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Coronavírus
NOTÍCIA

68% dos dados de leitos no Brasil apresentam problemas, aponta estudo

Feito pela Open Knowledge Brasil (OKBR), o estudo analise compara e os dados obtidos pelo Ministério da Saúde através do Censo Hospitalar, criado para preenchimento por parte das unidades hospitalares do País

23:33 | 08/04/2021
Brasília - Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Regional de Taguatinga. Em alguns hospitais do Distrito Federal faltam leitos para os pacientes. Foto: Marcello Casal JR/ABr (Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil)
Brasília - Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Regional de Taguatinga. Em alguns hospitais do Distrito Federal faltam leitos para os pacientes. Foto: Marcello Casal JR/ABr (Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil)

Análise feita pela Open Knowledge Brasil (OKBR) indica problemas em 68% dos dados registrados pelas unidades hospitalares do Brasil com relação à ocupação de leitos, sejam exclusivos à Covid-19 ou não. Os resultados do estudo foram divulgados nesta quinta-feira, 8, um dia antes do marco de um ano desde a criação do “Censo Hospitalar”, sistema do Ministério da Saúde que deve ser preenchido diariamente pelos hospitais do País.

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Dados inconsistentes e falta de atualização estão entre os erros encontrados: 87% das unidades com Unidade de Terapia Intensiva (UTI) têm taxas de ocupação exorbitantes, o que indica problemas de registro; 31% não fazem atualizações há pelo menos duas semanas, enquanto 24% não fazem há mais de três meses.

“A partir dos dados que analisamos, é muito difícil pensar que essas informações estão sendo consideradas para o enfrentamento da pandemia pelo Ministério da Saúde, pois estão ou bastante defasadas ou distorcidas com a falta de padrão. Se esses forem os únicos dados disponíveis, podemos considerar que o país está se planejando no escuro”, argumenta Fernanda Campagnucci, diretora-executiva da OKBR.

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As porcentagens informadas pelos estados é a principal base para o monitoramento da ocupação de leitos no País, principalmente daqueles destinados ao tratamento da Covid-19. O estudo da OKBR compara os dados do Ministério da Saúde com informações repassadas por secretarias estaduais de saúde e contidas no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES).

Discrepâncias significativas foram notadas nas comparações: 18% dos registros Ministério-CNES diferem; em relação aos estados, apenas seis dos 27 entes tinham diferenças médias menores que 20% quando confrontados ao Censo.

“Monitorar as taxas de ocupação hospitalar é um procedimento fundamental para mensurar o quão próxima da oferta se encontra a demanda por leitos, permitindo que estados e municípios organizem seus estabelecimentos de saúde para atendê-la”, explica Danielle Bello, coordenadora de Advocacy e Pesquisa da OKBR. As taxas de ocupação de leitos servem para medir a eficácia das ações de enfrentamento dos governos estaduais e municipais.

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“Faz toda diferença para a qualidade dos registros se há uma percepção de que esse sistema é útil, ou seja, que os dados são usados para monitorar a situação no estado e município”, defende Campagnucci. “Do contrário, ele é simplesmente visto como mais uma obrigação em meio a um cenário de sobrecarga de tarefas”.