se concentram em três aspectos principais:


1) Ao contrário do que se poderia imaginar, a nova variante aparentemente não evoluiu a partir de outras VOIs (Variantes de Interesse) ou VOCs conhecidas, mas a partir de linhagens que circulavam no continente Africano desde 2020. Este aspecto sugere que a nova variante vem evoluindo e se adaptando através de depuração genética.


2) A análise genética mostra um acúmulo de mutações sem precedentes na evolução do SARS-CoV-2: são mais de 50 mutações, sendo 32 delas localizadas na proteína Spike. Muitas das mutações são compartilhadas com outras VOCs ou VOIs, e já foram associadas ao aumento de infecciosidade viral ou ao escape da resposta imune vacinal. Não se sabe, ainda, quais outros efeitos as mutações exclusivas e inéditas da Ômicron podem causar.


3) A detecção da nova variante veio acompanhada de aumento de casos nas regiões africanas onde a VOC circula e, mais importante, ela foi capaz de se tornar rapidamente dominante, deslocando e substituindo a variante Delta, que já é uma VOC importante e que predominava na região. Este fato demonstra que a Ômicron tem vantagens adaptativas importantes numa competição direta com a VOC Delta.


Até o momento não sabemos exatamente como será o comportamento dessa nova VOC em relação aos indivíduos vacinados. Há relatos iniciais de que ela pode causar diminuição da eficácia das vacinas, no entanto, estes indícios sugerem também que as vacinas continuam a proteger indivíduos imunizados, mesmo contra a nova VOC. Até o momento não há informações sobre aumento de mortalidade ou morbidade associados à Ômicron. Diante do quadro, autoridades sanitárias brasileiras, e de todo mundo, têm instituído medidas protetivas com o intuito de impedir ou atrasar a entrada da nova VOC em seus respectivos países, aumentando a vigilância genômica nacional e internacional. A despeito destas ações, a variante Ômicron já foi identificada em vários países do mundo, inclusive no Brasil.

Diante deste quadro, a Sociedade Brasileira de Virologia (SBV) vem a público reforçar a urgente necessidade de vigilância e cuidados aumentados. Os brasileiros já vinham contemplando possibilidades de flexibilização nas ações sanitárias em razão dos números decrescentes da 2/2 epidemia no Brasil. No entanto, considerando-se a natureza dinâmica da pandemia de COVID-19 e o surgimento de uma nova VOC, tão preocupante, a SBV reitera as seguintes ações:


• Contínuo aumento da cobertura vacinal brasileira, com a completude do regime vacinal em quem não tomou todas as necessárias, e ampliação da vacinação de reforço naqueles que já tem 6 ou mais meses da conclusão de seu primeiro regime vacinal.
• Manutenção das ações não-farmacológicas de contenção da disseminação do vírus SARSCoV-2, particularmente num momento em que precisamos impedir a circulação da variante Ômicron no Brasil. Essas ações incluem o uso de máscaras em todos os ambientes, o distanciamento entre pessoas, e a minimização de aglomerações.

Sabemos que todos estão cansados dos efeitos da COVID-19, entristecidos pelas numerosas perdas humanas e materiais causadas pelo vírus SARS-CoV-2. No entanto, o surgimento e disseminação de uma nova VOC tão preocupante como a Ômicron, salienta que ainda não vencemos a Pandemia, e precisamos permanecer vigilantes para termos condições de um dia, e que seja breve, nos declararmos livres deste flagelo.


A Diretoria da SBV
Belo Horizonte, 1º de dezembro de 2021

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