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Coronavírus
NOTÍCIA

Inglaterra vai abandonar as máscaras e distância contra Covid-19 em duas semanas

Embora o número de novos casos esteja disparando para cerca de 25.000 por dia devido à variante Delta, graças às vacinas isso não se traduziu em um aumento acentuado de hospitalizações e mortes, disse Boris Johnson

17:23 | 05/07/2021
O anúncio foi feito pelo primeiro-ministro Boris Johnson (Foto: HANNAH MCKAY / AFP)
O anúncio foi feito pelo primeiro-ministro Boris Johnson (Foto: HANNAH MCKAY / AFP)

Usar máscara e respeitar o distanciamento físico não será mais obrigatório na Inglaterra a partir de 19 de julho, anunciou o primeiro-ministro Boris Johnson nesta segunda-feira, 5, instando os britânicos a "aprenderem a viver" com o coronavírus sendo prudentes.

Embora o número de novos casos esteja disparando para cerca de 25.000 por dia devido à variante Delta altamente contagiosa, graças às vacinas isso não se traduziu em um aumento acentuado de hospitalizações e mortes, disse ele, justificando sua decisão de acabar com todas as imposições legais em 15 dias.

O Executivo também estabelecerá esta semana um sistema pelo qual britânicos totalmente vacinados poderão sair de férias para países da lista "âmbar", que inclui a Espanha e grande parte da Europa, sem precisar entrar em quarentena no retorno.

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"Temos que aceitar abertamente que se não suspendermos as restrições aproveitando a chegada do verão, quando o faremos?", disse Johnson em entrevista coletiva, destacando que as opções seriam fazê-lo no inverno - quando o vírus ganha mais força - ou "não fazer isso este ano".

Assim, a partir de 19 de julho, as casas de festa e outras casas noturnas poderão reabrir com a possibilidade de dançar e consumir no bar, não haverá limitações para reuniões privadas ou grandes eventos como shows ou festas, e acabará a campanha pelo teletrabalho.

A imposição legal de uso de máscara em locais fechados e respeitando a distância de um metro e meio também será abandonada.

Trocando obrigações pelo bom senso, o primeiro-ministro exortou a população a "aprender a conviver com o vírus", seguindo conselhos, por exemplo, sobre como agir em locais lotados como o transporte público.

Um dos países mais afetados pela pandemia na Europa, com mais de 128.000 mortes, o Reino Unido impôs um bloqueio rígido no início de janeiro, que começou a diminuir gradualmente no final de março.

Restou apenas esta última etapa, inicialmente prevista para 21 de junho, mas atrasou quatro semanas devido ao surgimento da variante Delta, originalmente identificada na Índia, que agora é totalmente dominante no Reino Unido.

No entanto, o governo já havia relaxado a proibição de grandes eventos para permitir que 60.000 torcedores comparecessem às semifinais e à final do Campeonato Europeu no Estádio de Wembley em Londres, com dois terços de sua capacidade.

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A primeira semifinal, entre Espanha e Itália, é na terça-feira e a seleção inglesa enfrenta a Dinamarca na quarta-feira.

O grande afluxo de público gerou temores de que venha a surgir o que a imprensa britânica apelidou de "variante da UEFA".

No entanto, o anúncio de Johnson diz respeito apenas à Inglaterra, já que Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte decidem suas próprias políticas de saúde e optam por um desconfinamento mais lento. 

A relação entre infecções e hospitalizações foi quebrada graças à campanha massiva de vacinação realizada no Reino Unido, onde 86% dos maiores de 18 anos já receberam a primeira injeção e quase 65% o regime completo de duas doses.

Isso permitiu que, em 1º de julho, houvesse apenas 1.905 hospitalizados com sintomas graves de Covid-19 no país.

No entanto, a decisão de remover a obrigatoriedade das máscaras foi criticada por muitos especialistas.

Assim, Stephen Reicher, professor de psicologia social da Universidade de Saint Andrews, considerou "terrível (...) fazer de todas as proteções uma questão de escolha pessoal, quando a mensagem principal é que a pandemia não é uma questão de pensar no 'eu' mas em 'nós'. Seu comportamento afeta minha saúde".

Para a psicóloga Susan Michie, especialista na área de comportamento da University College London, a escolha de deixar as infecções aumentarem equivale a "construir novas 'fábricas de variantes' em ritmo altíssimo".

Questionados sobre isso durante a coletiva de imprensa com Johnson, os dois maiores líderes médicos e científicos do país, Chris Whitty e Patrick Vallance, afirmaram que continuariam usando máscaras em locais fechados e lotados.