Em reorganização, salões de beleza observam clientes mais aventureiros após pandemia

Com salões anteriormente fechados devido à pandemia, os termos "cortar o cabelo em casa" e "como cortar o cabelo em casa" tiveram em 2020 uma alta no Google. Com clientes realizando os procedimentos em casa, o setor passa por mudanças: o uso de redes sociais e a diminuição da frequência de serviços mais simples, como hidratações e depilações, estão entre elas

Após três meses da reabertura dos salões de beleza no Ceará, as medidas contra o novo coronavírus persistem tanto através dos decretos estaduais quanto pela preservação da saúde dos colaboradores e dos clientes. O setor, um dos principais afetados pela pandemia, teve que se reinventar e lidar com as novas demandas do mercado para sobreviver. Dentre elas, clientes que aprenderam a fazer cortes e outros cuidados com as madeixas durante o período de quarentena.

A pesquisa "Pequenos Negócios e o Enfrentamento da Crise do Coronavírus", realizada pelo Sebrae, abordou o ramo de atuação da beleza durante a pandemia. Os resultados mostraram que o segmento adotou uma abordagem mais "híbrida", com o fortalecimento de experiências presenciais e o uso intenso de canais online em vendas e relacionamento com os clientes.

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As redes sociais foram a principal vitrine para Aniêgila Pereira reconquistar a clientela que ainda não se sentia segura para o retorno presencial. Após aderir rigidamente aos processos de higienização devido a um resguardo, vem publicando em seu perfil no Instagram as principais mudanças no local: separação de cadeiras, limpeza a cada cliente e atendimento apenas por agendamento são algumas das orientações que persistirão no estabelecimento mesmo após a pandemia.

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Os clientes também mudaram ou ainda estão se adaptando aos cuidados contra a Covid-19. Segundo ela, usar a máscara de proteção por bastante tempo vem sendo um desafio. "Já tive casos de clientes que se chatearam porque eu pedi para colocar a máscara enquanto falavam", conta.

A depilação foi um dos procedimentos afetados, principalmente em partes que o equipamento de proteção individual (EPI) costuma cobrir. "As clientes que voltaram ao salão com sobrancelhas mais cheias e poucas fizeram corte de cabelo. Outras até justificaram que a máscara cobre o buço, então não teria motivo para fazê-lo", relata.

As peculiaridades dos clientes do barbeiro Lucas Simplicio também se acentuaram com a pandemia. O estabelecimento localizado no bairro Nova Metrópole, em Caucaia, retornou suas atividades presenciais com uma queda de 35% no fluxo de clientes.

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A comunicação prévia através das redes sociais ajudou a acostumar tanto os funcionários quanto os consumidores com as medidas. A higienização dos produtos, já presente antes da pandemia, foi intensificada. "Nos nossos atendimentos, começamos a ter um número reduzido de pessoas dentro do local, que está funcionando totalmente através de agendamento", conta Lucas.

Enquanto o estabelecimento esteve fechado, o atendimento através de videochamadas favoreceu uma emancipação dos clientes. Parte do público aderiu aos cabelos grandes devido ao medo de ir até o salão ou por não estarem saindo de casa com frequência.

Muitos também adaptaram-se aos cortes e aos cuidados caseiros, procurando a ajuda do barbeiro quando necessário. "Estávamos dando as dicas porque muitos acreditavam que tinham que apenas raspar. Eles acabaram fazendo isso em casa, com suas próprias máquinas, se aventurando", destaca. 

Segundo ele, parte da queda dos atendimentos se deve ao empoderamento do cliente durante a quarentena. Cortes, hidratações e ajustes na barba estiveram entre os procedimentos mais feitos em casa.

Pesquisas sobre como cortar o cabelo em casa aumentaram 

 

Dados da plataforma Google Trends mostraram um aumento das pesquisas de cuidados para as madeixas em casa. A ferramenta reúne os principais termos procurados pelos usuários do Google e englobam o período de janeiro a agosto de 2020, dentro da categoria de condicionamento físico e beleza. Os interesses são indicados por números entre 0 e 100 - o pico máximo que a popularidade de um termo pode alcançar.

Os termos "cortar o cabelo em casa" e "como cortar o cabelo em casa" este ano tiveram uma boa procura nos índices do site, com registros de até 25 pontos de interesse entre os meses de janeiro a março. Entretanto, a partir do fim de março - início do período de quarentena em vários estados do País, inclusive no Ceará - os termos chegaram a picos de até 65 pontos de interesse e já alcançaram o pico máximo de popularidade em 2020.

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Mesmo com a reabertura dos salões, as pesquisas continuam altas no buscador. Os últimos maiores índices de interesse registrados foram de 44. Próximo do valor de 50, que define que o termo teve metade de sua popularidade.

Dentre os looks mais procurados pelo brasileiro, estão o corte da atriz Flávia Alessandra e de Thomas Shelby, protagonista da série britânica Peaky Blinders. O modelo da loira teve aumento de 700% no período, enquanto do personagem frio e calculista registrou 600% de aumento nos termos pesquisados.

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Alguns preferem se arriscar no corte apenas pela diversão. Felipe Kuhn se aventurou nos modelos durante a quarentena com o intuito de quebrar o pesado clima em casa. O advogado morava com o filho de sete anos e com a mãe, que apresentou sintomas da Covid-19.

Através de tutoriais no YouTube, o advogado platinou o cabelo e o cortou cerca de quatro vezes enquanto esteve isolado. Com receio, ainda não pretende sair de casa para realizar os procedimentos em um salão, mas recomenda a procura em caso de cortes mais elaborados.

"Às vezes, quando você quer um corte mais elaborado, é importante você ir. Até porque cortar o cabelo é algo muito complicado, precisa de dois espelhos e outros equipamentos. Para um corte simples, que costumo usar, vou continuar a fazê-lo em casa", conta. 

Além da economia nos gastos, Felipe conta que quando fez os novos modelos por conta própria, trouxe uma mudança significativa na convivência com a família. "Meu filho adorou, achou fantástico. Já minha mãe achou uma 'marmota'", conversa entre risos.

Os cortes caseiros de Felipe permanecerão, tanto pela economia quanto pelos bons momentos em família. A mãe faleceu devido ao novo coronavírus e a sua reação ao corte de cabelo de Felipe é uma das boas lembranças que guarda durante a quarentena. "O fazer foi muito leve, foi como uma piada que você faz e realmente todo mundo acha legal. É uma das lembranças boas que ficam", disse.

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