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Covid-19: Após vacina, organismo leva cerca de duas semanas para desenvolver imunidade

"Por isso, é muito importante a população saber que, embora vacinada inicialmente, não é o momento para relaxar as medidas de isolamento social", explica o secretário da Saúde, Dr. Cabeto
13:15 | Fev. 10, 2021
Autor Marcela Tosi
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Marcela Tosi Repórter de Cotidiano
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Tipo Notícia

Mais de 4 milhões de brasileiros já receberam a primeira dose da vacina contra Covid-19 até o momento. Entre eles estão 186.388 cearenses. Entretanto, isso não significa, necessariamente, que já estão imunizados. Dois fatores estão em jogo: a necessidade da segunda dose e o tempo que o organismo leva até desenvolver completamente a resposta imune.

"Cada organismo reage de uma forma, dependendo de fatores como a faixa etária e o próprio sistema imunológico da pessoa. Em geral, em duas semanas após a segunda dose estaremos protegidos, pois esse é o tempo que nosso sistema leva para criar anticorpos neutralizantes, que barram a entrada do vírus nas células", afirmam pesquisadores do Instituto Butantan em nota.

Os cientistas apontam que "uma quantidade ainda maior de anticorpos pode ser registrada até um mês após o fim da vacinação, também variando de indivíduo para indivíduo".

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"Por isso, é muito importante a população saber que, embora vacinada inicialmente, não é o momento para relaxar as medidas de isolamento social, que agora se fazem ainda mais importantes", explicou o secretário da Saúde, Carlos Roberto Martins Rodrigues Sobrinho, em live realizada pela Defensoria Pública do Estado do Ceará nessa terça-feira, 9. "As pessoas precisam aderir a esse movimento de se poupar até que a gente amplie a vacinação e possa atingir um nível maior de segurança."

Como vacinas ativam a resposta imune

 

Ao receber uma vacina pela primeira vez, o sistema imunológico ativa dois tipos importantes de glóbulos brancos. Em primeiro lugar, as células B do plasma, que se concentram principalmente na produção de anticorpos.

Em segundo lugar, há as células T, cada uma das quais especificamente adaptada para identificar o vírus e matá-lo. Algumas delas, células T de memória, são capazes de permanecer no corpo por décadas até encontrarem seu alvo.

Na dose de reforço, o organismo é novamente exposto e as células B remanescentes são capazes de se dividir rapidamente, levando a um segundo pico na quantidade de anticorpos circulantes. A segunda dose também inicia o processo de "maturação das células B". Neste sentido, os anticorpos não são mais numerosas e melhor direcionados.

Efeito da uma única dose

 

Tanto a Coronovac, a vacina do Instituto Butantan com a Sinovac, quanto a vacina de Oxford e da AstraZeneca, em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz, preveem duas doses.

Destes, somente o imunizante de Oxford mediu a proteção adquirida depois da primeira dose. Em artigo publicado em janeiro, os cientistas indicam que a vacina oferece proteção de 64,1% após uma dose e de 70,4% após duas doses.

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Os resultados mostraram que a eficácia foi medida 21 dias depois da aplicação da primeira dose da vacina, o que significa que há "uma proteção de curta duração após a primeira dose". Segundo os especialistas, a segunda dose da vacina garante uma maior duração da proteção, embora estudos ainda não tenham descoberto quanto tempo ela pode durar.

Já os testes clínicos realizados no Brasil com a Coronavac não mediram eficácia com apenas uma dose. Por isso, não é possível saber se a vacina é capaz de oferecer proteção, mesmo que de curta duração, sem a dose de reforço.

O intervalo de aplicação entre as doses das duas vacinas é de no mínimo 2 semanas a no máximo um mês para a Coronavac. Para a vacina Astrazeneca/Oxford/Fiocruz, esse período é de 4 a 12 semanas.

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