Participamos do

Economia brasileira contornou segunda onda da pandemia, segundo projeções

Economistas descartam uma normalização real sem vacinação em massa
07:49 | Jun. 01, 2021
Autor AFP
Tipo Notícia

A economia brasileira resistiu à segunda onda de coronavírus no primeiro trimestre ignorando medidas de distanciamento social, apesar da lentidão da vacinação, consideram analistas.

Enquanto se aguardam os dados oficiais, que serão divulgados na terça-feira, os economistas ouvidos pelo jornal Valor Econômico projetam um aumento médio de 0,7% do Produto Interno Bruto (PIB) em relação ao trimestre anterior e de 0,5% em relação ao mesmo período de 2020.

O Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getúlio Vargas, prevê um crescimento de 1,6% em relação ao trimestre anterior. Em março, a previsão era de uma retração de 0,5%.

Seja assinante O POVO+

Tenha acesso a todos os conteúdos exclusivos, colunistas, acessos ilimitados e descontos em lojas, farmácias e muito mais.

Assine

"A surpresa quanto ao desempenho da atividade neste início de ano reflete o fato de o processo de reabertura e o aumento da mobilidade terem sido bem mais rápidos que o previsto", afirma.

A segunda onda do vírus foi, no entanto, muito mais letal do que a primeira: de janeiro a abril, o número de mortos pela covid saltou de 200.000 para 400.000.

Os epidemiologistas atribuem o novo aumento de casos a essa rápida reabertura da economia e temem uma terceira onda iminente. E os economistas descartam uma normalização real sem vacinação em massa.

"A questão hoje do PIB está intrinsecamente relacionada ao ritmo de vacinação", destaca Fernando Bergallo, da FB Capital.

Mas a campanha de vacinação é frequentemente atrasada devido à falta de suprimentos. Menos de 11% da população recebeu a dose dupla do imunizante até agora.

"O aumento nos casos da covid-19 reforça o cenário de uma recuperação (econômica) com interrupções", afirma a consultoria Eurasia Group.

Paula Magalhães, economista-chefe da A.C. Pastore, acredita que o bom desempenho do PIB no primeiro trimestre também se deveu a um "aprendizado das pessoas do que pode funcionar e o que não" em um período de pandemia.

Mas admite que "conforme a vacinação está lenta, não está conseguindo conter essas ondas, a gente vai ter um cenário de abre-fecha".

"O que vai acontecer agora que vai ter uma terceira onda? (...) será que vamos conseguir fechar de novo, será que a população vai aceitar, qual será o efeito disso na economia? Será que a economia anda acima das mortes ou será que fecha e consegue conter? Essa é a preocupação que a gente tem", questiona.

Apesar de tantas incertezas, os economistas estão revisando para cima suas projeções para 2021, após a retração de 4,1% do PIB em 2020.

Desde meados de abril, o mercado aumentou sua projeção de 3,04% para 3,96%, de acordo com Boletim Focus do Banco Central. 

Um confinamento relativamente estrito, como a da primeira onda em vários estados, parece fora de questão. O presidente Jair Bolsonaro se opõe fortemente a ele e ameaça garantir por decreto "o direito de ir e vir".

"Não adianta fugir disso, fugir da realidade. Tem que deixar de ser um país de maricas. Olha que prato cheio para a imprensa. Prato cheio para a urubuzada que está ali atrás. Temos que enfrentar de peito aberto, lutar. Que geração é essa nossa?", disse o presidente em novembro.

Em pouco mais de um ano, o Brasil se tornou o segundo país com mais mortes por covid (mais de 460 mil) e o número de desempregados aumentou quase dois milhões, atingindo o recorde de 14,8 milhões.

O primeiro trimestre foi puxado pelo setor agroexportador, impulsionado pela produção recorde de grãos e pela alta nos preços internacionais.

Segundo o Valor, a agropecuária cresceu 4,2% em relação ao período anterior, enquanto a indústria e os serviços cresceram 0,5%.

O consumo das famílias cresceu apenas 0,4%, depois do fim do auxílio emergencial, que permitiu a sobrevivência de quase um terço dos 212 milhões de brasileiros no ano passado.

Um valor menor, para menos pessoas, foi liberado em abril, com duração inicial de quatro meses.

Dúvidas, Críticas e Sugestões? Fale com a gente

Tags